Como já é tradição, a Mostra de Talentos do Centro de Referência do Idoso – CRI-Norte, em sua 15ª edição, trouxe variadas apresentações artísticas, seguidas da Feira de Artesanato, e atraiu muita gente ao auditório do CRI-Norte, em geral filhos e parentes dos participantes. Na programação, dança sênior, de salão, teatro, coral e flauta.

A animação nos bastidores esteve por conta do Grupo Criando Arte, do qual fazem parte treze mulheres que frequentam o Centro do Idoso, algumas desde a inauguração, em 2005. Enquanto aguarda o momento da encenação da peça “O sol”, Itair D’Oliveira, de 78 anos, conta o que a levou ao CRI: “Descobri o teatro recentemente e tem sido uma válvula de escape no meu caso, depois de tantos AVCs (acidente vascular cerebral), porque me obriga a decorar falas, a dançar, a me exercitar enfim. Minha vida mudou radicalmente quando comecei a frequentar este espaço, minha alegria de viver voltou, aos poucos, aprendi crochê, tricô e a fabricar bolsas. Antes do teatro, integrei o canto coral e a dança sênior, isso sem contar o tempo em que desfilei na ala das baianas de seis escolas de samba de São Paulo”.

Na peça, que remete ao momento político dos anos 1960, com manifestações pipocando pelas ruas e confrontos de estudantes e militares, ela vive uma operária à frente de uma greve. Lembra que no ano passado interpretou uma tigresa de bengala e revela que “é muito prazeroso interpretar personagens tão diferentes”.

Terapia – Frequentadora de carteirinha do CRI desde a sua inauguração, Itair atua como voluntária, dando aulas de tricô e crochê. Mas o que mais aprecia é mesmo o trabalho no grupo de teatro. Ao seu lado, preocupada com o figurino que vai usar, a colega Hilda Moreira dos Santos, aos 79 anos, sentencia: “Isto é terapia ocupacional”. Moradora de Lauzane, casada, com filhos, netos e bisnetos, vai de ônibus até o local. “Não consigo me imaginar longe do CRI, é a salvação da minha vida”. Frequenta o Centro de Convivência há 11 anos, “sem nunca ter faltado”.

Aposentada recentemente, Devanir Almeida Ferreira, aos 69 anos, conta que recebeu indicação de procurar o CRI para sessões de fisioterapia. Ela mora em Pirituba, precisa tomar de três a quatro ônibus para chegar ao local. “Distância, ônibus, nada disso é problema para mim. Me apaixonei pelo CRI desde o primeiro dia. Aqui fiz amigos, já participei do grupo de dança do ventre, computação, ginástica e abdominal e fiz várias viagens, uma das atividades de que mais gosto”. Devanir, chamada de Diva, lembra do apoio da família. “Vieram me prestigiar hoje, querem ver se fico bem na fita”. Na peça, ela interpreta um policial, no encalço dos revoltosos.

No palco, por vezes o grupo provoca risos. Por vezes, sente-se a inquietação da plateia, com tema de uma época obscura, sensação ampliada pelas vozes de Caetano Veloso, Chico Buarque, Elis Regina, Geraldo Vandré, com os clássicos da época Alegria, alegria, A Banda, Apesar de você, Roda viva e Cálice. O espetáculo teve ainda a participação especial do Mariama Canta, grupo de pessoas idosas formado em São Paulo para a valorização e preservação da cultura afro-brasileira.

Dois dias foram dedicados à Feira de Artesanato. É a exposição das Oficinas Manuais e de Geração de Renda com produtos confeccionados pelos idosos aprendizes, com técnicas variadas de artesanato, como macramê, tear, bordado em pedraria, origami, corte e costura, pintura em tecido, bijuteria, sacolas sustentáveis, bonecas de pano, esculturas e outras técnicas que tiveram cursos durante o primeiro semestre do ano.

Participação especial – Nelly e Mário Garcia, casados há 66 anos, vestiram azul (e verde nos sapatos) para o número de dança. Aos 86 e 90 anos, já estão acostumados aos mais variados ritmos – bolero, milonga, gafieira – desde que se conheceram ainda na adolescência. “Eu tinha 15 anos quando engatamos namoro e dança”, comenta Nelly. “Não paramos mais, e hoje vamos dançar Tango pra Tereza e o bolero Besame mucho”. Nascidos no bairro de Santana, os dois reservam sempre um lugar na agenda para participar da Mostra de Talentos. Quando não estão se apresentando em programas de televisão ou outros eventos artísticos, também se dedicam às oficinas realizadas no Centro de Convivência. Nelly prefere trabalhos manuais, tricô e crochê e confecção de bonecas, enquanto o marido faz aula de espanhol. “Impossível ser do bairro e não participar das atividades oferecidas pelo CRI”, diz Nelly, enquanto se despede, às pressas, do público para a nova apresentação que virá em seguida.

Segundo Lissa Lansky Ribeiro, líder do Centro de Convivência do CRI Norte, o espaço recebe, em média, 1,5 a 2 mil pessoas por semana em busca de cursos e demais atividades, interessadas em ginástica, ioga, dança de salão, lian gong (ginástica chinesa), enquanto uma equipe de 10 pessoas, mais 101 voluntários idosos trabalham na condução das oficinas. “Existe muito interesse por crochê e tricô, mas a procura maior é por informática, espanhol e inglês. Temos relatos de pessoas que fazem viagens internacionais e se saem muito bem, graças ao aprendizado de línguas feito aqui”. << Com apoio de informações/fonte: Imprensa Oficial – Conteúdo Editorial / Governo de SP – Repórter: Maria das Graças Leocadio == Fotos: Gestor de Comunicação-CRI-Norte >>

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