O Governo do Estado de São Paulo publicou no Diário Oficial de 6ª feira  (6/10) o edital de chamamento público para a concessão do novo Ceagesp. Os interessados devem apresentar propostas para subsidiar o Estado na modelagem da licitação e um dos pontos principais é o estudo de alternativa de localização.

O chamamento público é para a realização de estudos visando à implantação, operação e manutenção do Novo Centro de Abastecimento Alimentar em São Paulo, em parceria com a iniciativa privada – o Novo Ceasa.

A medida antecede a publicação do edital de concessão em si. É uma etapa em que o Estado consulta o mercado em busca de propostas e soluções. Em seguida, com base nos estudos apresentados, será definida a modelagem e elaborado o futuro edital de concessão.

Podem participar do chamamento quaisquer empresas interessadas no projeto, entre consultorias, futuros concorrentes à operação, agentes financiadores, dentre outros.

Os participantes devem apresentar estudos de construção, implantação, modelagem operacional, econômico-financeira, jurídica e, principalmente, uma alternativa de espaço de funcionamento.

A busca por um novo endereço ocorre porque o Ceagesp atual, na Lapa, provoca gargalos logísticos, por se localizar em região de grande movimento dentro da cidade de São Paulo.

Para resolver essa questão, os participantes do estudo deverão procurar alternativas de localização conectadas ao Rodoanel Mário Covas por acessos já existentes, visando facilitar a chegada e a distribuição dos produtos comercializados no Novo Ceasa.

A proposta de uma nova localização deve apresentar dados sobre como poderá contribuir para melhorar o tráfego na cidade de São Paulo, com a mudança gradativa do atual entreposto na Lapa para a nova localização.   Estudos de impacto ambiental, eventuais desapropriações e possibilidade de uso do modal ferroviário devem ser considerados nas propostas.

Os interessados em participar do chamamento público terão 15 dias para solicitar autorização ao Governo do Estado de São Paulo, que terá cinco dias para publicar a lista de participantes aprovados.

Depois, os participantes terão 60 dias para apresentar suas propostas e o Estado mais 60 para avaliar as sugestões e chegar à modelagem final do edital. Os autores das propostas que forem efetivamente utilizadas pelo Estado na elaboração do edital de concessão serão ressarcidas pelo futuro concessionário no limite de até R$ 2,5 milhões.

No início de 2017, dois grupos diferentes apresentaram projetos para um novo entreposto.

NESP === Em  2016, o grupo Novo Entreposto de São Paulo (NESP),  uma alternativa criada pela iniciativa privada  para o abastecimento e comércio de hortifrutigranjeiros, protocolou um projeto  por meio de uma manifestação de interesse público (MIP)  junto  à gestão  Haddad,   que a tornou pública e abriu chamamento. Diferentemente de uma incorporadora,  a grande vantagem da NESP é que ela é formada por pessoas que tem vivência no ramo e que hoje, são permissionários no CEAGESP e conhecem todas as dificuldades que podem acontecer. O  nome técnico disso tudo? Experiência….

Como não houve mais interessados, o NESP  ganhou o processo, com o compromisso de custear a mudança (compra do terreno, edificações),  além da fazer reurbanização e obras no local.   A iniciativa chegou a receber sinalização de apoio financeiro do Governo Federal (proprietário da área da CEAGESP), porém as negociações não foram à frente e  o projeto do grupo de comerciantes seguiu de forma independente.

O NESP ocupará uma área de  1.606.285,00 m²  (que antes pertencia à CIA Melhoramentos de Papel e Celulose)  e está localizado próximo à Rodovia dos Bandeirantes, a 3 km do Rodoanel Mario Covas e a apenas 14km da Marginal Tietê .  Em dezembro de 2016, Haddad assinou o decreto do Projeto de Intervenção Urbana (PIU), elaborado pelo processo administrativo número 2016-0.163.343-9, que autoriza os usos e parâmetros requeridos pelo NESP para o terreno adquirido na região de Perus.

