por Alarico Rezende (*) ==

“NÃO POSSO FICAR NEM MAIS UM MINUTO COM VOCÊ, SINTO MUITO AMOR, MAS NÃO PODE SER, MORO EM JAÇANÃ, SE EU PERDER ESSE TREM QUE SAI AGORA AS ONZE HORAS, SÓ AMANHÃ DE MANHÃ…”            (Trecho do “Trem das Onze”)

 

Em homenagem aos 147 anos do bairro do Jaçanã (14/09/2017), estamos de volta com “Raízes do Brasil”, aqui no DiárioZonaNorte, abrindo esse espaço quinzenal para contar um pouco a história do grande poeta do samba paulista, do grande compositor e intérprete Adoniran Barbosa, que fez o famoso “Trem das Onze”, levando o nosso samba para todos os cantos do mundo — mais conhecido até que “Aquarela do Brasil” e “Tico-tico no fubá”.

Você já ouviu falar de João Rubinato? Esse é o nome de batismo de Adoniran Barbosa. Natural de Valinhos, nasceu no dia 6 de agosto de 1910. Faleceu no dia 23 de novembro de 1982, em São Paulo. Um artista quatro em um: cantor, compositor, humorista e ator brasileiro.

Ele tinha muitos personagens no rádio. Filho de Francesco Rubinato e Emma Ricchini, imigrantes italianos. João Rubinato deixou a escola muito, não gostava de estudar. Tinha que  trabalhar para ajudar nas despesas da família que era numerosa. Tinha sete irmãos. Os Rubinato mudavam constantemente de cidade, buscando resolver problemas financeiros. Primeiro foram para Valinhos (na época distrito de Campinas), depois Jundiaí, Santo André e por fim vieram para São Paulo. João Rubinato, o Adoniran, começou a trabalhar em Jundiaí como entregador de marmitas.

Já com o nome de Adoniran Barbosa – nome artístico inspirado num companheiro de boemia e de Luiz Barbosa, cantor de sambas, que admirava – João Rubinato estreou cantando um samba de Ismael Silva e Nilton Bastos, Se Você Jurar, mas não deu sorte foi gongado num programa de calouros. Teimoso, voltou no mesmo programa, cantando Filosofia, de Noel Rosa, samba que abriu as portas no rádio.

No rádio, no papel de ator radiofônico, criando diversos tipos populares, nos programas escritos por Osvaldo Moles, começou a aparecer o sucesso.

O Trem das Onze vira canção conhecida nas rodas de samba, nas casas de shows, Adoniran alcançou o almejado sucesso. Ele gravou Trem das Onze em 1951, mas o sucesso mesmo apareceu quando foi regravada pelo conjunto paulistano Demônios da Garoa. A música começou a tocar no Rio de Janeiro e depois foi ganhando espaço, com muito sucesso.

Joga a Chave, outra boa composição do poeta Adoniran Barbosa nasceu numa noite que perdeu a chave de casa depois de muita bebida, ao chegar em casa tentou acordar a esposa Matilde, que se aborreceu.

Adoniran Barbosa trabalhou na Rádio Record por mais de 30 anos. Certa vez foi pedir um aumento de salário e aí o responsável pela gravadora disse que iria estudar, que “voltasse em uma semana”.  Voltava e o “estudo continuava”. Um dia, bem-humorado, saiu com essa: “Tá certo, o senhor  continue estudando e quando chegar a época da sua formatura me avise”.

Em 1936 casou-se com Olga Krum, com quem teve sua única filha, Maria Helena Rubinato, nascida em 23 de setembro de 1937, mas 1943 João desquitou-se. Após a separação, constituiu nova família com Matilde de Lutiis, que o acompanhou até a morte, mas nunca tiveram filhos.

Morte —  Adoniran Barbosa morreu no dia 23 de novembro de 1982, aos 72 anos de idade. Na época estava internado no Hospital São Luís tratando um enfisema pulmonar. Foi sepultado no Cemitério da Paz, conforme seu desejo. Deixou sua companheira de mais de quarenta anos, Matilde de Lutiis.

