por Conceição Lourenço (*)

Só quem sabe é que sabe o que é isto. Correções de última hora, foto que desaparece, matéria ou repórter que não chegam, mudanças de texto, a atriz da capa quer ler a matéria antes de ir pra gráfica, alguém passa mal na redação, dá pane no telefone.

De tudo, TUDO, pode acontecer num fechamento. Principalmente trabalhar 12 ou 14 horas por dia, colada ao computador e telefone, negociando prazos e desenhando páginas, sem se alimentar direito.

Já passava de 2 horas da manhã quando deu-se uma trégua e fomos embora, claro, pra recomeçar tudo no dia seguinte. Fomos ao estacionamento pra pegar os carro e dirigir por 25 minutos até a casa.

Cris é uma mulher bem jovem, mas uma  profissional exemplar. Bem nascida, educação rara, fala pouco e baixo. No meio da confusão e gritaria de uma redação à noite a gente não ouve ela falar. Discreta (mas vê tudo, tem olhos grandes), muito observadora, equilibrada.

Quando todas estão suando e ficando feias, tá lá Cristina com todo frescor, sem brilho de suor. O máximo é prender os cabelos loiros pra cima. Uma pessoa  que passa confiança. Incapaz de responder mal e muito bem humorada. Ela é chique, sem ser soberba. Tem um toque aristocrático com leveza e simplicidade. Tipo: nasceu pra ser rica.

Desceu a rampa do estacionamento para apanhar o carro. Devido ao adiantado da hora, poucos carros estavam ali. Dirigiu-se ao seu, acompanhada de uma amiga da redação (eu), que também iria apanhar o carro. Quando chegou no seu Gol maravilhoso, limpinho bem tratadinho deu uma grito de horror: “Vocês amassaram meu carro!” .

Os manobristas vieram correndo. Eram 3, muito parecidos, moreninhos assustados, pareciam trigêmeos e ficaram calados enquanto ela, na sua razão, desabafava. “Poxa vida, a gente confia em vocês olha o estado do meu carro”.

O capô do carro tava um caco, acho que bateu de frente, amassou bem. Havia pouco tempo que ela comprara o carro. Por causa da personalidade dela, até a bronca  tava educada, mas ela não parava de falar, falar, reclamar, cobrar, exigir.

Os rapazes assustados não falavam nada, nada. Até que um teve coragem, arrumou uma brecha na bronca e disse: “Mas… moça, o gol da senhora não é aquele outro ali?”, sim, claro que era. O dela estava inteiro e intacto como ela o deixou. Apenas a marca, o modelo e cor eram iguais… Até eu fiquei com vergonha!!!


 

(*) Conceição Lourenço — jornalista há 35 anos. Passou por diversas redações e segmentos: Revista Exame, Infantis, Diário de São Paulo, Revista Bárbara, Uma, Chiques&Famosos, Ti-ti-ti. Dirigiu a Revista Raça Brasil. Fundadora da Cal Assessoria de Imprensa. Hoje é Assessora Executiva de Comunicação na Prefeitura Regional do Pirituba/Jaraguá.  << “Crônicas da Conceição”: às 6ªs. feiras >>


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