da Redação DiárioZonaNorte

=== Como nos dois últimos anos, a Av. Luiz Dumont Villares (há mais de 30 anos conhecida como Av. Nova), que faz a divisa dos Distritos de Vila Guilherme e Tucuruvi/Parada Inglesa  – nas jurisdições de duas Prefeituras Regionais – é propícia para movimentos de concentrações de jovens, na época do Carnaval.  E, desde o começo do ano, havia um movimento nas mídias sociais convocando os interessados para um evento batizado de “Carnaval na Avenida Nova #Chama” – previsto para o sábado (10/02), domingo (11/02), 2ª feira (12/02) e 3ª feira (13/02), criado por um perfil  no  Facebook.   A participação no “evento” indicava a concentração de pelo menos  22 mil interessados e 7 mil pessoas confirmadas.

O caos ==== Neste sábado (10/02/2018), por volta das 15 horas, a concentração de jovens de várias regiões da cidade começou a se formar próximo da Praça Renato  de  Araújo Salgado,  ao lado da Drogaria São Paulo e do Habib´s – agora também com a unidade do Burger King, que fica no Posto Shell, em frente.  Mais de 2 mil pessoas circulavam na região, tomando espaço até da avenida, onde a faixa de ônibus ficou ocupada. – por volta das 21 horas uma pista estava totalmente fechada. Com o movimento de carros, muitos jovens circulavam de um lado ao outro, carregando copos, garrafas com bebidas e  latinhas de cerveja.    No domingo, houve a repetição do caos, devendo ocorrer o mesmo na 2ª e 3ª feira – conforme o evento criado no Facebook.

Comércio preocupado ==== O comércio do local foi bastante prejudicado, os clientes habituais dos bares da avenida desapareceram.  O Habib’s trabalhou com meia porta e controlava o acesso às suas dependências.  A Drogaria São Paulo, dentro do “shoppinho”,  ficou apenas com meia porta aberta para atender os poucos clientes que conseguiam chegar até lá.  O Posto Shell (pertencente à Rede Papa),  teve seu pátio e loja de conveniência invadido por jovens.  O mesmo ocorreu com o Burger King.   O prédio que abriga a Caixa Econômica Federal e a loja da Serasa Experian,  transformou-se em um “camarote” de acordo com publicações de alguns jovens, nas redes sociais.

Mais prejuízos ==== A feira itinerante gastronômica localizada na Praça Renato de Araújo Salgado foi bastante prejudicada — apesar de autorizada, não deve ter sido alertada do que poderia ocorrer com a invasão, o que demonstra falta de organização e controle.   Sua área foi tomada pelos jovens e muitos dos expositores encerraram suas atividades mais cedo, depois de um início de tumulto.  Na calçada da praça, ambulantes vendiam bebidas de qualidade duvidosa e “barata” para qualquer um, independente da idade.   Na manhã seguinte, neste domingo, o saldo foi uma grande área impregnada com cheiro de urina e muito lixo (garrafas quebradas, latas vazias e copos descartáveis, entre outros)

Lembramos que, para um  evento  ser autorizado pela Prefeitura  e suas Regionais  – seja de Carnaval ou não, evento grande ou pequeno –  ele precisa   ter infraestrutura e um responsável (pessoa física ou jurídica).  São exigidos banheiros químicos em quantidade suficiente para atender todos os frequentadores do evento, ambulâncias e equipes de médicos e bombeiros civis  de plantão. E a qualidade do que é vendido segue normas da Vigilância Sanitária e existe horário para começar e terminar, procurando causar o menor transtorno possível para o entorno — dentro de todas as normas e leis.  A  Polícia Militar, Guarda Civil Metropolitana e Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) são avisados, participam do planejamento e  acompanham o evento.  O organizador  para ter seu evento autorizado, recolhe todas as taxas estipuladas pela Prefeitura e CET.

Muita preocupação ==== Os moradores no entorno estão preocupados com a repetição dos graves problemas causados por esse tipo de aglomeração descontrolada. A redação do DiárioZonaNorte recebeu várias mensagens de moradores e comerciantes do lugar –  muito claras e com várias informações que teriam sido, inclusive, encaminhadas com muita antecedência aos fatos  aos  representantes  do governo local –, pedindo  providências das autoridades da região.

Direito de falar ==== O DiárioZonaNorte reproduz abaixo os comentários de dois moradores (e leitores) que deram autorizações para publicar – e pediram para ter suas identidades preservadas.  E, por volta das 19h30, junto com fotos que nos foram encaminhadas por outros moradores, retransmitimos por meio do aplicativo WhatsApp  ao Prefeito Regional de Vila Maria/Vila Guilherme/Vila Medeiros, Sr. Dário José Barreto; e à Prefeita Regional de Santana/Tucuruvi/Mandaqui, Dra. Rosmary Corrêa – já que há citações às suas regiões ––  no ano passado, já em sua gestão, houve o mesmo acontecimento com intervenção policial.

Ao mesmo tempo, o DiárioZonaNorte encaminhou o mesmo caso e mensagens aos presidentes dos Conselhos Comunitários de Segurança – CONSEGs da região do Tucuruvi/Parada Inglesa (comandada pelo Sr. Antonio Henrique Fernandes) e da Vila Guilherme (com o Sr. José Maria da Rocha) – já que o local é bem na divisa dos dois distritos. Como aconteceu com outras mensagens, dirigidas aos prefeitos regionais, as mensagens aos CONSEGs foram encaminhadas pelo WhatsApp, com confirmações de recebimentos.

