por Welson Gasparini (*)

O ex-presidente dos Estados Unidos Barack Obama, no seu livro “A audácia da esperança”, fala, é claro, sobre política, narrando um episódio ocorrido quando ele decidiu ingressar na vida pública. Disseram-lhe que ele parecia ser uma boa pessoa e lhe perguntaram as razões pelas quais pretenderia ingressar “nesse meio sujo e sórdido que é a política”.

Ele respondeu entender essa descrença em relação aos políticos, mas garantiu existirem, sempre, políticos agindo com idealismo e correção. “É preciso – disse Obama – que as pessoas acreditem que podemos, como políticos, não resolver todos os problemas, mas, ao menos, conseguir bons resultados.”

As eleições do próximo ano são, acredito, uma grande oportunidade de elegermos pessoas honestas, competentes, idealistas e corajosas porque, neste momento, o Brasil precisa de líderes dotados dessas quatro qualidades.

Em pronunciamento recente na tribuna da Alesp, complementado com as observações de Obama, eu me muni de alguns dados demonstrando a gravidade da atual situação vivida pelo nosso país em áreas fundamentais como a educação e a segurança pública.

Na área da educação, segundo dados oficiais, a taxa de analfabetismo no Brasil é impressionante. A população analfabeta, acima dos 15 anos de idade, é de 13,2 milhões de pessoas. Segundo relatório da Unesco, dez países do mundo concentram 72% dos adultos analfabetos e, nessa classificação, o Brasil, infelizmente, está em oitavo lugar. Quase uma em cada quatro pessoas com 60 anos ou mais é analfabeta em nosso país. Cerca de seis milhões de pessoas dessa faixa de idade, portanto, são analfabetas.

Ainda sobre a questão da educação, eis outro dado gravíssimo. Ao fim do terceiro ano do ensino fundamental, um em cada três brasileiros não consegue escrever uma frase fazendo sentido e quase metade é incapaz de ler as horas em um relógio digital.

Quanto à violência, então, demonstrando o fracasso da política de segurança pública, o levantamento é aterrorizante. O Fundo das Nações Unidas para a Infância mostra que o número de assassinatos de crianças e adolescentes de até 19 anos, no Brasil, passou para 10,5 mil por ano, uma média de 28 por dia. São dados oficiais. O Brasil, nesse ranking indesejado, é vice-campeão mundial no assassinato de jovens, perdendo apenas para a Nigéria.

De qualquer forma, não podemos deixar de lado a audácia da esperança em um país melhor, que poderá ser construído em 2018, nas eleições para presidente da República, vice-presidente, governadores, vice-governadores, senadores, deputados federais e deputados estaduais.

Vamos fazer uma limpeza! Se a política está suja, é a grande oportunidade do eleitor, pelo voto, mudar a classe política deste país, selecionando e votando em pessoas capazes de realmente representar, com dignidade, o nosso povo.


(*) Welson Gaspirini —  Radialista, jornalista, professor e advogado Welson Gasparini é natural de Batatais, onde nasceu no dia 01 de dezembro de 1936. Está no exercício do seu terceiro mandato  de deputado na Assembleia Legislativa de São Paulo.  Foi vereador, deputado estadual, deputado federal e,  por quatro vezes,  prefeito municipal da cidade de Ribeirão Preto.

Nota da Redação: Os artigos publicados neste espaço “Opinião” são de inteira responsabilidade de seus autores. As opiniões neles emitidas não exprimem, necessariamente, o ponto de vista do “DiárioZonaNorte” e nem de sua direção.

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