Imagine caminhar pelas ruas da sua cidade, bairro ou distrito e se deparar com diversos gatos em cada esquina, cruzamento, beco ou casa. Alguns deles estão alheios a sua presença e outros, atentos a cada movimento seu, correm em sua direção com miados característicos para suplicar algum afago ou comida.

Se esse exercício de imaginação lhe causou surpresa ou curiosidade, certamente você ficará admirado quando souber que na cidade turca de Istambul, a quarta maior do mundo, há uma imensa população de gatos nas casas, e principalmente nas ruas.

A antiga capital do império bizantino, cujo nome foi Constantinopla, é o cenário e pano de fundo do documentário “Gatos”, que estreou nos cinemas num simbólico dia 13 de julho, mas numa quinta-feira…

A diretora do filme, a turca Ceyda Torun, cresceu em Istambul e conviveu com os gatos da cidade até os onze anos. A respeito dessa convivência ela diz: “… acredito que minha infância foi infinitamente menos solitária do que seria se não fosse por conta dos gatos – e eu não seria a pessoa que eu sou hoje. Eles eram meus amigos e confidentes, e senti sua presença em todas as outras cidades em que já vivi”.

Esse sentimento de agradecimento de Torun aos bichanos aparece na cuidadosa produção. A bela fotografia é enriquecida com a luz peculiar da cidade, e  alterna-se planos gerais da metrópole e outros mais particularizados nos gatos, o que permite uma leitura clara do crescimento desordenado da cidade versus a natureza simples dos animais, mergulhados naquele turbilhão de prédios, carros e pessoas, em busca da sua sobrevivência. A câmera, por vezes, está na mesma altura dos felinos, e produz cenas divertidas e comoventes dos sete protagonistas desse documentário: os gatos Sari, Bengü, Psicopat, Deniz, Aslan Parçasi, Duman e Gamsiz. Cada um deles apresenta comportamentos distintos e relacionados à personalidade humana.

Outro bom insight do filme é amarrar as peripécias de cada gato com depoimentos de pessoas que se dedicam a alimentar os animais pelas ruas de Istambul. São testemunhos do mais profundo respeito e admiração pelo que receberam dessa convivência amistosa e, até certo ponto, mística e existencial.

Porém, o roteiro em momento algum questiona ou mesmo fornece pistas das condições de higiene na cidade com um número tão elevado de gatos e, tampouco critica a maneira como as pessoas alimentam os bichanos, muitas vezes, utilizando um cardápio de fazer qualquer veterinário torcer o nariz.

A música original foi composta por Kira Fontana. A pontuação marcante com marimbas e cordas, intercaladas com o pop turco, confere outro ponto alto desse documentário.

Com “Gatos” a diretora Ceyda Torun faz um tributo carinhoso aos felinos que povoam a sua memória emocional e de todos que se sentem recompensados pelo amor recebido desses animais, num mundo cada vez mais tecnológico e distante do contato com a natureza.

Assista o trailer do filme:  https://bit.ly/2wdKfuQ

SERVIÇO:

GatosDireção: Ceyda Torun – Gênero: documentário – Duração: 80 minutos

Classificação indicativa: livre –  País: Turquia/EUA – Ano de Produção: 2016

Onde:

Cinearte – Av. Paulista, 2.073 – Conjunto Nacional – Cerqueira César

Sessões: 14h00


Itaú Cinemas

Augusta (Sala 03)  

Rua Augusta, 1475 – Consolação – Sessões: 14:00 – 18:00 – 19:50

Capacidade: 171 lugares (4 cadeirantes + 1 obeso)


Shopping Frei Caneca (Sala 08)

Rua Frei Caneca, 569 – Consolação – Sessões: 16:30

Capacidade: 98 lugares (2 cadeirantes + 1 obeso)

Clientes Itaú com cartão Itaucard (50% de desconto no seu ingresso). Clientes Itaú Personnalité (50% de desconto no seu ingresso e acompanhante).

Em todas as salas o filme é legendado. 


 

(*) AGUINALDO GABARRÃO –  ator e dramaturgo. Iniciou em 1989 sua trajetória no teatro com o espetáculo “Halloween, o dia das bruxas”, do dramaturgo Nery Gomide. Trabalhou com diretores de diferentes estilos e gerações: Jayme Compri, Hamilton Saraiva, Fabio Caniatto e Antônio Abujamra entre outros. Atua também em treinamento corporativo, usando o teatro como ferramenta didática em sala de aula. Das peças que escreveu, atualmente está em cartaz com “Cândido, uma Poética Espiritual”.

Nota da Redação: As críticas publicadas neste espaço são de inteira responsabilidade de seus autores. As opiniões nelas emitidas não exprimem, necessariamente, o ponto de vista do “DiárioZonaNorte” e nem de sua direção.

 

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