por Aguinaldo Gabarrão (*)

Um homem caminha solitariamente numa praia. Seu chapéu cai na água e é levado pelas ondas tingidas de sangue. A cena, embora pareça real, reflete as memórias do trauma vivido por ele em sua juventude na primeira guerra mundial, onde milhares de soldados perderam a vida sob seu comando, o que marcaria profundamente as suas decisões futuras.

Essa personalidade introspectiva é do político, escritor, prêmio Nobel de literatura e estadista Winston Churchill (1874 – 1965), cuja biografia merece ser revista neste século, em que a política contemporânea não tem produzido personalidades de relevo, no mundo político nacional e além-mar.

A necessidade de fazer escolhas ==  O filme Churchill, não é uma cinebiografia do primeiro ministro inglês, mas um recorte histórico centrado no ano de 1944, quando os comandantes das forças aliadas estavam prestes a executar a Operação Overlord (o famoso dia “D”) para invadir a Normandia (noroeste da França) e libertar o país do exército alemão.

A narrativa apresenta os bastidores das tensas negociações entre um Churchill temeroso com as possibilidades catastróficas da invasão militar, em confronto com as decisões dos generais Eisenhower, dos Estados Unidos e Montgomery da Inglaterra.

O estadista também é humano  ==  O roteiro desconstrói a imagem icônica do homem imperturbável. Churchill é menosprezado por altas patentes militares; é questionado em seus atos pela esposa (Miranda Richardson) e assessores; fuma e bebe mais do que toda a população de súditos britânicos e, ainda assim, tem a grandeza que se espera de um estadista: conduzir seus liderados para horizontes menos sombrios.

Coube ao ator Brian Cox (o militar Stryker de X-Men 2), a composição sob medida para dar crédito e verossimilhança às incertezas e grandezas do premier inglês. E Cox faz com brilho essa tarefa.

Trabalho conciso de direção, atores e fotografia == A direção de Jonathan Teplitzky (Uma Longa Viagem) conduz a história de forma intimista e valoriza a interpretação contida dos ótimos atores. A fotografia de David Higgs, sutil em alguns enquadramentos mais fechados, ressalta grandes ambientes em que Churchill e outros líderes estão mergulhados em pensamentos, o que reforça a percepção de isolamento e fragilidade no momento crucial em que essas lideranças precisam tomar decisões.

Curiosamente, durante todo o filme não acontece nenhuma cena de luta ou batalha. Para uns isso pode ser um desalento, mas para quem gosta de acompanhar as discussões subterrâneas, travadas nos bastidores da diplomacia, o filme atende perfeitamente a essa expectativa.

Assista ao trailer do filme: https://www.youtube.com/watch?v=2avcwOhQjKs

FICHA TÉCNICA

Churchill

Direção: Jonathan Teplitzky / Roteiro: Alex von Tunzelmann

Elenco: Brian Cox, Miranda Richardson, John Slattery, Ella Purnell, James Purefov, Julian Wadham, Richard Durden

Fotografia: David Higgs / Gênero: Drama / Duração: 105 minutos

Classificação indicativa: 12 anos / País: Reino Unido – EUA / Ano de Produção: 2016

Lançamento: 5 de outubro de 2017

 

SERVIÇO * (Confirme os horários) – Legendado em todas as salas

PÁTIO HIGIENÓPOLIS CINEMARK

Avenida Higienópolis, 646 – Higienópolis – São Paulo – Sala 4: 16h45

 

KINOPLEX ITAIM

Rua Joaquim Floriano, 466 – Itaim Bibi – Sala 3: Platinum: 18h30

 

KINOPLEX VILA OLÍMPIA

Rua Olimpíadas, 360 – Vila Olímpia – Sala 7: Platinum: 18h00

 

RESERVA CULTURAL

Avenida Paulista, 900 – Bela Vista –  Sala 3: 17h20


 

(*) Aguinaldo Gabarrão, ator e dramaturgo. Iniciou em 1989 sua trajetória profissional no teatro com o espetáculo “Halloween, o dia das bruxas”, do dramaturgo Nery Gomide. Trabalhou com diretores de diferentes estilos e gerações: Jayme Compri, Hamilton Saraiva, Eugênia Thereza de Andrade, Fabio Caniatto e Antônio Abujamra entre outros. Atua também no segmento corporativo por meio de cursos, treinamentos e palestras com as técnicas do teatro.

Nota da Redação: As críticas publicadas neste espaço são de inteira responsabilidade de seus autores. As opiniões nelas emitidas não exprimem, necessariamente, o ponto de vista do “DiárioZonaNorte” e nem de sua direção.

 

 

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