da Redação DiárioZonaNorte

=== << Em primeira mão >> === Um ato diferente e importante marcou a 4ª feira (28/03/2018) aos arredores do grande terreno do Conjunto Hospitalar do Mandaqui, envolvendo médicos, enfermeiros, funcionários e usuários que pedem um pouco mais de olhar do governo no único hospital público da região. O protesto teve início, às 07h30, na Rua Dona Luiza Tolle, em frente ao posto regional do Instituto Médico  Legal (IML).

A caminhada teve à sua frente o presidente do Sindicato dos Médicos de São Paulo (Simesp), Eder Gatti Fernandes, e do presidente do Conselho Gestor do Hospital do Mandaqui, Marco Antonio Nunes Cabral, e vários representantes de  médicos, enfermeiros, conselheiros de saúde e outros movimentos – além de usuários, até representantes do Sindicato dos Corretores de Seguros (Sincor-SP) e parentes de pacientes.

Segundo Cabral, do Conselho Gestor, “é o primeiro ato, depois de muitos anos de situações difíceis e sem recursos do hospital, que foi convocado para pedir mais atenção e providências urgentes, no sentido de dar apoio aos médicos e funcionários, que trabalham no vermelho”. E a caminhada seguiu até em frente ao portão principal do Hospital do Mandaqui, onde simbolicamente foi dado um “abraço de solidariedade”. Durante a caminhada, o Sindicato dos Médicos de São Paulo distribuiu uma “Carta Aberta à População” explicando o que acontece no maior hospital da Zona Norte – ver a íntegra no final desta reportagem.

Com o apoio da Policia Militar, os quarteirões foram bloqueados para a passagem da manifestação, com gritos de “se o Mandaqui fechar, São Paulo vai parar”.  Outros manifestantes empunhavam cartazes: “O Hospital do Mandaqui pede Socorro” e “Alckmin, o Hospital do Mandaqui precisa de médicos”. Durante o trajeto, no meio do trânsito normal da manhã, muitos motoristas tomaram conhecimento e ficaram solidários ao movimento. O comércio parou e as pessoas assistiram o movimento nas portas de padarias e bares. Na Rua Voluntários da Pátria – onde encontra-se a entrada principal do hospital – teve um princípio de congestionamento, com os carros sendo contidos pelos policiais do trânsito.

Em frente ao hospital outra concentração aguardava com outras mensagens em caligrafia corrida nas cartolinas dispostas no chão: “Falta de Respeito aos Funcionários em Geral – Igualdade a Todos!”, “Má gestão do Hospital no Ambulatório, Arquivo Médico, Infraestrutura… “ e outros.

Ao lado da entrada, um agitador da manifestação gritava no microfone com palavras de ordem. De uma pequena caixa acústica preta saíram as reclamações da situação precária do hospital. Antes do final do protesto, houve as falas do presidente do Sindicato dos Médicos de São Paulo, Eder Gatti Fernandes; do presidente do Conselho Gestor, Marco Antonio Nunes  Cabral ; e das lideranças dos Conselhos e Movimentos de saúde – como Maria Christina Ielo Bello.

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O CONSELHO GESTOR ACOMPANHA ===  Logo em seguida ao ato de protesto, o Conselho Gestor do Hospital do Mandaqui já tinha na agenda sua reunião ordinária. Por volta das 09h30 teve início o encontro — que acontece toda a última 4ª feira do mês — na ampla sala de reuniões do subsolo do Hospital do Mandaqui, comandada pelo presidente Marco Antonio Nunes Cabral—que participa voluntariamente há 15 anos das questões do hospital —  e secretariada pelo conselheiro  Mário S. Alencar. Mais uma vez, a reunião teve a presença oficial da Dra. Magali Proença, responsável pelo Hospital do Mandaqui.

De uma forma organizada, a reunião do Conselho Gestor reuniu os conselheiros, representantes do Hospital do Mandaqui e democraticamente acolheu convidados, no total de 25 pessoas. Seguindo as normas, todos puderam se identificar e dar voz na reunião. A Dra. Magali retornou com as devolutivas da reunião anterior (de 28/02/2018) com o posicionamento da administração do hospital. Houve relatos de casos internos e administrativos, com explicações sobre acontecimentos recentes. Um deles foi a determinação do governo estadual para a contratação de 107 profissionais (médicos e enfermeiros) para reforço ao Hospital do Mandaqui, que efetivamente contará com esse procedimento em um mês – já que há processo burocrático e seletivo para acertos de contratação.

Através do Dr. Paulo, do Setor de Pediatria Infantil,  foi esclarecido que há somente dois médicos para o atendimento. E um assunto mais de impacto e “de surpresa” foi a presença de um morador da região que relatou detalhadamente o mau atendimento e “omissão de socorro” por um médico do Hospital do Mandaqui, em fevereiro passado, com a consequência da morte do filho de 32 anos. Ele explicou que o caso será  levado “às últimas consequências” juridicamente e nos processos profissionais, até junto ao Conselho Regional de Medicina de São Paulo – Cremesp. A Dra. Magali e representantes do hospital tomaram conhecimento e levarão o caso internamente ao Conselho Ético e de Disciplina. Logo em seguida, um outro convidado à reunião revelou rapidamente, sem entrar em detalhes – mas que aconteceu com um filho –, que é o segundo “erro médico” em três meses deste ano.

Houve outros assuntos de esclarecimentos e, depois de uma hora e meia, a reunião foi finalizada. O retorno na próxima reunião em 25 de abril – na última 4ª.feira do mês.


CARTA ABERTA À POPULAÇÃO DO SINDICATO DOS MÉDICOS DE SÃO PAULO:

“Nós, médicos, enfermeiros e demais profissionais do Conjunto Hospitalar do Mandaqui, estamos enfrentando em nosso dia a dia a falta de crônica de profissionais, o que colocar os pacientes em risco e sobrecarga os profissionais que ainda atuam no local.

O Mandaqui é o maior hospital da Zona Norte de São Paulo, realiza 13 mil atendimentos por mês e conta com cerca de 500 médicos. Ele é referência para politraumatizados e conta com equipes de saúde altamente especializados nas áreas de neurocirurgia, ortopedia cirúrgica plástica, urologia, cirurgia torácica, vascular, buco maxilo e cirurgia geral.

Além disso, muitos residentes são formados anualmente pelo hospital, contribuindo com novos especialistas para atuarem no Sistema Único de Saúde (SUS). A falta de profissionais coloca tudo isso em risco. Não podemos deixar que uma má política de recursos humanos destrua nosso hospital.

A falta de profissionais é grave, pois deixa a população desassistida. O governador Geraldo Alckmin também é responsável pelo caos que se instaurou no Mandaqui e precisa resolver a situação junto aos gestores do hospital.

Reivindicamos a contratação emergencial de profissionais e que seja chamado concurso público para sanar o problema, para que juntos possamos oferecer assistência à saúde com qualidade para a população” – Médicos e médicas em defesa do Hospital do Mandaqui.


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