da Redação DiárioZonaNorte

<< Em primeira mão >> === Chega um momento que as vidas buscam a Deus para os casos mais graves. Uma família comemora conquistas do dia a dia, mas sofre ao ver a saúde comprometida de um irmão.  Adilson Tadeu Esteves, de 48 anos,  que nasceu na Vila Guilherme e vive,  com seu pai e o irmão Irineu, em um pequeno prédio na Praça Oscar da Silva, ao lado do  tradicional Casarão, hoje Casa de Cultura, passa por momentos de sobrevivência em um leito no Hospital LeForte (antigo Hospital Bandeirantes).  Na Zona Norte,  divorciado, ele tinha sua vida,  pai de duas meninas (6 e 7 anos) com encontros nos finais de semana, alguns passeios no Parque Vila Guilherme-Trote, trabalhando duro na semana como motorista da Sminorff – além de torcedor fanático e acompanhar os jogos da S.E. Palmeiras.

O FOCO DE MAIRIPORÃ === Adilson contraiu a febre amarela em Mairiporã – um município da região metropolitana Norte da Grande São Paulo, onde passou o Natal na casa de uma irmã no Condomínio Residencial Parque Suiça, próximo da Av. Santa Inês, já na divisa com Caieiras. Mais um caso registrado naquela região, que agora torna-se público através da própria família – as autoridades da área da saúde acompanham à distância o desenrolar do que acontece. E o irmão Irineu Esteves Cypriano Filho, 54 anos — que junto com mais duas irmãs, Fátima e Eliane –, está muito preocupado com seu estado de saúde, mas busca em Deus a fé para as orações e as vibrações de melhora.  No leito, Adilson ainda está entubado,  com o quadro clínico grave e em constante observação.

OS CAMINHOS === Mas em sua peregrinação nas passagens do Hospital São Camilo de Santana/Mandaqui (Zona Norte), onde ficou na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), teve alguns momentos de melhora – onde se constatou recuperação do rim que havia parado de funcionar e voltou a ter função, na verdade houve uma melhora das funções hepáticas — , mas teve que posteriormente ser levado para o Hospital Bandeirantes – LeForte, no bairro da Liberdade, onde há condições cirúrgicas para uma provável intervenção no transplante de fígado – que está na fila à espera de um doador compatível.

O COMEÇO: GRIPE === Como sempre, o primeiro diagnóstico na maioria de casos é que é uma virose do tempo ou o início de uma forte gripe. Foi o que aconteceu com Adilson, que no dia seguinte às comemorações do Natal (26/12), no retorno da Serra da Cantareira, começou a não se sentir bem. E assim foi nos dias seguintes, com soluções paliativas tratando como gripe e ajuda de medicamentos na farmácia. Piorando cada vez mais foi em busca de um diagnóstico médico, e chegando até o final da semana seguinte com estado clínico piorando – febre alta, calafrios, dor de cabeça, dor muscular, náuseas e vômitos.

A NOTICIA RUIM: FEBRE AMARELA === Na passagem de ano, Adilson continuava com problemas de saúde e na 4ª feira (03/01) já não conseguiu ficar em pé e acabou na UTI do Hospital São Camilo, que na 6ª feira passada (05/01) trouxe a pior notícia e  constatou que era febre amarela – com agravantes com os órgãos, que exigem transplantes – com muitas semelhanças ao caso da engenheira que recebeu um inédito transplante de fígado no Hospital das Clínicas, onde está internada, depois de ter contraído febre amarela também na região de Mairiporã, na mesma época.

“SEM PÂNICO” === E os casos estão aumentando vindo da mesma região – nesta 2ª feira (08/01/2018) a Secretaria de Saúde de Guarulhos  noticia a morte de um homem no dia 26/12, infectado  em Mairiporã – e torna-se preocupante (veja no final da matéria). Enquanto isto, o Secretário da Saúde, David Uip, dá entrevista e tranquiliza a população. “Não é motivo de pânico!”, disse. Mas da mesma região já haviam sido registrados oficialmente duas mortes e mais o caso da engenheira em estado grave no Hospital das Clínicas. Outro lado que preocupa é a possibilidade da  transferência da febre amarela silvestre, contaminando os macacos, e passando para a fase urbana, onde em uma praça do Tremembé foram registradas três mortes de macacos contaminados – Veja a  matéria aqui

O ATENDIMENTO === Diariamente, lá dentro do Hospital LeForte, o irmão Irineu está em constante vigilância e em contato com as equipes médicas, que prestam uma excelente assistência ao interno e à família.  Em alguns momentos de conversas, Irineu repete que o irmão Adilson, quando esteve na UTI do Hospital São Camilo foi considerado o primeiro da lista de gravidade dos 41 leitos e, no dia seguinte, estava em primeiro lugar também na lista para transplante de fígado. “Nenhum campeão quer ter isto na sua vida”, observa. (No atual hospital, segundo algumas avaliações médicas, é provável que Adilson não precise mais ser transplantado, apesar de seu estado clínico grave infectado com vários tipos de vírus).

