A Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) aprovou proposta do governo do Estado de São Paulo que permite o uso de celular em sala de aula para fins pedagógicos. Com as mudanças, crianças e jovens dos ensinos Fundamental e Médio poderão utilizar aparelhos em sala de aula em atividades pedagógicas e orientadas por educadores. A proposta foi encaminhada pelo governador Geraldo Alckmin, em 2016, após pedido feito pelo secretário da Educação, José Renato Nalini.

OS CUIDADOS === A educadora Tania Fontolan, diretora geral do Programa Semente, considera que é importante incorporar esses recursos ao processo educativo:  “A escola prepara para a vida social e, efetivamente, usamos celulares e a internet em nosso dia-a-dia não somente para a comunicação, mas também como recursos de pesquisa para solucionar problemas. A escola não pode ignorar essa realidade e funcionar como um mundo desconectado da vida real”, afirma.   No entanto, a educadora alerta para a necessidade de celulares e internet em sala de aula  se articularem às finalidades pedagógicas das atividades em que serão utilizados.

Para ela, sem um monitoramento adequado de sua utilização, esses recursos se tornam elementos de dispersão dos alunos, mantendo-os alheios ao que acontece na aula, transportando-os para sites ou games fora do universo escolar. “Trabalhar com os alunos os momentos adequados de utilização e os problemas que devem tentar solucionar durante as aulas é essencial”, alerta a educadora.

MAIS EXPOSIÇÃO NA INTERNET === Outro aspecto a ser considerado é que, sem o uso adequado, usar celulares e a internet também na escola aumenta a exposição de jovens e crianças às redes sociais.  Segundo Tania, na mesma proporção em que a internet pode ser muito útil para trabalhar, estudar e transmitir conhecimentos, quando não utilizada corretamente, pode ser extremamente perigosa, principalmente nas mãos de crianças e adolescentes.

“Infelizmente, é comum a ocorrência de agressões virtuais – como o cyberbullying, e outras consequências prejudiciais às crianças e aos jovens. Por vezes, eles são alvos de ataques ou até os causadores da ação, já que a imaturidade e a falta de informação para lidar com uma ferramenta de alcance universal podem causar danos de grande repercussão”, destaca.

OS PERIGOS === Tania acredita que a instantaneidade das redes ofusca o entendimento do que é público (o que pode ser compartilhado) e do que é privado (o que deve ser mantido em sigilo). “Antes, espalhar um boato tinha consequências menos dramáticas. Agora, uma vez divulgado, não há limite de tempo e espaço”. Além disso, Tania pontua que o anonimato e a “distância” que o agressor possui do seu alvo passam a impressão de impunidade. “Temos uma ideia de falsa proteção e falsa realidade, uma sensação de encorajamento. É muito mais fácil ofender alguém virtualmente”, diz.

Um outro agravante vem a ser a impulsividade que a rede social induz. Antigamente, era mais complicado compartilhar um boato ou espalhar uma notícia. Hoje, basta um click. Tania alerta que falta discernimento para analisar notícias e boatos antes de dividir com amigos. “As pessoas não avaliam a questão antes de publicar. A instantaneidade induz ao impulso, e nisso, amplificamos as consequências do assunto em questão”, diz.

PREVENÇÃO ===  Como a internet é imediata, é preciso avaliar todos os pontos e as consequências: a questão jurídica, a reputação social e o bullying. Para Tania, uma combinação de empatia com decisões responsáveis e autocontrole pode prevenir consequências negativas nas redes sociais.  Algumas escolas brasileiras já têm experimentado ensinar a lidar com emoções como as abordadas no Programa Semente, que já está presente em dezenas de escolas brasileiras, sendo utilizado atualmente por cerca de 20 mil alunos.

COMO A ESCOLA E OS PAIS PODEM AJUDAR === Sabendo que esses jovens estão cada vez mais usando a internet como ferramenta para fazer as atividades escolares e, portanto, estão mais sujeitos a navegar no mundo virtual, é preciso atuar na prevenção. Acredita-se que o amadurecimento é um processo gradual, por isso, trabalhar o emocional da criança o mais cedo possível é o primeiro passo para que ela cresça hábil emocionalmente. Além disso, quanto menor a faixa etária, maior deve o monitoramento do uso das redes, e os responsáveis por isso são os pais, que devem ser o maior exemplo de responsabilidade e empatia para os pequenos.

Os educadores também têm um importante papel nessa trajetória, que é explicar com dinâmicas e de forma didática as consequências da irresponsabilidade, e como praticar a empatia. “Tudo isso cria uma atitude mais responsável diante das coisas. Gera pessoas melhores”, conclui Tania.

Sobre o Programa Semente (www.programasemente.com.br) – Com uma abordagem moderna e inovadora, o Programa Semente está presente em escolas brasileiras contribuindo para o desenvolvimento socioemocional de alunos e educadores. A partir de um material escrito por educadores, médicos e psicólogos, sua metodologia possibilita que sejam trabalhadas em sala de aula questões como sociabilidade, autoconhecimento, autocontrole, empatia e decisões responsáveis, entre outras habilidades, cada vez mais presentes no mundo do trabalho e nas principais avaliações internacionais de educação, como o PISA. Desta forma, o Programa Semente contribui para a alfabetização emocional. << Com base nas informações/fonte: Mira Comunicação >>

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