Por Michel Wiazowski Rocha (*) 

Vivemos um período de transição, onde certamente a sociedade sairá fortalecida.  Vou compartilhar com vocês um pouco de minha recente experiência na Itália, onde senti na pele  o amadurecimento da engenharia social da “velha bota”, conquistado ao  longo de diversas crises, que remetem a períodos antes de Cristo.

Este paralelo traçado em Roma,  traz experiências que podem catalisar os avanços sociais e trabalhistas necessários ao crescimento econômico. Ao visitar monumentos como Coliseu, entrar no Vaticano e observar os muros que cercam a cidade antiga,  podemos perceber que cada um destes itens correspondem a um período da historia que terminaram e ou iniciaram com uma grande mudança na estrutura social.

A Itália traz este paralelo desde a época do Império Romano  até a “Operação Mãos Limpas” que esclareceu casos de corrupção na década de 1990.

Na geração atual e na nova se observa um perfil social e de trabalho diferente da nossa. O mais notório lá é que as coisas funcionam. O  nosso metro é mais bonito, o deles tem grafites, é mais escuro e mais sujo, mas lá funciona. Isto serve para tudo que é público, ruas, sinalização, normas sanitárias e etc.

Temos ruas mais largas, sinalização em maior quantidade, mas lá não precisa, basta por o pé na rua que os carros param para pedestres. Nossas normas sanitárias são muito mais rígidas, mas as de lá funcionam.

Imagine entrar em uma  loja de brinquedos, escolher na prateleira, ir para o caixa, passar o código de barras, pagar, embalar e sair sem ver nenhum funcionário. Para meus filhos foi tudo muito natural, para mim e minha mulher causou espanto.  Os mais jovens  absorvem as mudanças intuitivamente.

Praticamente tudo é auto serviço, tudo mesmo.  Veja o McDonald’s, nosso velho conhecido.  Vários totens gigantes substituem os operadores de caixa: o consumidor interage com o cardápio em uma tela touch screen, finalizam o pedido e efetuam o pagamento.  As lixeiras da loja são munidas de sensores que abrem um compartimento parecido com um tambor onde  compactam o lixo, separando líquidos e sólidos.  Simples, rápido e sustentável.

Impossível não comparar com o Brasil o tempo todo. Postos de combustíveis,   Metro, ônibus, Mercado, loja de brinquedos, Leroy Merlin,   Decatlhon e tudo onde nem imaginamos sendo possível,  o auto serviço funciona.

Lá este amadurecimento se deve ao longo de dezenas de séculos, mas aqui existe a demanda para este avanço, queremos um País melhor, onde a maior preocupação não é o quanto pagamos de Imposto, mas como ele esta sendo utilizado.

Todos  queremos trabalhar, pagar impostos e exercer plenamente a cidadania, queremos uma cidade limpa, onde tudo funcione e buscamos o melhor serviço buscando pagar o mínimo possível, ou pelo menos o que consideramos justo pelo serviço.

As empresas são cerceadas por normas protecionistas, temos postos de combustível com bombas preparadas para receber pagamentos, mas o auto serviço é proibido em abastecimento.

Lembram-se do esforço enfrentado pela prefeitura para iniciar o funcionamento da catraca eletrônica em ônibus, foi aceita desde que mantivessem o cobrador, lá não há catraca, abrem-se três grandes portas na lateral e todos entram e saem sem apertos, dentro tem os equipamentos para validar o ticket (similar ao instalado nos ônibus brasileiros), que também é comprado em auto serviço, não há guichê com funcionários.

Enquanto aqui as leis trabalhistas emperram o desenvolvimento econômico, lá, a moça do caixa cobra, depois prepara, entrega o pedido e limpa a mesa. Exatamente como um empreendedor faz.

Aqui as leis do trabalho enxergam tudo como desvio de função e encarecem os serviços, enquanto a lei é da metade do século passado, nós ficamos a margem trabalhando quase que dia e noite no escritório, em casa, por celular no restaurante, mercado quase que em plantão permanente.

Por que não regularizamos as coisas como deveriam ser, sem normas impossíveis, sem cálculos de impostos incompreensíveis, sem parecer que tudo são dificuldades para depois venderem facilidades

 Vamos regularizar a livre iniciativa, vamos colocar todas as regras de forma clara. Todos os empreendedores querem ser regulares, trabalhar de forma plena, e se preocupar em vender.

Claramente esta chegando uma nova turma, pessoas com pensamento e objetivos claros, buscando que tudo seja mais possível, mais honesto e produtivo.

Estou citando uma geração que entra no mercado há pouco tempo, mas com vontade de realizar, com honestidade e civismo, que querem o auto serviço, pois sabem que não fugirão de suas obrigações de pagar, que não acham errado ficar de plantão no serviço, mas querem reconhecimento. Reconhecimento pela sua produtividade, não se apegam a forma antiga, se desligam das 8 horas de CLT, mas buscam crescimento.

Todos nos ainda estamos buscando como demonstrar esta vontade, as manifestações de rua expressam que as pessoas estão descontentes, mas talvez ainda não tenha uma forma clara de enviar o recado.

Para catalisar este processo e não precisar aguardar séculos para esta transformação, a melhor forma é a união, estar envolto com uma entidade que traduza nossa forma de pensar e agir, que consiga transmitir e pressionar para que ocorram as mudanças que buscamos.

Este movimento é multisetorial, sem ligação com sindicatos, ou por alguém com credibilidade que consiga unir todos em busca de um objetivo maior.

Claramente a nova geração se dispõe a trabalhar mais, se dedicar mais, quer liberdade de escolhas. Busca realização profissional, quer empreender no seu segmento e certamente busca ser feliz, morar com segurança, saúde, com orgulho de sua comunidade.

Tenho certeza que chegaremos lá, nosso problema é quando. Para esta geração que anseia por conhecer estes benefícios, devemos nos agregar e termos uma voz unida e forte que consiga expressar nossa vontade as pessoas que regem nosso  País.

Ainda na atmosfera italiana, vou parafrasear  uma frase  do  filme  “O Poderoso Chefão” onde após  um tiroteiro (crise), um gânster diz ao outro antes de fugir: “deixe a sua arma (idéias protecionistas), traga o cannoli (desenvolvimento econômico)! ”  Que venham os cannolis!

(*) Michel Wiazowski Rocha é Mestre em Administração de Empresas e
    Superintendente da Distrital Nordeste da Associação Comercial de São Paulo.
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