O PEDIDO DE AJUDA E ORAÇÕES === Na agonia do dia a dia, ao ver o irmão internado e no estado grave, Irineu Esteves Cypriano Filho,   anos,  clama por ajuda divina e tem muita fé que o seu irmão Adilson vai melhorar e “sair desta situação e  andando do hospital”. Em uma gravação de 7 minutos e 24 segundos, ele faz apelo a todos para que ajude em orações e vibrações, sem sensacionalismo mas com divulgação para buscar o interesse médico-científico e de infectologistas, até de outros países,   em busca de uma cura à doença que, a princípio,  estava erradicada há mais de 40 anos – mas que agora torna-se mais visível pela era da comunicação instantânea. “Eu não peço ajuda só no caso do meu irmão, mas que seja um caminho de ajuda para milhares de pessoas, chegando até uma solução definitiva”, acrescenta ele.

“MUITA FÉ E AJUDA A TODOS” === Por outro lado, Irineu quer também despertar o alerta que são mais casos de febre amarela, que podem estar embutidos e sem divulgação. E também chamar a atenção para que as pessoas se vacinem e fiquem imunes à doença. E no final da gravação, com muita emoção, já com as palavras saindo levemente truncadas e trêmulas, ele acrescenta: “Eu quero infectar todos vocês pela febre verde-amarela pela vida de meu irmão e de milhares de outros irmãos espalhados por vários cantos!”. E finaliza em todas as conversas: “ Orem, vibrem e espalhem a notícia para o mundo”. Com muita esperança repete: “Meu irmão é um guerreiro! Ele ainda vai sair andando deste hospital!”. <<Quem tiver sugestões e ajuda pode enviar para o e-mail: psirineu@uol.com.br  — Irineu Esteves Cypriano Filho >>

GUARULHOS E MAIRIPORÃ ====  A Secretaria de Saúde do Município de Guarulhos, na Grande São Paulo, divulgou no último domingo (07/01/2018) que Roberto Francisco – de 69 anos -, morreu em conseqüência  da febre amarela no dia 25 de dezembro.   Ele esteve em Mairiporã, no sitio da família entre os dias 15 e 16 de dezembro de 2017.

Foi o terceiro caso confirmado de morte pela  doença na Grande São Paulo e em comum, todas as   vítimas estiveram na cidade de Mairiporã.  Uma  quarta  paciente, também infectada naquela região,  esteve na cidade  a trabalho e  está internada no Hospital das Clínicas em São Paulo,  em estado grave.  Ela desenvolveu uma Hepatite fulminante – conseqüência da febre amarela e passou por um transplante de fígado – o primeiro da história realizado em decorrência da doença, que avança muito rápido lesionando o órgão.  Seu estado ainda é grave.    De acordo com a Secretaria de Saúde do Município de Guarulhos, desde a 6ª feira (05/01/2017),  29 pessoas deram entrada em hospitais da região,  com suspeita da doença e aguardam a conclusão do diagnóstico, por meio de exames que são elaborados pelo Instituto Adolfo Lutz. Após os resultados, os casos serão confirmados ou descartados.

A cidade de Mairiporã teve cerca de  227 casos de macacos mortos desde agosto de 2017, sendo que  95 deles  confirmados com febre amarela  e, com o grande número de chácaras,  sítios e pesqueiros  que foram locados para as festas de final de ano em Mairiporã, por pessoas de várias regiões do estado, o número de pessoas com o diagnóstico da doença pode aumentar.

A SECRETARIA ESTADUAL SE MANIFESTA === Na última 6ª feira (05/01/2018), em nota, a Secretaria Estadual da Saúde informou que, desde  2017 até a primeira semana de 2018, foram confirmados 27 casos de febre amarela silvestre em humanos no estado de São Paulo.  Destes,   12 pessoas morreram. Os dados não incluem o morador de Guarulhos, morto no dia 25 de dezembro.

Na mesma nota, informou ainda que localizou em todo o estado de São Paulo   2.588 primatas mortos entre julho de 2016 e dezembro de 2017 e que 595 destes primatas tiveram a contaminação por febre amarela silvestre confirmadas.  A vacinação será estendida para todo o estado de São Paulo. A primeira etapa vai priorizar os lugares onde o vírus já circula e em uma segunda etapa, será estendida para os lugares onde  o estado prevê que o vírus chegue, como o litoral de São Paulo, já que a Serra do Mar funciona como um corredor ecológico – que permite a circulação do vírus.

Até o dia 04 de janeiro, a Secretaria de Saúde do Município de São Paulo, já vacinou 1,139 milhão e a meta inicial, de acordo com o secretário  Wilson Pollara,  era  vacinar cerca de 2,5 milhões de pessoas na Zona Norte da cidade.

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