De acordo com estudo da Organização Mundial da Saúde (OMS), o câncer é um problema de saúde pública, especialmente nos países em desenvolvimento. A incidência de tumor maligno entre a população dessas nações deverá corresponder a 80% do total de mais de 20 milhões de novos casos estimados para 2025.

O número, divulgado para chamar a atenção para o Dia Mundial contra o Câncer (4 de fevereiro), ressalta a importância de mudanças de hábitos, que resultam na prevenção da doença.

 “Os casos de câncer são mais frequentes em países em desenvolvimento por causa da falta de prevenção e diagnóstico tardio. Além disso, há muita subnotificação”, ressalta o oncologista Elias Abdo, do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (Icesp).

Ele elogia a qualidade e abrangência da rede de assistência pau lista ao câncer: “Pacientes de outros Estados vêm nos procurar. Conseguimos dar conta da demanda dentro das nossas possibilidades de atendimento”.

PREVENÇÃO — O especialista enfatiza a necessidade de “priorizar alimentação saudável e dieta com mais vitaminas e menos calorias, manter o peso corporal adequado e aderir à atividade física regular (por exemplo, caminhada de 30 minutos, três vezes por semana) entre as medidas preventivas para deter o tumor maligno”.

“Quem usa ônibus pode descer um ponto antes e andar até o destino. A pessoa pode não utilizar o elevador e subir pela escada até três andares. Essas práticas permitem ficar em dia com a saúde e com a atividade física”, exemplifica o especialista.

A mulher que amamenta durante seis meses está mais protegida contra o câncer de mama. Portanto, esse problema de saúde incide mais entre aquelas que não engravidaram nem amamentaram. A vacina contra o HPV, recentemente disponível na rede pública também para meninos de 9 a 13 anos, é outra forma de prevenir o câncer de colo de útero. Entre as recomendações está a de realizar exame preventivo ginecológico anualmente.

OCORRÊNCIAS  – Estimativa do Instituto Nacional do Câncer (Inca) quanto à incidência da moléstia no Brasil indica que foram registrados 596 mil novos casos da doença no ano passado. Entre os homens, eram esperados 295.200 novos casos; e, ntre as mulheres, 300.800 ocorrências.

O câncer de próstata foi o principal tumor entre os homens (28,6% do total), seguido pelos de traqueia, brônquio e pulmão (8,1%), cólon e reto (7,8%), estômago (6%) e outros (49,5%). Entre o sexo feminino, o Inca projetou 28,1% de casos de câncer de mama, 8,6% de cólon e reto, 7,9% de colo do útero, 5,3% de traqueia, brônquio e pulmão, 3,7% de estômago e outros 46,4% da doença atingiram outras áreas do corpo.

OTIMISMO  – Abdo conta que, no ano passado, havia 54 mil pacientes cadastrados no Icesp. Em 2016, foram registrados 17,9 mil atendimentos no consultório e houve a realização de 4 mil sessões de quimioterapia, 3,4 mil cirurgias e 78 mil exames de imagem.

“Fazemos muitas pesquisas com novas terapias e até mesmo com cirurgias de robó- tica, novas opções de quimioterapia e imunoterapia. Diversos desses estudos estão em consonância com trabalhos desenvolvidos nos principais centros de referência em câncer do mundo”, informa o médico.

Para lembrar o Dia Mundial contra o Câncer, ele frisa que se deve desmistificar a doença, pois existem várias alternativas de tratamento que proporcionam melhor qualidade de vida ao paciente. “Quem é otimista encara o problema com mais tranquilidade”, ressalta o especialista do Icesp.

PERSISTÊNCIA  – O tumor nos ossos do braço direito, identificado em 2005, não abalou a determinação de Miriam Teresinha Tavares Hatano, 46 anos, para vencer a doença. Ela começou o tratamento no Instituto de Ortopedia e Traumatologia (IOT) do Hospital das Clínicas (HC), ligado à Faculdade de Medicina da USP (FM-USP), e foi encaminhada ao Icesp em 2010.

Nesses 12 anos, ela enfrentou algumas situações complicadas, como a metástase do tumor. Após 13 cirurgias e a amputação do braço direito, a professora de ginástica foi convidada a participar de atividades de para-atletismo.

PERSERVERANÇA —  A partir de 2011, a moradora de Suzano, na Grande São Paulo, foi incentivada por um vizinho a correr, praticar natação e a andar de bicicleta. Desde então, Miriam disputou diversas provas de paratriatlo, tendo conquistado o 2º lugar na categoria amputados pelo Campeonato Interestadual de Brotas, no interior paulista, e 1º lugar no Campeonato Paulista de Paratriathlon, no ano seguinte.

“O esporte é essencial para qualquer pessoa, independentemente das limitações, e ajuda muito na minha recuperação. Melhora o metabolismo, sinto menos dor; ele atua na mente, no corpo e na alma”, afirma a esportista. Sua mensagem àqueles que receberam o diagnóstico de câncer recentemente é que não devem desistir, “pois a perseverança é tudo na vida”.

Para ela, embora o tratamento oncológico seja difícil, a cura é possível. “Deve-se acreditar no profissional que cuida de você. O próprio paciente precisa cooperar e seguir as recomendações médicas, ser participativo, questionar e esclarecer todas as dúvidas. No meu caso, a equipe do Icesp fez o possível e o impossível para me deixar bem. O apoio familiar também foi fundamental”, avalia. Miriam diz que sua situação era urgente e teve o privilégio de ser encaminhada pelo Sistema Único de Saúde (SUS) a um dos melhores hospitais oncológicos do mundo. “O Icesp me abraçou e somente tenho muito a agradecer”, finaliza.

O hospital recebe pacientes apenas por encaminhamento da rede pública de saúde. (Viviane Gomes / Imprensa Oficial – Conteúdo Editorial)

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