por Aguinaldo Gabarrão (*)

=== É difícil acreditar que uma milionária do século XIX mandou construir ininterruptamente uma casa até morrer, aterrorizada com espíritos vingativos que ela tentava encarcerar em dezenas de cômodos ao longo de 38 anos. Mas, é verdade.

A figura excêntrica de Sarah L. Winchester existiu. Era herdeira do inventor do rifle de mesmo nome. A casa com 160 quartos não é conversa de pescador. Está de pé até hoje em San Jose, Califórnia.

E os espíritos que a assombraram? Bem, esses marcam a sua presença pelo menos no universo dos diretores Michel e Peter Spierig, irmãos gêmeos que se inspiraram nessa bizarra história para roteirizar juntamente com Tom Vaughan a Maldição da Casa Winchester.

Uma construção interminável ===  A milionária Sarah Winchester, abalada pela morte da filha e do marido, é aconselhada por um suposto médium, e constrói uma mansão para aprisionar os vingativos espíritos das vítimas do rifle Winchester. Mas, os executivos da companhia de armas contratam o psiquiatra Eric Price para provar a loucura da rica viúva e afastá-la do controle da empresa de rifles. Porém, ele próprio será testado em sua sanidade.

Logo ao chegar à mansão, o médico (Jason Clarke) se depara com um batalhão de carpinteiros que dia e noite se revezam na construção de novos cômodos.

Seu diagnóstico de que a velha é uma maluca só começa a ser abalado com o drama de Marian (Sarah Snook) e seu filho Henry (Finn Scicluna-O’Prey), parentes da viúva, acossados pelas entidades vingativas. O menino é a bola da vez, e sofre nas mãos do pior dos espíritos, que ganha gradativamente mais poder na casa e será revelado na parte final da trama.

“Acredita em fantasmas, doutor?” === Infelizmente, o roteiro se perde em clichês já manjados e desperdiça a possibilidade de explorar de maneira mais consistente as razões para a descrença do médico e as contradições da viúva, se de fato ela tem contato com espíritos.

A trama elaborada segue a linha convencional e, deixa de lado, a proposta rica de explorar as aparições como aspecto da mente torturada da mulher, o que elevaria o nível de tensão e tornaria a personagem mais interessante. No entanto, opta-se por não provocar o público com essa dúvida. Tudo ali é causado por espíritos e ponto final.

Trabalho ofuscado === A ótima atriz Helen Mirren (Oscar de Melhor Atriz – A Rainha), faz o que pode diante de um roteiro engessado e previsível. É lamentável ver um talento dessa envergadura desperdiçado num papel e direção que não lhe permitem outras possibilidades de apresentação da personagem.

No mais, o filme A Maldição da Casa Winchester, talvez ajude a trazer um número maior de visitantes e turistas a verdadeira mansão, inclusive de brasileiros para conferir a quantidade de Pau Brasil consumida nessa construção megalômana.

Assista ao trailer do filme: https://www.youtube.com/watch?v=tbqthHc8E2k


FICHA TÉCNICA

A Maldição da Casa Winchester (Título original: Winchester – The house that ghosts built)

Direção: Michael Spierig e Peter Spierig / Roteiro: Tom Vaughan / Fotografia: Ben Nott / Trilha Sonora: Peter Spierig

Elenco: Jason Clarke, Helen Mirren, Sarah Snook, Angus Sampson, Eamon Farren, Finn Scicluna-O’Prey, Tyler Coppin, Laura Brent, Emm Wiseman, Adam Bowes, Dawayne Jordan

Gênero: terror / Duração: 1h40 minutos

Classificação indicativa: 14 anos / País: EUA e Austrália / Ano de Produção: 2017

Lançamento: 1 de março de 2018 (Brasil)


(*) Aguinaldo Gabarrão, ator e dramaturgo. Iniciou em 1989 sua trajetória profissional no teatro com o espetáculo “Halloween, o dia das bruxas”, do dramaturgo Nery Gomide. Trabalhou com diretores de diferentes estilos e gerações: Jayme Compri, Hamilton Saraiva, Eugênia Thereza de Andrade, Fabio Caniatto e Antônio Abujamra entre outros. Atua também no segmento corporativo por meio de cursos, treinamentos e palestras com as técnicas do teatro.


Nota da Redação: As críticas publicadas neste espaço são de inteira responsabilidade de seus autores. As opiniões nelas emitidas não exprimem, necessariamente, o ponto de vista do “DiárioZonaNorte” e nem de sua direção.


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