Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revelam que 116 milhões de brasileiros estão conectados à internet, 67% estão acima dos dez anos. Com o avanço tecnológico e o fácil acesso à informação, que vem por meio dos canais de televisão, tablets, computadores e celulares, fica cada vez mais difícil para os pais e responsáveis filtrarem a grande quantidade de conteúdo transmitido às crianças e adolescentes. Pesquisa da AVG (empresa de cybersegurança) revela que 97% das crianças entre 6 e 9 anos utilizam a internet.

Segundo o levantamento, mais da metade (54%) tem perfil no Facebook criado por pais ou familiares. As regras para se ter uma conta na rede social é de 13 anos. Bebês ganham contas no Instagram antes mesmo de engatinhar. A infância foi parar nas redes sociais e, segundo, José Mariano de Araújo Filho, delegado titular da 4ª Delegacia de Investigação Geral de Crimes Financeiros e Patrimoniais por Meios Eletrônicos, o custo pode ser alto.

Segundo o delegado, o uso indiscriminado das redes sociais pode transformar a pessoa em um alvo para criminosos que passam horas em sites de relacionamentos à procura de pessoas com sinais de riqueza. “Muitos pais desconhecem que existe grande número de cyberstalkers (perseguidores na internet) que estão sempre em busca de novas vítimas.”, salienta.

Ele exemplifica o caso de um rapaz, em Sorocaba, que utilizava a rede social postando toda a sua rotina. “Ele era filho de um empresário, foi sequestrado e mantido preso por cinco dias. Conseguimos localizar o cativeiro e prender os sequestradores”, afirma.

Confiança – Sylvia van Enck Meira, psicóloga do Pro-Amiti no Programa de Dependências Tecnológicas do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (IPq-HC/FMUSP), explica que é fundamental aos pais estabelecer um nível de interação com seus filhos que lhes permita garantir diálogo e proximidade sobre a atividade on-line dos filhos.

Sylvia e Araújo Filho afirmam que é fundamental conversar com os filhos sobre a internet sem invadir os espaços e as mensagens dos filhos. “É importante fazer uma relação dos sites que podem ser visitados com segurança e alertar sobre o risco de interagirem virtualmente ou marcarem encontros com pessoas desconhecidas”, salienta Sylvia.

Yuri Giuseppe Castiglione, promotor de Justiça da Infância e Juventude do Foro Regional da Lapa, salienta que o computador deve estar em local onde todos tenham acesso. Outro fator é que os pais devem ficar atentos às amizades dos filhos e às famílias desses amigos.

Para Ana Regina Caminha Braga, psicopedagoga e especialista em educação especial e em gestão escolar, as crianças devem ter acesso à tecnologia, desde que sejam orientadas sobre isso. “O nosso papel em casa e na escola é orientar. Caso os pais ou responsáveis não estejam em casa para acompanhar a criança, é importante que haja uma pessoa responsável para instruí- -la”, complementa a especialista.

Adolescentes – Os adolescentes brasileiros são os maiores usuários do Facebook (94%), Youtube (85%) e WhatsApp (84%), segundo levantamento de 2017 da Amdocs Brasil. Araújo Filho considera o uso irrestrito de WhatsApp uma armadilha. “Este aplicativo, quando bem utilizado, pode ajudar as pessoas, mas o que tenho visto é que se transformou num ambiente de fofocas e de desinformação”.

No caso de meninas adolescentes, há riscos em alguns blogs que até incentivam a anorexia e a bulimia. A bulimia é uma disfunção alimentar na qual a pessoa come excessivamente e depois tenta compensar com vômitos. A anorexia, também disfunção alimentar, é caracterizada por uma dieta insuficiente. Se não tratadas, podem levar à morte.

Sylvia explica que uma observação acurada do comportamento dos filhos no dia a dia é o melhor indicativo que algo não vai vem. “Por exemplo: como se alimentam, se vão ao banheiro logo depois de se alimentarem, humor oscilante tendendo à depressão; o modo de trajar buscando encobrir o corpo com vestes largas e compridas; desinteresse pelo que antes era atraente, prazeroso; baixa no rendimento escolar; fixar-se repetidamente na sua imagem refletida no espelho – tudo isso são sinais de que algo pode não estar bem com seu filho. O que fazer? Dialogar de forma aberta, cuidadosa e amorosa é a estratégia mais indicada,” afirma.

O promotor Castiglione explica que, uma vez constatado que a criança ou adolescente vivencia ou apresenta algum sintoma indicativo de vulnerabilidade ou abuso na internet, os pais devem incentivar o filho a falar livremente sobre o que está ocorrendo, sem externar comentários de juízo. Além disso, devem assegurar ao filho que ele fez muito bem em relatar o ocorrido, para que não se sinta culpado diante do que aconteceu.

Pais – Ana Braga sustenta que o problema não está na tecnologia em si. Para ela, são os pais que muitas vezes usam esses meios como forma de distração, sem dar a devida importância ao que pode despertar a curiosidade da criança. “As crianças chegam ao mundo e são apresentadas a uma enxurrada de situações e valores. São os pais ou responsáveis que muitas vezes acabam deixando as crianças em frente à televisão, tablet ou celular, sem se preocupar com o que está sendo transmitido”, comenta.

Araújo Filho explica que os pais devem ter educação digital. “Eles tem que parar de dizer que tecnologia é difícil ou pensar que só precisam aprender para controlar os filhos. Para mim, a tecnologia digital aproxima pais e filhos”.

Tratamento – No Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas (FMUSP) há grupos de atendimento psicológico para maiores de 18 anos e o Grupo de Orientação Continuada para Pais e Familiares de crianças, jovens e adultos. O grupo de apoio aos pais tem por objetivo esclarecer o comportamento dos filhos que fazem uso abusivo da tecnologia e ajudá-los a identificar recursos de resolução dos problemas existentes nas relações familiares.

O promotor Castiglione salienta que em casos de cyberbulling ou outros problemas, cabe aos pais oferecer proteção ao filho e adotar todas as providências necessárias para que o abuso termine, inclusive denunciando os fatos às autoridades.

 “Quando surgiu o problema do jogo da Baleia Azul, a Polícia Civil criou um vídeo no Youtube, no qual explicamos o que é o jogo e quem está por trás dessa prática criminosa. É um alerta para pais, jovens e professores”, finaliza Araújo Filho. << Com apoio de informações/fonte: Imprensa Oficial – Conteúdo Editorial – Repórter: Maria Lúcia Zanelli >>

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