A Prefeitura de São Paulo e o  Ministério da Defesa  chegaram a um acordo para transformar parte da área do Campo de Marte em um parque, após reunião entre  o prefeito João Dória Júnior (PSDB) e o  ministro da Defesa  Raul Jungman , na sede da prefeitura  da cidade na 6ª feira (21/07).   De acordo com a prefeitura, os detalhes do projeto serão anunciados no dia 7 de agosto, dois dias depois da disputa judicial com a União completar 78 anos.

Participaram da reunião  vice-prefeito e secretário das Prefeituras Regionais, Bruno Covas; secretários Júlio Semeghini (Governo);  Fábio Santos (Comunicação); Heloisa Proença (Urbanismo e Licenciamento); Gilberto Natalini (Verde e Meio Ambiente);  José Roberto Oliveira (Segurança Urbana ); Ricardo Ferrari (Procurador Geral do Município); Brigadeiro Marcelo Damasceno (chefe do Gabinete do Comando da Aeronáutica) e  autoridades graduadas da aeronáutica em São Paulo.

O projeto === O projeto será executado em duas fases. Na primeira delas,   401 mil metros quadrados serão  destinados para a implantação do parque, que será o terceiro maior da cidade e ficara na área que é de jurisdição da Prefeitura Regional Casa Verde/Cachoeirinha/Limão – que faz fronteira com o bairro de Santana.

O espaço corresponde a 20% da área total do Campo de Marte e atualmente não tem uso público. Segundo o projeto, também deverá ser instalado um museu aeroespacial no local. O ministério e a prefeitura não informaram contudo se o aeroporto que funciona no local será afetado pela construção do parque.

Quinto maior aeroporto do Brasil === Pergunte para qualquer paulistano sobre aeroportos e de imediato você vai ouvir Guarulhos, Congonhas e Viracopos. Quem passa pelas Avenidas Santos Dumont ou Olavo Fontoura, não imagina que está diante do quinto aeroporto do Brasil, mesmo sem receber linhas comercias regulares e voltado exclusivamente para aviação executiva e militar. Em movimento operacional, fica atrás apenas de Congonhas, Guarulhos e Brasília.

Pois é, a maioria dos paulistanos é incapaz de avaliar o que o Campo de Marte representa para a cidade. Tem uma localização privilegiada. Fica na Zona Norte da capital paulista, próximo ao Terminal Rodoviário Tietê, à Estação Carandiru do Metrô e à Marginal do Tietê, via de acesso às rodovias estaduais e interestaduais.

Enquanto o Campo de Marte conecta a cidade de São Paulo a mais de mil cidades brasileiras, a aviação comercial voa a 140 destinos. Segundo a Infraero, o aeroporto opera com aviação executiva, táxi aéreo e escolas de pilotagem e abriga a maior frota de helicópteros do país.  O equipamento movimenta anualmente uma média de 125 mil passageiros e 71 mil voos.  Mais da metade dessas operações foram realizadas por helicópteros.

Estrutura === O Campo de Marte tem uma área aproximada de 2,1 milhões de m² (quase dois parques do Ibirapuera) e é um aeroporto compartilhado, ou seja, uma parte da área física 1,13 milhão de m² é administrada pelo Comando da Aeronáutica, por meio do Parque de Materiais Aeronáuticos de São Paulo (PAMA-SP), do Núcleo do Hospital da Força Aérea de São Paulo (NUhFASP), do Centro de Logística da Aeronáutica (CELOG), da Subdiretoria de Abastecimento (SDAB) e da Prefeitura da Aeronáutica (PASP), além dos prédios residenciais de uso dos servidores da Aeronáutica baseados no local.

Já a Infraero administra desde 1979, uma área total de cerca de 975 mil m², que conta com 23 hangares com salas de embarque próprias para a aviação executiva e 34 concessionários, além da pista de 1.600 metros, com recuo de 450 metros e um heliponto. O pátio de aeronaves possui 12.420 m², o que possibilita 22 posições de estacionamento.