Discografia

1951 – “Os Mimosos Colibris/Saudade da Maloca” (78 rpm);1952 – “Samba do Arnesto/Conselho de mulher” (78 rpm);1955 – “Saudosa Maloca/Samba do Arnesto” (78 rpm); 1958 – “Pra que Chorar” (78 rpm); 1958 – “Pafunça/Nois Não os Bleque Tais” (78 rpm); 1972 – “A Música Brasileira Deste Século -Adoniran Barbosa”; 1974 – “Adoniran Barbosa”; 1975 – “Adoniran Barbosa”; 1979 – “Seu Último Show” (Ao Vivo); 1980 – “Adoniran Barbosa e Convidados”; 1984 – “Documento Inédito”; 2003 – “2 LPs em 1” (Relançamento dos LPs de 1974 e 1975). Coletâneas: 1990 – “Claudinha do Céu” (Com interpretes de suas músicas); 1996 – “MPB Compositores: Adoniran Barbosa” (Com participações e interpretes de suas músicas); 1999 – “Meus Momentos: Adoniran Barbosa”; 1999 – “Raízes do Samba: Adoniran Barbosa”; 2001 – “Para Sempre – Adoniran Barbosa”; 2002 – “Identidade: Adoniran Barbosa”; 2004 – “O Talento de: Adoniran Barbosa” (Com participações especiais).Vídeo: 972 – “Programa Ensaio”: Adoniran Barbosa”.

Dentre as grandes composições, Malvina, Saudosa Maloca, Joga a Chave, As Mariposas, Samba do Arnesto, Iracema, Apaga o Fogo Mané, Bom Dia Tristeza, Abrigo de Vagabundo, No Morro da Casa Verde, Prova de Carinho, Tiro ao Álvaro, Luz da Light, Trem das Onze, Samba do  Italiano, Tocar na Banda, Despejo na Favela.

No cinema: Dentre os filmes que participou, Caídos do Céu, O Cangaceiro, fazendo a personagem Mané Mole, Esquina da Ilusão, Candinho, interpretando Professor Pancrácio, A Pensão de Dona Stela, Elas São do Baralho. Na televisão, participou de Mulheres de Areia, interpretando Chico Belo, em Ovelha Negra, fez Tio Quim.

Trem das Onze, o samba que ganhou o mundo ==  Sem dúvida, o grande sucesso, a composição que atravessou fronteiras é o Trem das Onze, de Adoniran Barbosa, que foi inspirada no Trem da Cantareira, que hoje não corre mais nos trilhos, que na música levou o nome do Jaçanã, do tradicional reduto da capital paulista a lugares distantes, até fora do País, Jaçanã que neste setembro de 2017 chega aos 147 anos de história.

TREM DAS ONZE

Não posso ficar nem mais um minuto com você

Sinto muito amor, mas não pode ser / Moro em Jaçanã / Se eu perder esse trem

Que sai agora às onze horas / Só amanhã de manhã

Além disso, mulher / Tem outra coisa

Minha mãe não dorme / Enquanto eu não chegar / Sou filho único

Tenho minha casa para olhar / E eu não posso ficar

< Fonte de Pesquisa:  Wikipedia >

Bem, amigos, ficamos por aqui, o Trem das Onze (da Cantareira)  já não corre mais, mas a história sempre vamos contar aqui no DiárioZonaNorte, preservar as nossas raízes culturais, valorizar os nossos compositores e intérpretes. Acompanhe-nos nas edições mensais do Brasil Raiz e nas transmissões da programação da Rádio Brasil Raiz, a sua web rádio que leva a nossa música a outros cantos do mundo. Grande Abraço!


Alarico Rezende, jornalista-compositor-intérprete, editor do jornal cultural Brasil Raiz e diretor da Rádio Brasil Raiz: www.brasilraiz.com.br e www.radiobrasilraiz.com.br. CDs gravados: “Café Caipira” e “Chora Tietê” – Raiz Discos  (brasilraiz@uol.com.br).


Leia mais sobre Alarico Rezende na matéria do DiárioZonaNorte: “Alarico Rezende, o caipira que veio montar sua rádio sertaneja na Capital” (13/08/2017) — é só clicar aqui

           N.R.: os artigos serão publicados quinzenalmente, aos sábados.


Nota da Redação: As críticas publicadas neste espaço são de inteira responsabilidade de seus autores. As opiniões nelas emitidas não exprimem, necessariamente, o ponto de vista do “DiárioZonaNorte” e nem de sua direção.


 

MPB Especial – Tv Cultura de São Paulo –  03 de dezembro de 2011 (You Tube)

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