Escravos, uma questão de “estórias”!

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Nota da Redação: A partir desta 6ª feira (02/06/2017), o DiárioZonaNorte tem o prazer de iniciar a publicação semanal de um novo espaço na colaboração da jornalista Conceição Lourenço, que abre o  “Crônicas da Conceição”. Com olhar direto sobre o cotidiano, Conceição traz a leveza do texto na profundidade dos detalhes de situações, que às vezes nos passam despercebidos.  Desejamos sucesso à Conceição e parabenizamos os leitores pela nossa conquista. Boa leitura!

por Conceição Lourenço (*)

Hoje de manhã, numa sala de espera, uma senhora branca de uns 70 anos se sentou ao meu lado. Começou o assunto pelo meu cabelo: “Queria que minhas netas usassem assim, mas elas alisam”, dei um risinho amarelo, não sou boa de assunto às segundas de manhã. Mas ela continuou: “Meu avô foi escravo…”, pensei, fiz uma conta rápida na cabeça, não acreditei muito (ela é muito clara de pele), mas deu detalhes: “Meu avô era escravo numa fazenda no interior de Minas. Minha avó era filha do dono e gostava dele. Ela contava que o pai dela era muito cruel com os negros, ela tentava ajudar, mas nem sempre dava. Um dia ele falou pra ela que ia fugir e ela foi junto. Foram pro interior de São Paulo.

Quando o pai dela soube amaldiçoou eles, disse que tivessem filhos se fosse mulher seria “da vida”. Se fosse homem seria ladrão. Tiveram 2 filhos: minha mãe, que foi a mulher mais honesta que conheci, e meu tio, o Comandante (e citou o nome), que comandou a PM aqui em SP (eu fiquei atônita, o comandante, que já morreu, era filho de escravo?). Meu vô era retinto com 2 metros de altura, minha vó loirinha, olho bem azul, coisa mais linda. Ela morreu com 102 anos.

Eu sou branca e me casei com um italiano mais branco ainda, mas meu filho mais velho se casou com uma negra, por isso minhas netinhas são negras…” e blá blá blá. “Minha neta quer pôr essa história num livro…”, eu saquei o cartão de visitas: “Se ela não colocar, coloco eu…”, cada história!

1 –  Faltou isso na história do filme-novela-novela  Sinhá Moça, ela se casar com escravo. É homem igualzinho a outro qualquer.

2-Queria saber se quando o velho morreu e teve de dividir a fazenda com o ex-escravo como foi. Mas trocamos contato, até o advogado dela me deu cartão. Quem sabe…

(*) Conceição Lourençojornalista há 35 anos. Passou por diversas redações e segmentos: Revista Exame, Infantis, Diário de São Paulo, Revista Bárbara, Uma, Chiques&Famosos, Ti-ti-ti. Dirigiu a Revista Raça Brasil. Fundadora da Cal Assessoria de Imprensa. Hoje é Assessora Executiva de Comunicação na Prefeitura Regional do Pirituba/Jaraguá. < “Crônicas da Conceição” é publicada às 6ªs. feiras >

Nota da Redação: As opiniões publicadas neste espaço são de inteira responsabilidade de seus autores. As opiniões neles emitidas não exprimem, necessariamente, o ponto de vista do “DiárioZonaNorte” e nem de sua direção.

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