O riso foi, é e sempre será um excelente antídoto contra a insanidade e absurdos com os quais nos deparamos na vida. Funciona também como arma de crítica moral a tipos e grupos sociais que, por suas atitudes, são um ótimo alvo de um bom enredo quando direção, atores e produção dialogam perfeitamente.

É na comédia que o princípio “Ridendo Castigat Mores” (corrige os costumes sorrindo) alcançou sua maior expressão, e o melhor exemplo hoje está no espetáculo “Amigas, Pero No Mucho”.

Dirigida por José Possi Neto, após a primeira montagem em 2007, essa nova versão traz consigo atualizações comuns às novas linguagens das redes sociais e mantêm a graça e inteligência que motivou a autora Célia Forte: uma crítica bem humorada a um grupo de “amigas” e socialites que se reúnem numa tarde para desfilar o veneno mútuo, sonhos e frustrações.

Força na peruca! ===  O elenco masculino tem a responsabilidade de ser e representar o universo particular dessas quatro mulheres à beira de um colapso, e a cada minuto, justificam porque foram escolhidos para esse delicioso desafio.

Impressiona a completa entrega dos quatro atores: Elias Andreato, Nilton Bicudo, Jonathas Joba e Leandro Luna. Curiosamente a base para a composição das personagens está nas perucas. Por conta dos figurinos neutros (desenhados pelo diretor), elas se destacam ainda mais e, além de ser a moldura do rosto, auxiliam os intérpretes a encontrarem o corpo, trejeitos, tiques nervosos. Os belíssimos sapatos dão o charme na forma de andar e na feminilidade. Completa a composição o olhar sempre sensível de Vivien Buckup, responsável pela direção de movimento.

Especialmente, os atores Andreato e Nilton utilizam bastante o recurso das perucas e trazem ótimos resultados que ajudam ao público no entendimento da psicologia de cada uma dessas mulheres, além de arrancar mais gargalhadas. Não se pode deixar de destacar igualmente as performances de Joba e Luna, nos improvisos, no canto e na dança, outro ponto alto.

Em nenhum momento vemos em cena atores travestidos que possam esbarrar no exagero. Há um cuidado dos intérpretes e do diretor Possi Neto em fixar essas sutilezas do gesto feminino, interiorizados e levados à expressão do corpo com naturalidade. Outro aspecto decisivo na direção é conseguir extrair o máximo de equilíbrio no encadeamento da trama que desemboca na comicidade.

“Eu sempre me apaixonei por um abdômen” ===  O texto de Célia Forte lida com o universo feminino dessas quatro mulheres que, aparentemente, presas a assuntos e temas banais, revelam suas mágoas, tristezas e inseguranças. Numa rápida análise os diálogos podem parecer fúteis ou pueris, porém, apresentam componentes de crítica contundente ao apresentar a superficialidade das relações que movem essas mulheres em seu grupo social, mas sempre regado com bom humor.

A cenografia de Jean-Pierre Tortil com supervisão cenográfica de Luis Rossi é outro ponto estratégico dessa montagem. A boa ideia de construir estruturas e volumes vazados, além de facilitar as rápidas passagens de cena, o que é importante para uma comédia, permite ainda certo voyeurismo do público em saber como é a vida de cada uma dessas mulheres em sua privacidade. É preciso também citar a criativa poltrona feita com um carrinho de supermercado, na qual a personagem Olívia, em suas idiossincrasias, passa horas se arrumando e ajeitando seu cabelo.

Enquanto a magia perdura, vemos quatro mulheres contando suas desventuras e, afiadas no discurso, se alfinetam até “sangrar o coração” com ótimas tiradas e risos fartos.

(ATENÇÃO: o espetáculo termina sua temporada no Teatro Folha em 27 de agosto e reestreia no Teatro MASP em 2 de setembro até 8 de outubro de 2017).

Ficha Técnica

TEXTO: Célia Forte  –   DIREÇÃO GERAL e FIGURINOS: José Possi Neto 

TRILHA COMPOSTA: Miguel Briamonte — ELENCO: Elias Andreato, Jonathas Joba. Leandro Luna e Nilton Bicudo — PIANO AO VIVO: Rodolfo Schwenger – MÚSICA “Amigas pero para siempre” – dueto (versão livre) Elias Andreato – PARTICIPAÇÃO ESPECIAL: Denise Fraga voz em off – CENÁRIO: Jean-Pierre Tortil / SUPERVISÃO CENOGRÁFICA: Luís Rossi – SAPATOS: Fernando Pires – ILUMINAÇÃO: Wagner Freire – DIREÇÃO DE MOVIMENTO: Vivien Buckup – EXECUÇÃO CENOGRÁFICA: FCR Produções Artísticas – PERUCAS: Adriana Almeida – ASSESSORIA DE IMPRENSA: Daniela Bustos, Beth Gallo e Thaís Peres – Morente Forte Comunicações – PROGRAMAÇÃO VISUAL: Vicka Suarez – FILMAGENS E EDIÇÕES PARA WEB: Jady Forte – Desteatrando – MÍDIAS SOCIAIS: Dani Angelotti e Luciano Angelotti – Cuboweb – FOTOS: João Caldas Fº – COORDENAÇÃO DE PRODUÇÃO: Egberto Simões –  PRODUÇÃO EXECUTIVA: Martha Lozano — ASSISTENCIA DE PRODUÇÃO: Bárbara Santos e Jady Forte ASSISTENCIA ADMINISTRATIVA: Alcení Braz – ADMINISTRAÇÃO: Danilo Bustos  –  PRODUTORA: Selma Morente — REALIZAÇÃO: Morente Forte Produções Teatrais


SERVIÇO:

Amigas, Pero No Mucho

Onde: Teatro Folha

Shopping Pátio Higienópolis – Av. Higienópolis, 618 / Terraço – Inf. :ações: (11) 3823-2323

Quando: de 01 de julho a 27 de agosto 2017

Horários: Sexta às 21h30 / Sábado e Domingo às 20h

Duração: 80 minutos – Classificação: 14 anos – Lotação: 305 lugares

Ingressos:

Sexta: R$60 (setor 1) e R$50 (setor 2) / Sábado e Domingo: R$70 (setor 1)  e                        R$60 (setor 2)

Vendas: (11) 3823.2423 / 3823.2737 www.teatrofolha.com.br

Venda de espetáculos para grupos e escolas: (11) 3104-4885

Bilheteria: de terça a quinta, das 15h às 21h; sexta, das 15h às 00h; sábado, das 12h às 00h; e domingo, das 12h às 19h | Estacionamento do Shop: R$ 14 (primeiras duas horas). Não aceita cheques / Aceita os cartões de crédito: todos da Mastercard, Redecard, Visa, Visa Electron e Amex / 50% desconto para Clube Folha e funcionários e clientes do Cartão Renner.


 

(*) AGUINALDO GABARRÃO –  ator e dramaturgo. Iniciou em 1989 sua trajetória no teatro com o espetáculo “Halloween, o dia das bruxas”, do dramaturgo Nery Gomide. Trabalhou com diretores de diferentes estilos e gerações: Jayme Compri, Hamilton Saraiva, Fabio Caniatto e Antônio Abujamra entre outros. Atua também em treinamento corporativo, usando o teatro como ferramenta didática em sala de aula. Das peças que escreveu, atualmente está em cartaz com “Cândido, uma Poética Espiritual”.

 

Nota da Redação: As críticas publicadas neste espaço são de inteira responsabilidade de seus autores. As opiniões nelas emitidas não exprimem, necessariamente, o ponto de vista do “DiárioZonaNorte” e nem de sua direção.


 

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