Quase um século de serviços  ====   O Campo de Marte passou a operar como aeródromo a partir de 1920 (completou 96 anos em julho), com a instalação da Escola de Pilotos da Força Pública de São Paulo. Entre 1925 e 1930 os aviões da Força Pública de São Paulo baseados em Marte, abriram dezenas de rotas aéreas, condicionando a instalação de vários aeródromos pelo interior de São Paulo, Mato Grosso, Paraná e Goiás.

São Paulo contra Getúlio Vargas  ====   Durante a Revolução Constitucionalista de 1932, o aeroporto foi bombardeado por Forças Getulistas, pois ali se formavam os pilotos da Força Militar (Estadual) que se opunha a Getúlio Vargas. Chamamos a atenção de nossos leitores: a cidade de São Paulo, ao contrário de outras cidades brasileiras, não tem nem um só monumento, rua, praça ou edifício público importante com o nome do estadista.

No ano de 1933 recebeu a VASP – Viação Aérea do Estado de São Paulo, voltada aos serviços de transporte de passageiros e mala postal. Só alguns anos depois, a empresa seria estatizada.

Surge o  PAMA ===   Em 1936, foi iniciada a instalação das oficinas de manutenção de motores e aviões, que deram origem ao Parque de Material Aeronáutico (PAMA), após a criação do Ministério da Aeronáutica.

Formação de Pilotos Civis  ====  O Campo de Marte abrigou diversas escolas de aviação particulares, sendo a mais importante de todas, o Aeroclube de São Paulo, fundada em 1931, como órgão de utilidade pública que acabou por transformar-se no maior centro de formação de pilotos civis da América Latina. Também estão hangarados no aeroporto o Serviço Aerotático das Polícias Civil e Militar.

Uma longa batalha judicial ===   Há exatos 78 anos, o município de São Paulo tenta retomar a área do Campo de Marte, na esfera jurídica. O ofício de n. 270, datado de 05/08/1939, do então prefeito Prestes Maia, apelava para o Interventor Adhemar de Barros, junto ao Ministério da Guerra a devolução do Campo de Marte ao Município de São Paulo. De lá para cá, vários prefeitos tentaram, em vão. Enquanto isso, a Aeronáutica ampliava seus domínios.

Em 2008, o Supremo Tribunal Federal deu razão à Prefeitura de São Paulo, na disputa pela área e  determinou a devolução à municipalidade de todas as áreas não usadas para a aviação e defesa. A União recorreu e o processo hoje espera uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF).

Plano Diretor e a retirada dos aviões   ===  Na gestão Fernando Haddad (PT) a ideia era,  de acordo com o Plano Diretor,  retirar os aviões do campo de Marte, para que ele receba apenas pousos e decolagens de helicóptero, ampliando a possibilidade de construção de prédios maiores na região, proporcionando crescimento e novos investimentos da iniciativa privada. Na época, a expectativa do prefeito era de ter de volta entre 200 a 500 mil m².    Para desativar o Campo de Marte, o prefeito Fernando Haddad sugeriu  na época a viabilização, por parte do Governo Federal, de projetos de aeroportos na Grande São Paulo que teriam como função absorver a demanda da aviação executiva.

Novos aeroportos não sairam do papel === O detalhe é que esses projetos não saíram do papel e só dois são oficiais (com seus projetos protocolados na Secretaria de Aviação Civil). Um em Embu-Guaçu (com o pomposo nome de Aeródromo Privado Rodoanel), perto do trecho sul do Rodoanel. O outro projeto, é o Catarina Aeroporto Executivo em São Roque (70 km da capital), empreendimento da construtora JHSF, que está sendo investigada pela Polícia Federal – na Operação Acrônimo – por suspeita de ter pago propina para conseguir liberação de financiamento do BNDES para o projeto.

 

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