Quase 40 anos de atividades e ainda hoje, em parte, localizada na Vila Guilherme (Zona Norte/Nordeste). A Rua Coronel Marques Ribeiro – atrás do Expo Center Norte –, onde já foi vizinho dos Studios do Silvio Santos (Canal 4) e da Cidade Center Norte, tornou-se sinônimo de Braspress e ponto de localização.

A empresa foi se  mudando, aos poucos, e no momento opera com pequena parte de caminhões e os setores administrativos ainda na Vila Guilherme – a previsão é de mudança total até  janeiro de 2017. Na Zona Norte/Nordeste, ela chegou em 1999 – há 17 anos – e somente comprou o prédio em 2005 – seis anos após. O restante já está em novo endereço no Km 217,8 da Rodovia Presidente Dutra, onde funcionou a sede da Viação Itapemirim, em Guarulhos (*).

O negócio começou a ser debatido no meio do ano de 2014 – e as expectativas eram para inauguração em fevereiro de 2016, o que pode ocorrer até o final deste ano ou em 2017 nos 40 anos da empresa. Novo endereço com um investimento de mais de R$260 milhões, sendo R$ 130 milhões do caixa da Braspress e o restante de um endividamento mais para a frente – só terreno na faixa de R$150 milhões.

SURGE O “PLANETA AZUL” ===    “É com muita satisfação que estamos concluindo um mega investimento em São Paulo em nossa nova sede, o ‘Planeta Azul’, uma área total de 230 mil metros quadrados de terreno e 90 mil metros quadrados de construção às margens da Rodovia Presidente Dutra, em Guarulhos, na região metropolitana da Grande São Paulo”, anuncia o seu diretor-presidente do Grupo H&P, Urubatan Helou, de 66 anos de idade.   E aí, observa ele, ao comentar: “ Apesar de todas as dificuldades inerentes aos últimos anos de um governo ideológico, com um novo governo de mentalidade mais cosmopolita e liberal, a economia brasileira começa a mostrar tímidos sinais de recuperação, permitindo às classes produtoras a crença de sermos um país de empreendedores. Agora, toda a sociedade brasileira precisa olhar para o mesmo ponto e focar na construção de um país melhor”.

O NASCIMENTO DE UMA EMPRESA ===   Com orgulho de um novo e grande passo da Braspress – que se diversificou em seis empresas e se modernizou em logística terrestre e aérea (Aeropress – inaugurada em 1985)–, Urubatan Helou olha para trás, nos quase 40 anos de sua empresa, fundada junto com o segundo sócio Milton Domingues Petri – que está com ele até hoje — , e relembra o quanto foi difícil sua trajetória, mas gratificante como empresário de sucesso.

Chegado em 1972, oriundo da cidade mineira de Uberlândia, já abraçou o trabalho em uma empresa de entrega de Diários Oficiais na cidade de São Paulo. No ano seguinte, deixou essa empresa para pedalar com o seu próprio triciclo (comprado com as economias e extras) e ganhou as ruas do centro da capital paulista o seu primeiro trabalho independente.Pedalava pelas ruas atrás da Santa Ifigênia, carregando no seu triciclo latas e latas de filmes de pornochanchadas (o peso era cerca de 25 quilos cada – e, às vezes, chegava-se no total de 400 quilos) , e as despachava na antiga Rodoviária da Luz – percorria o trajeto até cinco vezes e chegava no final do dia à marca de 50 quilômetros.

EM BUSCA DE MAIS MERCADO ===    Era o início de sua trilha na área de transporte, um começo do nada. E tornou-se o sonho para a compra de uma Kombi usada, que antecedeu o primeiro caminhão de transporte, nesta etapa já com o seu primeiro sócio. Mas a Kombi foi também para o novo lance de Helou: conquistar o mercado do Rio de Janeiro com a entrega direta das latas de filmes – dividindo o filão do transporte das companhias de ônibus.

Mas não era vantajoso voltar os 400 quilômetros com a Kombi vazia. Era prejuízo. Num lance de oportunidade, conseguiu que a dubladora Herbert Richards fechasse acordo para enviar os seus filmes mais rapidamente e com maior segurança para São Paulo. Um grande negócio. O primeiro nome da empresa surgiu naquela época: Transfilmes.

