O que deveria ser um marco na Vila Guilherme foi perdendo a força e agora é um simples local cheio de problemas. É o Parque Vila Guilherme-Trote (PVGT), que ainda recebe a insistência de frequentadores que não tem outra opção por perto. Aquilo que seria um espaço contemplativo — oferecendo locais para caminhadas, corridas e lazer – carrega somente reclamações.

UMA VISITA SURPRESA  — Foi o que pode observar o prefeito regional de Vila Maria/Vila Guilherme/Vila Medeiros, Dário José Barreto, em uma visita agendada no final do dia anterior e que aconteceu  nesta 4ª feira (01/02/2017), na parte da manhã. O prefeito regional teve em destaque a companhia de membros do Conselho Participativo Municipal (CPM) – o coordenador Nelson Marques e as conselheiras Ana Santana e Adria Giaccheri  (que também representou o CADES- Conselho Municipal do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável), o empresário Cesar Kawamura e  assessores parlamentares.

REAÇÕES DE FREQUENTADORES — Ao caminhar pelo parque, o prefeito Dário José Barreto foi reconhecido por três senhores sentados em um banco: “Aí Sr. prefeito, vamos consertar tudo que está errado aqui. Tá feio por aqui. Boa sorte!”. O prefeito regional  fez um pequeno  aceno com a mão e um pequeno sorriso, mas não parou e seguiu o caminho. Enquanto isto, o coordenador do CPM, Nélson Marques, anotava tudo em um caderno.

Ao chegar no centro do parque, onde no passado eram realizadas as corridas de trote, a comitiva foi surpreendida por uma moça com trajes esportivos de corrida,  sem ter conhecimento do prefeito regional, começou a relatar: “Pessoal, vocês devem estar vistoriando o parque. Devo dizer que aqui está uma calamidade. Tudo abandonado. Lá em cima no parquinho das crianças, a água é fechada pro períodos. Não tem água nem para beber. Banheiros aqui estão fechados. É triste. O mato alto aqui não é nada, o pior é o descaso de tudo aqui dentro”.

TUDO ANOTADO — O  prefeito regional ouviu tudo atentamente e depois sacou do bolso uma pequena caderneta para anotações. Só depois de ter falado abertamente, a moça foi apresentada ao Dário José Barreto. Ela ficou contente em saber da preocupação pelo local. E continuou sua corrida e ao retornar parou novamente para chamar atenção para outras questões, que havia esquecido no primeiro contato.

Depois a pequena comitiva recebeu a visita da estagiária Thais, que é assistente da nova Gestora do PVGT, que não estava presente por ter sido convocada para reunião externa. A estagiária que está há dez meses no PVGT, vindo da gestão municipal anterior, colocou-se à disposição para acompanhar a visita e deu explicações sobre o que está ocorrendo com os problemas do parque.

BANHEIROS FECHADOS — O prefeito regional quis saber do problema dos banheiros, que  foram alvo de reclamações ao seu gabinete. E todos se deslocaram para os banheiros do setor debaixo do PVGT, que é o lado do Trote, já que na parte de cima onde originalmente é o lado do Vila Guilherme, os banheiros estão em melhores condições de uso. Houve uma espera até que o “molho de chaves” fosse localizado na guarita dos seguranças, no entrada do parque.  Quando chegou às mãos da assistente Thais, houve dificuldades para abrir os cadeados. Somente depois de algum tempo, houve condições de abrir a porta do banheiro feminino, que estava sujo e mal cuidado, mas não em estado calamitoso. Depois da busca do segundo “molho de chaves” houve nova tentativa de abrir o banheiro masculino, que não se obteve sucesso. “É me disseram que o banheiro masculino está desativado e só serve para depósito de material”, foi a justificativa da assistente Thais para desistir de abrir a porta. Ela também havia informado anteriormente que, por falta de pessoal, os banheiros tem horário de funcionamento somente das 16 às 18 horas.

PLANOS NA GAVETA — E assim continuou a caminhada, olhando à distância a conservação precária das baias que estão dentro do tombamento histórico do PVGT. O mato está muito alto para a caminhada até o local. E comentou-se que ali no governo anterior teve até a definição do que seria aproveitado com espaços de cultura para grupos de teatro, do Centro de Convivência e Cooperativa (Cecco) com atividades de saúde e terceira idade —  e até para o serviço equoterapia. “Está tudo parado em uma gaveta do passado. Precisamos retomar e buscar parcerias”, comentou alguém ao lado do prefeito regional.