Abaixo, as mensagens dos dois moradores – que refletem a preocupação de outros em mensagens através do Facebook:

Primeira mensagem:

“ Estivemos juntos na mesma época ano passado por conta do problema com o pancadão na mesma região. Esse ano novamente.  Ambos os CONSEGs do Tucuruvi e da Vila Guilherme estavam avisados. As duas prefeituras regionais também!!! Os batalhões de Polícia Militar também e novamente ninguém fez nada… A Polícia Civil já estava com todo o dossiê do que iria acontecer, pois estão marcando há meses essa baderna…

E para resolver isso precisa de apenas duas viaturas policiais uma do 5º e uma do 9º Batalhão. Nós entregamos em mãos todo o dossiê montado dos últimos anos para os prefeitos regionais e para os comandantes dos batalhões… Eles sabem de tudo. … Tem um inquérito policial desde o ano passado que ainda está sob investigação, pois morreu uma pessoa em frente a Drogasil e nada foi feito. Não temos acesso aos comandantes do 5º e 9º Batalhão… Só  eles conseguem resolver.”

Segunda mensagem:

“Moro na região da Dumont Villares x Rua Paulo de Avelar. A respeito do “bloco não autorizado” que estão fazendo nessa área, quero esclarecer que avisei os dois presidentes dos CONSEGs de Vila Guilherme e de Tucuruvi, no dia 04 de janeiro, a respeito desse evento de funk, disfarçado de “Carnaval”.

Mandei capturas de tela com o evento sendo organizado e ainda fui pessoalmente na reunião do CONSEG de Vila Guilherme, em  17 de janeiro, para avisar desse e outros assuntos. Só não fui no CONSEG do Tucuruvi porque não teve reunião em  janeiro.

Será que estão esperando acontecer um estupro ou lojas depredadas, como no ano passado? Tenho o número do inquérito civil onde se investiga um estupro durante esse evento no ano passado.

Os moradores se mobilizaram, fizemos abaixo assinados, participamos de reuniões nos CONSEGs, vigiamos os eventos no Facebook…  avisamos os dois Consegs (é um área entre dois distritos) com mais de um mês de antecedência e mesmo assim deixaram acontecer. A polícia, que tem de cuidar do Carnaval e dos blocos autorizados; se as subprefeituras não ajudam, são todos pegos de surpresa. Agora, todos lamentamos”.

CONSEG Vila Gustavo responde ==== Por volta das 21 horas, o presidente do CONSEG Vila Gustavo/Tucuruvi, Antonio Henrique Fernandes, encaminhou a seguinte mensagem:  “Acabei de chegar da avenida . Tem muita gente inclusive foi fechada uma via da avenida . Tentei por diversas vezes ligar para o Comandante da 3ª Companhia, sem obter êxito . Esgotados os esforços , então, liguei para o Comandante do Comando de Policiamento de Área – CPA /3 ,  Coronel  Homero . Ele me disse que estaria ligando para o Batalhão . Andei por toda a região e não vi nenhuma viatura da Polícia Militar e nem da Guarda Civil Metropolitana.” . Em seguida, por telefone, ele acrescentou que “não foi convocado para nenhuma reunião nem nas prefeituras regionais e nem nos comandos da Policia Militar” — e ficou sabendo que aconteceram —  e acrescentou que “a prefeita regional disse que estava tudo sob controle e que nada aconteceria no local”.  Fernandes acrescenta que, devido aos acontecimentos dos dois últimos anos,  “deveria ter havido uma segurança preventiva, com carros  da PM posicionados no local, até por uma questão de intimidar aglomerações”.

No aguardo ==== O DiárioZonaNorte deu abertura de espaço e aguardou até 21h30 as notas com respostas das prefeituras regionais e do CONSEG de Vila Guilherme, que não foram respondidas e enviadas à nossa redação. Deixamos em aberto o espaço para as respostas que forem solicitadas.

Lembrando que, no próximo final de semana (dias 17 e 18 de fevereiro) outro evento no Facebook, promovido pelo mesmo grupo e batizado de “Avenida Nova Rave de Fim de Carnaval prt 2”, promete repetir os mesmos problemas.

Veja todas as fotos do tumulto, na fanpage do DiárioZonaNorteaqui 


Nota da Redação === Como “Direito de Resposta”, o presidente do Conselho Comunitário  de Segurança-CONSEG de Vila Guilherme/Jardim São Paulo, José Maria da Rocha, encaminhou à Redação do DiárioZonaNorte, nesta 3ª feira (13/02/2018), às 11h10, a seguinte nota – na íntegra:

“ O assunto foi discutido na Reunião do CONSEG V.Guilherme/Jd S Paulo realizada em Janeiro pp. A Polícia Militar estava de sobreaviso e agiu no momento que foi acionada. Verificada a situação, escalou Plantão Ostensivo na Via, juntamente com GCM e CET. No ano passado foi preciso Tropa de Choque e bombas em dois dias para dispersar as Confusões. Neste ano os problemas foram muito menores e as Polícias certamente irão se aprimorar mais para evitar inclusive os fatos lamentáveis ocorridos neste ano. Ressalta-se que. Prefeitura, neste ano, procurou dar opções mais seguras e divertidas para os Foliões, como pudemos verificar na 23 de maio e nos demais Blocos, o que certamente serviu para aliviar muitos bairros de badernas e deu opções e dignidade também aos que quiseram se divertir.”

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