SURGE A BRASPRESS E DIFICULDADES ===   Surgiu um novo mercado: Belo Horizonte. Mas, na mesma época, Helou desistiu da Transfilmes e deixou a sociedade. Ficou com um caminhão, a Kombi, duas linhas telefônicas e seis promissórias – só uma foi paga. Abriu um escritório e foi trabalhar sozinho.

O nome Braspress surgiu aí, já com o até hoje sócio Milton Domingues Petri – e sua fundação oficial em 1º de julho de 1977.

E foram buscar novos clientes e caminhos para a empresa. Houve muitos altos e baixos nas estradas da economia brasileira, enfrentou tempestades, compra de veículos financiados com operações de juros altos, atrasos de pagamentos a fornecedores e até com os salários atrasados de funcionários. Foram momentos terríveis para a empresa, que foi sobrevivendo aos várias etapas e planos da economia. Mas não quebrou.

 
NOVAS DIFICULDADES ===     
Passadas as dificuldades, os ajustes e a empresa foi crescendo. Tornou-se quatro empresas que foram reunidos no Grupo H&P (iniciais dos sobrenomes Helou e Petri, os sócios da Braspress), que controlava os setores rodoviário, aéreo e marítimo. E chegou a ter 1,2 mil funcionários e 28 filiais pelo Brasil. Empréstimos bancários e no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social – o BNDES – e nova crise na economia empurraram novos problemas para a empresa.
 Teve que fechar as novas oportunidades e reduzir somente para a Braspress, ficando com apenas 390 funcionários e seis filiais. Foram novos anos terríveis de dificuldades e até enfrentando greve de funcionários. Helou segurou tudo que pode naquela época e apostou em um bom tempo, que chegou com o Plano Real e estabilidade econômica. Novamente não quebrou.
CRESCIMENTO E MODERNIDADE ===   Ninguém imaginava, era o começo de uma das maiores empresas do setor (acaba de ganhar o prêmio da “Revista Época Negócios” como a melhor entre as 300 melhores do País) e tem um dos mais avançados centros tecnológicos de distribuição da América Latina e do hemisfério sul. Mostra-se uma empresa na vanguarda da excelência em transportes de encomendas.
Só o novo Sistema Automatizado de Distribuição de Encomendas – conhecido como SORTER –, que já está integrado ao novo endereço de Guarulhos, tem uma extensão de 6.400 metros e capacidade de 15 mil volumes por hora – que é o dobro da capacidade do antigo instalado na Vila Guilherme – e que agora será levado para a filial de Curitiba.
 O novo SORTER teve acertos de contrato de R$43 milhões com a Vanderlande Industrie, da Holanda, que foi instalado em Guarulhos.
O “PLANETA AZUL” ==   Localizada em ponto estratégico, na Via Dutra, uma das principais saídas para o interior do Vale Paraíba e Rio de Janeiro, além da proximidade do Aeroporto Internacional de Guarulhos e do Rodoanel -Norte, a Braspress já está operando no local apelidado de “Planeta Azul” por causa de sua imensidão e estrutura. Lá já está o maior Hub Logístico do Brasil incluindo o SORTER.
RESPONSABILIDADE E TODOS OS CUIDADOS ===  Na foto que publicamos nota-se a dimensão do “Planeta Azul” e os seus prédios. E neste local estão os novos serviços da Divisão Farma para atender ao setor farmacêutico – dentro das normas de transporte da Agencia Nacional de Vigilância Sanitária – Anvisa.
A BTI-Braspress Internacional com uma frota especial para atender as operações no Mercosul, abrindo o comércio com Argentina, Paraguai, Chile e Uruguai. O que consolida a dinâmica de operações da Braspress agregando a Inter-Nordeste, da Aeropress Personnalité, e do E-Commerce B2C. Na área de pessoal, a preocupação de manter o nível e o comportamento profissional de seus motoristas de cargas.
Além de treinamento e palestras, a empresa produziu um vídeo de nove minutos apresentando os cuidados que a Braspress tem com esses profissionais. Tudo é observado com a triagem até a hora do descanso. Antes de seguir viagem, o motorista passa por uma avaliação de peso, altura, temperatura, pressão arterial e nível de álcool no organismo (teste do bafômetro), além de exames de glicemia e toxicológicos. Caso seja detectado algum problema de saúde, ele é encaminhado ao médico especialista para tratamento.
O FUTURO É O PRESENTE ===  A Braspress opera hoje com uma frota própria de mais de 1.850 veículos. As operações envolvem ainda 1.600 veículos agregados e 5.994 colaboradores distribuídos em 106 filiais em todo o território nacional. Anualmente, os caminhões da empresa rodam cerca de 96 milhões de quilômetros, consumindo cerca de 20 milhões de litros de combustíveis.