UM LOCAL PARA ENCONTROS SUSPEITOS — E o próximo objetivo foi ver a situação do lago, que era um dos principais atrativos do PVGT. Mas ficou lá meio da mata e do mato alto, sem acesso, esquecido por todos. Alguém ainda lembrou, “aqui está parecendo a Amazônia com tanto mato alto no meio das árvores, dá até para fazer locação de filmes!”. Foi mais um local que não pode ser observado. Mas no caminho tem as construções antigas perto das arquibancadas. Era o local das apostas, das bilheterias e do placar de resultados das corridas. Uma escada íngreme de 20 degraus leva a um espaço abandonado, sujo, com excrementos fecais, lugar úmido e podre, tendo sido depositado um resto de espuma do que já fora um colchão. São espaços  tipo quartos e outros maiores que serviam de controle nas apostas do trote. Hoje, segundo comentários, servem para encontros para sexo e drogas – à noite e de madrugada, sem vigilância, viciados adentram para passar horas.

O prefeito regional Dário José Barreto já demonstrava cansaço e principalmente desapontamento pelo “estado das coisas”. “Vou buscar uma reunião com o Secretário do Meio Ambiente para que haja conhecimento da situação como se encontra aqui. É muito triste. Vamos caminhar para  uma solução imediata, de emergência, e, do outro lado, um trabalho mais demorado para dar condições de melhor uso no parque”, definiu o prefeito regional. O lado emergencial é criar um mutirão – até com a ajuda voluntária da população – para melhorar as condições de utilização do local. Depois disto, segundo ele, é deixar um funcionário com incumbência diária de ir cortando e roçando o mato e outros cuidados. “É um processo que se torna normal e rotineiro, buscando cada dia um espaço para conservação do local”, arrematou.

O LOCAL DO CECCO —  Houve também  passagem pelo Salão de Eventos, um grande espaço onde o Cecco realiza trabalhos artesanais e manuais, encontros da terceira idade e até um sarau mensal. Ali há alguns banheiros e o local está melhor conservado internamente, mas necessidade de maiores cuidados na limpeza e conservação. O prefeito regional manteve ali um breve encontro com Ana Célia, a responsável pelo Cecco, que explicou alguns detalhes. Inclusive informou que o Secretário do Meio Ambiente, Gilberto Natalini, fez uma visita de surpresa ao local, que não foi do conhecimento do prefeito regional.

A CASA VAI CAIR — O “Casarão” foi vistoriado também e notou-se o péssimo estado de conservação, trazendo um constante perigo aos frequentadores – principalmente crianças – sem nenhuma proteção e nem mesmo uma fita de advertência. As paredes e telhado, com o forro cheio de cupins, podem desabar a qualquer momento. Um perigo constante, que inclusive serve de abrigo a inúmeras pombas que carregam um problema sério de saúde através de suas fezes.

“É certo que do jeito que está não vai ficar” declarou o prefeito regional, depois de uma visita de quase duas horas, onde pode sentir problemas que se acumulam por mais de um ano. Situações desesperadoras de assaltos, roubos de celulares e até uma tentativa de estupro dentro do parque – e outras situações embaraçosas como a falta de energia por quase dois meses, quando pegou fogo na “caixa de força” e administração anterior alegou não ter verba para o conserto emergencial e teve que esperar por licitação. Um local abandonado, sem quadras esportivas adequadas, sem espaços culturais, sem atrativos para idosos e crianças, e sem nada comparado à inércia do passado. Um parque que era bom e ficou parado no tempo, com péssimas administrações. Hoje nem mesmo tem em funcionamento o Conselho Gestor. Inúmeras outros problemas enfrentados pelo PVGT, que agora parecem ter um rumo para soluções. Quem sabe até com o retorno do festival do “Revelando São Paulo” e a utilização do antigo prédio que serviria de hotel para o MartCenter, que pode ter um plano de ser salvo e  transformado em  hospital para uma região carente. É aguardar para ver.

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