Um estudo elaborado pelo NESP indicou que a localização permitirá uma redução de 25% o tempo gasto pelos usuários no trânsito, em relação ao gasto atualmente. Além do acesso rodoviário, haverá também a opção de acesso através da Linha 7 Rubi da CPTM. O projeto prevê ainda, a construção de uma nova estação da CPTM  dentro do NESP.

Ao longo do segundo semestre de 2016 a idéia foi disseminada e conquistou a adesão de mais de 200 permissionários, menos de 10% das 3 mil empresas que  hoje mantém boxes na  CEAGESP.

Suzano entra na disputa ===  No dia 01/08 o prefeito João Dória realizou audiência com o  deputado estadual Estevam Galvão (DEM), sobre a  inclusão da cidade de Suzano, na disputa pela instalação da  CEAGESP.   Na oportunidade, o deputado apresentou ao prefeito e ao secretário municipal de Governo, Julio Semeghini, a proposta de instalação do entreposto em Suzano, juntamente com o estudo elaborado pela empresa Contern, comprovando a viabilidade da obra.  Na apresentação, o novo entreposto foi denominada como CLEMIR – Centro Logístico e Mercado Internacional.

O local escolhido para abrigar o CLEMIR – Centro Logístico e Mercado Internacional receberá mais de 50 mil pessoas, 12 mil veículos e 11 mil toneladas de alimentos frescos por dia. Hoje o local representa o maior centro de abastecimento de frutas, legumes, verduras, flores e pescados da América Latina. Os produtos chegam de 1,5 mil municípios brasileiros e 18 países.

Integração com o Complexo Intermodal Viamar e Via Leste ===   Se sair do papel, O CLEMIR – Centro Logístico e Mercado Internacional   deverá se tornar o maior mercado de alimentos do mundo e será instalada em  uma área de 2,5 milhões de metros quadrados (contra 700 mil metros quadrados na Vila Leopoldina), próximo à segunda alça do Rodoanel Leste, na Estrada dos Fernandes, a 40 quilômetros do Aeroporto de Guarulhos, 22 quilômetros do Ferroanel,  integrado ao Complexo Intermodal Viamar e Via Leste.

Empregos === Com a construção do CLEMIR – Centro Logístico e Mercado Internacional em  Suzano, a expectativa é que mais de 150 mil empregos diretos e indiretos sejam gerados, garantindo a retomada do crescimento econômico, geração de emprego e renda para toda a população suzanense e da região.  Nos próximos dias o deputado deverá se reunir novamente com o secretário Semeghini (que representa a Prefeitura neste projeto) e com o secretário estadual de Agricultura, Arnaldo Jardim, para dar sequência aos estudos.

Histórico ===   O Ceasa foi construído pelo Governo do Estado de São Paulo na década de 1960, quando a Lapa ainda era considerada um bairro mais afastado da cidade. Nos anos 1990, o espaço passou à administração da União, sob o atual nome de Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo (Ceagesp).

Desde que foi criado, o Ceasa/Ceagesp foi rapidamente engolido pelo crescimento da cidade ao mesmo tempo em que via crescer seu volume de negócios. Atualmente, passam pelo local pelo menos 7 milhões de toneladas de alimentos por ano, o que denota a escala regional/estadual desses serviços.

A competência pela gestão da logística de abastecimento e distribuição de alimentos é das três esferas do poder público, tanto que o projeto Novo Ceasa acontece em parceria entre União, Estado e Município de São Paulo.

Dada a característica metropolitana do abastecimento, coube ao Estado, no âmbito do acordo de cooperação celebrado com União e Prefeitura, a realização dos estudos e preparação da licitação, enquanto o município coordena um Grupo de Trabalho visando estudar alternativas de ocupação do atual terreno do Ceagesp, para quando ele for gradualmente transferido para o novo local.

 

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