Por Elpídio Ulian Jr. (*)

Estabelecido pela Organização das Nações Unidas (ONU) como o Dia Mundial da Água, 22 de março é uma data histórica não só para ambientalistas, ou pessoas interessadas na temática ambiental, mas deveria estar em evidência durante todos os outros 364 dias do ano, dada a sua relevância e importância nas questões futuras para a humanidade.

“Questão de vida ou morte”, não é exagero quando acompanhamos avidamente as constantes variáveis a que esta sendo submetido nosso planeta. Nossa “casa comum” como disse o papa Francisco, é nosso habitat natural, para onde vamos? Ou a quem recorrer? Se dia após dia assistimos atônitos as desastrosas ações humanas para com aquele que nos proporciona nossa própria existência.

Uma das vertentes importantes para acompanharmos este cenário esta na divulgação dos relatórios do Painel Intergovernamental sobre as Mudanças do Clima (IPCC). Este relatório é o painel científico ligado às Nações Unidas, criado em 1988 pela Organização Mundial de Meteorologia e o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), responsável por produzir informações científicas em três relatórios que são divulgados periodicamente desde 1988.

Os relatórios são baseados na revisão de pesquisas de 2500 cientistas de todo o mundo, com o objetivo de estudar e divulgar abertamente as informações técnicas e socioeconômicas e os impactos relevantes aos riscos à humanidade, visando criar mecanismos para adaptação e mitigação dos efeitos das mudanças climáticas globais. Esta tarefa é abordada pelos pesquisadores na área do clima, meteorologia, hidrometeorologia, biologia e ciências afins, que se reúnem e discutem as evidências cientificas e resultados de modelos, com a meta de chegar a um consenso sobre tendências mais recentes em mudanças do clima. Sua estrutura é composta por três grupos de trabalho e uma força-tarefa:  GT 1 A Base da Ciência Física; GT2 Impactos, Adaptação e Vulnerabilidade; GT3 Mitigação do Clima.

A contribuição do GT1 consiste principalmente em descrever a compreensão dos fatores humanos e naturais que causam a mudança do clima, com base nas observações da mudança do clima, processos climáticos e atribuição, e estimativas da mudança do clima projetada para o futuro.

A contribuição do GT2 tem por objetivo o entendimento científico atual dos impactos da mudança do clima nos sistemas naturais, manejados e humanos, bem como a capacidade da adaptação desses sistemas e sua vulnerabilidade.

A contribuição do GT3 se concentra sobre os aspectos científicos, tecnológicos, ambientais, econômicos e sociais da mitigação da mudança do clima e os Relatórios Especiais sobre Captação e Armazenamento de CO2 e sobre a Proteção da Camada de Ozônio e do Sistema do Clima Global.

Até a presente data o IPCC publicou cinco Relatórios de Avaliação. O Primeiro foi publicado em 1990 e desde então as pesquisas sobre mudanças do clima têm se beneficiado com a interação entre cientistas de todo o mundo. Confirmando a preocupação científica sobre o conhecimento até então existente, concluiu que: “a continuação do acúmulo de gases do efeito estufa antrópicos – atividades humanas – na atmosfera conduziria às mudanças climáticas, cujo ritmo e magnitude provavelmente teriam efeitos importantes nos sistemas naturais e humanos.

Este relatório constituiu-se na base para elaboração do texto final da Convenção do Clima. O segundo Relatório foi publicado em 1996 e forneceu as bases para as negociações chaves que levaram a adoção do Protocolo de Quioto em 1997. O terceiro Relatório foi publicado em 2001 e, em concordância com os relatórios anteriores, orientou que “o aumento nas emissões destes gases poderia exceder a variação natural observada nos últimos milênios.

O quarto Relatório foi publicado em 2007. Desde então, a Conferência das partes – COP – vem adotando políticas de incentivo, com vistas a apoiar os países maiores detentores de florestas para que eles venham a ter subsídios para a redução de desmatamento e degradação de suas florestas.

O quinto Relatório de Avaliação foi publicado em 23 de setembro de 2014 e confirmou com ainda maior certeza que “O HOMEM É O RESPONSÁVEL PELO ATUAL AQUECIMENTO DO PLANETA, ALERTANDO QUE OS PERIGOS DA INAÇÃO SE TORNARAM MAIS GRAVES”.

Com base neste Relatório os países-membros das Nações Unidas promulgaram em 12 de dezembro de 2015 o Acordo de Paris, considerado um trunfo para as pessoas, para o meio ambiente e para o multilateral ismo.

Se era bom demais os avanços para ser verdade, aí chegam as contrapartidas:

Em Washington o Presidente dos Estados Unidos Donald Trump, assinou nesta terça feira 28/03/2017, um decreto que revoga uma série de regulações da era Obama para conter as mudanças climáticas, mantendo uma de suas promessas de campanha de apoiar a indústria de carvão, enquanto põe em cheque o apoio dos EUA a um acordo internacional para combater o aquecimento global.

O decreto também rescinde a proibição de exploração de carvão em terras federais, reverte regras para a contenção de emissões de gás metano resultantes da produção de gás e petróleo e reduz o peso da mudança climática e emissão de carbono nas decisões políticas e permissões de infra-estrutura.

Trump é um cético em relação ao aquecimento global, sendo o dióxido de carbono e o metano dois dos principais gases responsáveis pelo efeito estufa, o que segundo cientistas causa o aquecimento global. Com a sala cheia de mineiros, executivos de companhias de carvão e funcionários de grupos industriais, que aplaudiram alto quando Trump falou. A propósito, as ações das empresas de carvão nos EUA subiram após a assinatura, bem ao seu estilo.

O decreto é abrangente e o mais ousado adotado até agora por Trump em sua agenda ambiciosa para reduzir a regulamentação ambiental e impulsionar as indústrias de perfuração e mineiração, uma promessa que ele fez repetidamente durante a campanha presidencial de 2016.

Mas a pergunta que não cala :  Qual o preço da sanidade para os poderosos ?

Em  um mundo  deteriorado e com perigo iminente e comprovado que a situação precisa ser revertida para dar condições de vida mínima para seus habitantes, ações unilaterais jogam por terra anos de progressos,  discussões e ações que consideradas como avanços nas questões climáticas sofrem um retrocesso gigantesco pela maior Nação do planeta.

Resta-nos a luta contínua, que as autoridades e órgãos internacionais se oponham na justiça para que a batalha prossiga nos tribunais, fazendo a sua parte cada cidadão do planeta é um resistente, para que possamos dentro dos limites da lei interceder neste triste episódio, que nos faz, na mesma semana onde comemoramos o dia do elixir da vida (água), façamos uma viagem do céu ao inferno que faz pairar no ar a questão primordial?  Sobreviveremos ??

(*) Elpídio Ulian Junior – Pesquisador, estudioso do meio ambiente e morador da Zona Norte, participante de reuniões e congressos sobre o tema, palestrante e membro do Conselho Regional de Meio Ambiente Desenvolvimento Sustentável e Cultura de Paz (CADES), na gestão 2012/13  da Prefeitura Regional Santana/Tucuruvi/Mandaqui.

Nota da Redação: Os artigos publicados neste espaço “Opinião” são de inteira responsabilidade de seus autores. As opiniões neles emitidas não exprimem, necessariamente, o ponto de vista do “DiárioZonaNorte” e nem de sua direção.

 

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