A cada mês emite 1.050.000 despachos em média, o que significa realizar cerca de 18 mil coletas/dia e 60 mil entregas/dia.

A Rua Coronel Marques Ribeiro, na Vila Guilherme, passa a ser a referência “onde era a Braspress” à espera de alguma novidade da utilização do terreno. Enquanto isto, os caminhões do azul Royal marcante e no logo laranja continua circulando pelas ruas e estradas. E fica a aposta de qual o novo lance de Urabatan Helou para o mercado de transporte de cargas, no endereço novo de Guarulhos.

Informações extras:

(*) A Viação Itapemirim entrou em crise e encerrou atividades no transporte de cargas. Em 2008 vendeu o mesmo terreno de Guarulhos para um fundo inglês de private equity, que o revendeu para a Igreja Mundial do Poder de Deus, do pastor Valdomiro Santiago. Em janeiro de 2012, o pastor convocou os fiéis para um pré inauguração do Templo de Deus, o que ocasionou o maior congestionamento até interrompendo as vias Dutra, Ayrton Senna e Hélio Smidt. Houve também problemas com o alvará da Prefeitura de Guarulhos que liberou o local para 30 mil pessoas e a convocação atingiu 2 milhões de pessoas. E para fechar a situação: a Igreja não honrou o compromisso de compra do local. O fundo inglês retomou o terreno e, mais tarde, fechou negócio com a Braspress.
(*) O Grupo H&P – Braspress é dona da BR Editora, que publica e imprime a revista trimestral “Braspress News”, com uma tiragem de 45 mil exemplares, em papel couche e cores. Circula em todo o Brasil através das filiais da Braspress e comercializa suas páginas com publicidade.
 (*) O nome escolhido para a empresa era Brasil Express, mas o nome já estava registrado pelo Sadia/Transbrasil. Urubatan Helou resolveu rapidamente fazendo uma junção de parte dos dois nomes e surgiu Braspress. Ele achou que até ficou melhor em única palavra com melhor som e pronúncia.
(*) Além do centro da cidade, a Braspress teve um segundo escritório no Pacaembu, em 1987, e depois caminhou para o terreno onde ficou por nestes 17 anos, na Vila Guilherme (Zona Norte/Nordeste). Ainda não há informações oficiais sobre o destino do terreno da Vila Guilherme, se será aproveitado como terminal intermediário da própria Braspress ou se será vendido.
(*) A Braspress criou em 1996 a primeira campanha de responsabilidade social. Nas carrocerias de seus caminhões, a empresa estampava três ou quatro fotos grandes de crianças desaparecidas – que circulavam na cidade, nas estradas e em muitas cidades do interior/estados. Teve ainda várias outras campanhas e ajuda em desastres no Brasil e exterior.
 (*) Os cuidados com a segurança dos motoristas e a melhoria nos seus treinamentos são princípios básicos da Braspress. Ela foi a primeira empresa no setor que abriu a oportunidade da mulheres como motoristas de caminhão. Em quase todas as filiais da empresa há presença de motoristas do sexo feminino.
(*) Dos 1.213 funcionários da Braspress, que já ocupam as novas instalações, cerca de 40% são habitantes de Guarulhos. Quando a empresa se transferir em definitivo serão de 1.800 a 2 mil funcionários.
(*) O diretor-presidente da Braspress, Urubatan Helou, é torcedor do Santos F.C., mas hoje não pratica mais futeboi e vôlei que jogou por longo período. Já foi piloto de kart, onde corria no kartódromo de Interlagos. E hoje é um motociclista viajando nos finais de semana pelo interior e outras cidades – além de ter explorado muitas cidades e países da América.
(*) Juliana Petri – filha do sócio Milton Domingues Petri – e seus filhos Tayguara Helou (mais novo) e Urubatan Helou Júnior, já são diretores no Grupo H&P e despontam naturalmente na sucessão das empresas.
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