por Beto Freire (*)

 === Em 14 de Agosto de 1920 os patrícios pensavam estar fundando um time de futebol, mas na verdade iniciavam uma trajetória ímpar na história dos clubes esportivos do Brasil. 

A Portuguesa sempre esteve de portas e braços abertos para receber os paulistanos, nos jogos de futebol ou nas piscinas que em outra época eram proibitivas para a classe trabalhadora. Esse pioneirismo de acolhimento da classe mais sofrida é hoje reconhecido e respeitado, todos tratam a Lusa com carinho. 

Fincada na Marginal Tietê é cartão postal de São Paulo, sua gruta e festa junina são parte do calendário oficial de São Paulo. É ainda o portão de entrada para os amantes do futebol, poucos são seus fiéis torcedores mas todos tem a Portuguesa no coração. 

São 98 anos de sentimentos, alegria e tristeza andando de mãos dadas, a euforia da vitória nunca foi ofuscada na decepção da derrota. 

Hoje, apesar de enferma, a Lusa não quer piedade, ela necessita apenas de oportunidade para voltar ao palco das glórias passadas e principalmente ao futuro das próximas gerações. 

E neste Dia dos Pais lembro daquele que me levou a primeira vez ainda no colo para assistir o meu time de futebol. Foi o “Seo Joaquim Freire”  quem deu-me a primeira camisa e meu primeiro amor. 

Naquele tempo a Lusa era uma potência no futebol, o time que era o orgulho da colônia portuguesa foi o único Tri campeão da Fita Azul, o mundial da época. 

A Lusa de Djalma Santos, Zé Maria, Zé Roberto, Enéas, Rodolfo Rodrigues, Valdir Perez, Dener, Roberto Dinamite, Capitão, Félix, Orlando Gato Preto, Julinho, Pinga, Simão e tantos outros craques que um dia desfilaram nos campos de futebol para alegrar o esporte mundial. Hoje tem problemas financeiros, mas a paixão e a força de seus admiradores supera qualquer obstáculo, a Lusa é um sonho… e sonhos nunca podem ter fim. 

Torcer para Portuguesa desde de menino é algo excepcional, na escola ou na pelada da rua era sempre uma festa à parte…  todos falavam da Lusa, ele é português. Quando fui morar no litoral sul, surgiu o tempo mais difícil e, ao mesmo tempo, o melhor para ter notícias da Portuguesa. Buscava no dial e sintonizava a única rádio que tinha um programa exclusivamente do meu time. Não era todo dia, às oito da noite em ponto, tinha o privilégio de ouvir os comentários do saudoso Armando de Barros. 

Mas nunca deixei de levar a Lusa na mente e no coração. A presença nas ruas de um torcedor da Portuguesa era naquela época na cidade litorânea uma espécie de pessoa “díspar” do restante, foi um tempo realmente maravilhoso. 

Hoje por conta do momento atual do clube a situação é um “déjà vu” melancólico, as pessoas perguntam “mas você torce mesmo para Lusa, tem outro time, é então torcedor raiz ?” 

A resposta é sempre a mesma, sou torcedor com muito orgulho, paixão não escolhe resultados, nos tempos difíceis é que encontramos os verdadeiros amores. No Dia dos Pais não podia deixar de homenagear meu progenitor e a Lusa, que está chegando ao centenário. E, nada mais justo, um grande e feliz “Dia dos Pais”, na homenagem à minha Lusa.


(*) Antonio Roberto Freire é o nome oficial, com batismo de família genuinamente portuguesa, nascido e criado na Zona Norte, nas bandas da Vila Guilherme e Vila Maria. Hoje com 38 anos, curso de Sociologia pela metade, e pai de três filhos – Maria, César e Norberto – da única esposa Flávia, que também torcem pela Lusa.

 

 

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