O Hospital das Clínicas (HC) da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP) é a primeira instituição do mundo a realizar transplante de fígado para casos graves de febre amarela. Desde 28 de dezembro, a equipe de especialistas em Transplantes de Fígado conduziu cinco transplantes. “Essa é uma alternativa para devolver a esperança de vida aos doentes e evitar a morte”, comemora a médica-assistente Luciana Haddad, do Serviço de Transplantes de Órgãos do Aparelho Digestivo do HC.

O HC informou na 5ª feira (01/02/2018), que um dos pacientes faleceu. Os demais, permanecem na unidade de terapia intensiva (UTI). Todos têm idade entre 18 anos e 36 anos, e estiveram em Mairiporã, na Grande São Paulo, importante área de risco.

A técnica do transplante é indicada para situações graves de febre amarela. Os primeiros sinais da doença são febre alta, náusea, dor muscular e possibilidade de sangramento interno ou externo. “Após quatro a sete dias das queixas iniciais, alguns casos evoluem com piora neurológica, sonolência e rebaixamento do nível de consciência. São sinais de mau funcionamento do fígado e de insuficiência hepática aguda, semelhante à hepatite fulminante, o que exige transplante de fígado”, explica a especialista do HC.

Equipe do HC, responsável por transplante de fígado para casos de febre amarela

Cuidados específicos – O sistema público de saúde encaminha esses casos ao HC para transplante prioritário, devido a certos critérios de gravidade. “Pelo sistema estadual de transplante, aguardamos a identificação de órgão compatível. No entanto, como não há disponibilidade de doação de fígado (de falecido por morte encefálica) para todos os pacientes; existe o risco de morte”, alerta a médica Luciana Haddad.

A técnica para transplante de fígado nos casos de febre amarela é idêntica à de transplante indicado por outros problemas de saúde. “A única diferença é que esses pacientes exigem cuidados específicos antes e após a cirurgia. Eles fazem diálise, sangram bastante, recebem várias transfusões sanguíneas e apresentam disfunção renal”, alerta. Para o transplante, o HC da FMUSP reservou a UTI de moléstias infecciosas e alguns leitos de UTI na unidade de transplantes. Somente a estrutura montada para atender casos graves de febre amarela não é suficiente para salvar vidas. A médica observa que muitas mortes poderiam ser evitadas se a cultura do brasileiro reconhecesse a importância de doação de órgãos.

Ato solidário – “Esse ato solidário ainda não é suficiente para as necessidades no Brasil”, lamenta a médica Luciana Haddad. Ela aponta algumas razões para a negativa dos familiares diante da morte encefálica de um parente: questões religiosas e receio de deformação aparente do corpo na hora do sepultamento. “Após a cirurgia para retirada dos órgãos não há deformidade física”, esclarece.

Os especialistas do HC da FMUSP discutem os cuidados específicos de transplante de fígado em pacientes graves de febre amarela com médicos do Hospital de Clínicas (HC) da Universidade de Campinas (Unicamp) e do Hospital de Base de Rio Preto, ligado à Faculdade de Medicina de Rio Preto (Famerp). “Esses dois hospitais são referências regionais e realizam o transplante de fígado há muitos anos”, comenta a médica de São Paulo.

Na 5ª feira (01/02/2018), a Assessoria de Imprensa do Hospital de Clínicas (HC) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), informou que dois pacientes com febre amarela grave foram submetidos ao transplante de fígado, mas morreram. Uma pessoa, com indicação, aguarda a compatibilidade do órgão. A instituição realiza o tipo de transplante desde 1991. Até agosto de 2016, o HC registrou 790 cirurgias com sucesso.

200 leitos de UTI – “Até agora, não há nenhum caso urgente em Rio Preto e região que exija transplante de fígado relacionado à febre amarela. Estamos preparados para receber eventuais pacientes e ampará-los adequadamente”, informa Renato Ferreira da Silva, chefe da Unidade de Transplante de Fígado do Hospital de Base de Rio Preto. Ele conta que a instituição realiza o procedimento desde 1996, tendo operado mais de 600 pacientes.

O Hospital de Base é referência para 22 municípios de São José do Rio Preto e 2 milhões de habitantes. Sua estrutura inclui o Serviço de Virologia (composta por médicos especializados em vírus) e 200 leitos de UTI. “Nossa equipe de transplante é bastante experiente. Somos o segundo maior hospital universitário do Estado, atrás do HC da FMUSP”, comenta Silva.

Ele conta que no ano passado, Rio Preto registrou a morte de uma pessoa por febre amarela (um pescador que provavelmente foi infectado no distrito Mata dos Macacos). “Hoje, o problema de saúde está controlado”, diz Silva. << Com apoio de informações/ fonte: Viviane Gomes Imprensa Oficial – Conteúdo Editorial / Reportagem: Viviane Gomes >>

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