• Desenho de Doria é apagado
  • Grafites foram finalizados
  • Mais grafites em outra área do Museu Aberto de Rua
  • Acidente de trem e mortes marcam o local
  • Galeria com fotos recentes dos locais e grafites

Nem duas semanas após o prefeito João Dória Jr. ter inaugurado o 1º Museu de Arte de Rua (MAR) – ver reportagem no link: http://bit.ly/2qu1PLR, no Tucuruvi, o que ele pintou foi literalmente apagado. No espaço que estava pintado de azul celeste, com o desenho de um grande coração vermelho,  foi coberto com tinta cinza e tirou a marca que perpetuaria a inauguração daquele espaço de arte. Em cima da tinta cinza foram desenhados alguns traços desconexos, sem características de grafite e até pintado de branco em cima das letras e rabiscos.  Segundo um morador do local, os próprios grafiteiros apagaram o desenho e acrescentou que a justificativa foi que “ aquele desenho era só para o momento das fotos com o prefeito, só para marketing”.

MUITA FESTA E DORIA DESENHA === Naquele domingo da inauguração (28/05/2017), depois de uma grande agitação por sua chegada no muro da Rua Moacyr Vaz de Andrade, Dória colocou a máscara e as luvas, aprendeu na hora como  manusear a latinha de spray da ColorGin, na cor vermelha,  e pintou um grande coração, simbolizando o “SP Bairro Lindo”. Usou até escada. E de cócoras, no pé do desenho, escreveu com tinta presta: “J.Doria – Grafite é Arte”. Ali deixou sua marca e, em seguida, deu depoimento sobre o espaço inaugurado, chamou os grafiteiros ao seu lado, tirou fotos e pediu para o Secretário de Cultura, André Sturm, falar sobre o evento. Muitos repórteres, gravadores de emissoras de rádio, cinegrafistas, fotógrafos e uma grande agitação. Foi festa!

O ESPAÇO DO GRAFITEIRO === Sem a companhia do “Coração” do prefeito Dória, os grafiteiros terminaram os esboços dos desenhos durante a inauguração. Aos poucos, foram sendo incorporados ao paredão. E neste final de semana, até domingo (11/06/2017), tudo estará encerrado e finalizado no 1º Museu de Arte de Rua. Mas comentava-se que “o Doria aproveitou o espaço de um dos grafiteiros e parece que ali ficou vago, sem mais interesse”. No paredão tem nove espaços de grafite terminados e somente o espaço em cinza sem o desenho – o que perde a continuidade do mural.

ACIDENTE DE TREM COM MORTOS === Na segundo trecho dos desenhos, os grafiteiros ainda terminarão os desenhos, neste final de semana. E o DiárioZonaNorte foi conferir como ficaram os desenhos, que ainda não foram mostrados, por inteiros.  Sérgio, um dos grafiteiros que está sozinho, terminando o seu desenho com uma porta de aço. Ele disse que terminará neste sábado e aí fecha a sequência. “Meu, um senhor passou aqui e disse que onde estou fazendo meu desenho foi onde aconteceu o acidente com o Trem da Cantareira, em 1944, e que teve mortos!”, falou espantado. E complementou: “Me dá receios e arrepios!”. Na história e nas páginas do jornal “O Estado de S.Paulo” ficaram o triste registro de 100 pessoas atingidas no descarrilamento do Trenzinho da Cantareira (Tramway), sendo que registrou-se 50 mortos. Uma tragédia que aconteceu às 17 horas do dia 25 de março de 1944, em uma das curvas onde hoje é a Av. Dr. Antonio Maria de Laet – e, por uma questão de coincidência do destino, próximo agora onde passam os trilhos do metrô na Estação Tucuruvi. Segundo relatos, “ as vítimas em estado grave eram amontoadas e transportadas de caminhão, não resistindo aos ferimentos e morreram a caminho do hospital”.

HISTÓRIAS DE OUTRO MUNDO === Já o jornalista e historiador da Zona Norte, Jânio Pires, relata histórias sobrenaturais envolvendo antigos moradores do local.  Havia relatos de moradores que afirmavam terem visto espíritos de gente que perdeu a vida no local, e que ali perambulavam. Outros viam luzes que apareciam de repente e desapareciam. Vozes e lamentações. Muitos outros relatos complementavam as “estórias”.  E os mais supersticiosos acabaram mudando do local. E o jornalista Jânio Pires lembra: “ À época, havia uma cruz que marcava o local da tragédia, onde os familiares das vítimas fatais depositavam fotos e acendiam velas em homenagem aos seus ente queridos. Hoje, não resta mais vestígio algum. Moradores antigos que vivenciaram o fato e nem mesmo os fantasmas que também desapareceram. Talvez, porque a realidade seja mais assustadora que os próprios fantasmas”.

 

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