O anúncio foi feito nesta 3ª feira (10/04/2018): na premiação, a Biblioteca Nacional da Letônia acabou recebendo o prêmio. Mas a Biblioteca de São Paulo (BSP) colocou o Brasil entre os quatro finalistas na categoria de melhor biblioteca do mundo no Prêmio Excelência Internacional 2018, organizado pela Feira do Livro de Londres. Mantida pelo Governo do Estado de São Paulo e administrada pela SP Leituras, a biblioteca foi a única concorrente de um país fora do continente europeu. Da disputa, participaram também a Biblo Tøyen, da Noruega, a Dokk1, da Dinamarca, e além da vencedora Biblioteca Nacional da Letônia. Na lista de finalistas deste ano, o Brasil liderou, com iniciativas em cinco das 17 modalidades, à frente até dos Estados Unidos (quatro indicações), num total de 27 países representados

Histórico === Inaugurada em 2010 no terreno onde funcionou o extinto Complexo Penitenciário do Carandiru, a Biblioteca de São Paulo nasceu com a missão de atrair leitores e, principalmente, o público não habituado à leitura. Tinha também um desfio: apagar para sempre o estigma do local marcado pela violência. Oito anos depois, a missão parece estar cumprida. O que antes foi palco de exclusão tornou-se um local de acessibilidade e inclusão; no lugar da prisão, a liberdade proporcionada pela leitura.

A acessibilidade começa na saída da Estação Carandiru do Metrô, de onde parte o piso tátil que conduz o visitante até a porta da biblioteca. O acervo acessível reúne 1.510 itens, entre livros em braile, áudiolivros, livros falados e equipamentos de tecnologia assistiva, como scanner de voz (Sara/Poet/ Bookreader); computadores adaptados; MP3; ampliador de caracteres; leitor de áudio; folheador automático; mesa ergonômica e termofusora. A programação é ampla e desenvolvida para atingir a todas as faixas etárias, desde as atividades para bebês até as concorridas oficinas de redes sociais e smartphones voltadas para pessoas maiores de 60 anos

Pluralidade – A superintendente de biblioteca da SP Leituras, Sueli Motta, acredita que essa característica tenha agradado a comissão julgadora da feira de Londres: “Compreendemos que dois pilares podem ter sido considerados: um, obviamente, ligado ao local emblemático em que estamos localizados, e o outro se relaciona à pluralidade do atendimento, uma vez que se trata de uma biblioteca pública, construída para oferecer serviço de qualidade a todos os cidadãos”.

A BSP, explica Sueli, foi idealizada sob o conceito de biblioteca viva, que pressupõe, entre outros fatores, um acervo atualizado – um terço das compras semanais de livros atendem a sugestões dos próprios usuários – programação cultural para todas as faixas etárias e um olhar atento à comunidade, sempre com vistas a fomentar a leitura, objetivo que permeia toda a programação cultural.

“A leitura não é só o hábito, é também o fomento. A pessoa chega para participar de uma oficina ou atividade cultural, é apresentada à biblioteca e acaba se tornando sócia. Queremos que este espaço seja a terceira opção de lazer das pessoas, sendo a primeira o contato com a família, a segunda o cinema e o teatro, e a terceira, a biblioteca”, afirma a superintendente.

Toda a equipe da BSP é treinada para receber quem chega em busca de informação e cultura. Mas não apenas isso. O quadro de funcionários inclui também assistentes sociais, responsáveis por acolher e intermediar demandas que vão além da leitura. Isso porque não é raro chegarem à biblioteca pessoas em situação de vulnerabilidade social em busca de um local para tomar banho, mães à procura de escola para matricular o filho, ou ainda pessoas querendo tirar documentos. O trabalho consiste em direcionar essas pessoas a serviços da rede socioassistencial estadual e municipal.

Ambiente propício à leitura ===  Com 4.250 m², a Biblioteca de São Paulo está localizada no Parque da Juventude. O antigo pavilhão do complexo penitenciário recebeu poucas alterações estruturais. O projeto arquitetônico utilizou como referência uma experiência bem sucedida realizada em Santiago (Chile), onde se aproveitou uma edificação existente para a construção de uma biblioteca. De acordo com Marcelo Aflalo, da Aflalo & Gasperini, responsável pelo trabalho, a abordagem principal era a acessibilidade, na sua mais ampla concepção: cultural, cognitiva e física.

Para conquistar e envolver o público não acostumado a ler, o projeto interno utilizou alguns artifícios. Um deles são os ambientes em forma de caixas coloridas em que o tamanho das imagens de pessoas impressas em suas paredes sinalizam a faixa etária a que se destina o acervo ali disposto. “Luz, transparência, educação, cultura, diversidade e conveniência estão reunidos para criar o ambiente para a leitura e quebrar o estigma da biblioteca fechada e escura”, explica Antônio Mantovani, da DM/AM Arquitetura, responsável pelo projeto (ganhador do prêmio IAB-SP, em 2010).

Na área externa, os terraços com cobertura translúcida e a praça coberta por tenda de tecido tensionado são os artifícios do projeto arquitetônico para também ressignificar o ato da leitura. “Um espaço em que o caráter educativo extrapolou o caráter cultural de uma biblioteca convencional”, ressalta Aflalo.  << Com apoio de informações/fonte: Imprensa Oficial – Conteúdo Editorial – repórter/texto: Roseane Barreiros >>

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                                     Alguns números da BSP

  • Acervo (até dezembro de 2017): 43.376 livros com foco em literatura brasileira e estrangeira, traduzida para o português, além de alguns títulos me inglês
  • Acervo acessível: 1.500 itens
  • Área construída: Com 4.250 m²
  • Número de funcionários: 110
  • Frequência: 76.333 pessoas (em 2017)
  • Total de sócios ativos: 27.094
Organicos

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