Os grupos de troca,  compra e venda na internet vieram para ficar. Conhecidos como grupos de “desapego”, proliferaram no   Facebook e  no WhatsApp!.  Estão por todo o país e alguns deles chegam a ter mais de 50 mil seguidores.

Teoricamente funcionam assim: você tem algo que não quer mais e oferece no grupo. Alguém se interessa e os dois negociam.  Participam também profissionais liberais que oferecem seus trabalhos (faxineiras, marceneiros, montadores de móveis, carretos, boleiras, etc) e pequenos comerciantes.

Normalmente a finalização dos negócios de compra e venda se dão  nas  catracas de estações de  Metrô e trem, sendo o pagamento à vista.

Nem só de gente honesta vivem os grupos de desapego. O ambiente virtual é terreno ideal para a criminalidade e a pirataria, por garantir um certo anonimato por parte de quem vende.   Entre ofertas de eletrodomésticos usados,  móveis,  carros, roupas, telefones celulares,   membros de grupos em redes sociais oferecem cédulas de real falsificadas e cartões de crédito clonados.

Durante um mês, a equipe do DiárioZonaNorte monitorou vários grupos de desapego e contou com a ajuda de nossos leitores, que nos enviaram anúncios   transmitidos por meio de captura de tela de celulares.  Todos  os dias surgia um anúncio, em grupos de desapego de diferentes cidades e estados, oferecendo dinheiro falso.

Sim…  Os moderadores dos grupos combatem esse tipo de prática e tem regras contra as práticas ilegais. Excluem os anúncios, assim que são percebidos. Porém, a grande maioria não encaminha as  denúncias para a Polícia Federal,  como seria o ideal.  E os anunciantes são  normalmente, laranjas dos falsificadores.

A  maior parte dos grupos de desapego monitorados eram fechados, ou seja, você só entra e visualiza o conteúdo com a aprovação de alguém de seu relacionamento virtual que já pertença a ele.

O que mais espantou foi a “naturalidade” dos participantes dos grupos frente aos anúncios.  Várias curtidas,  pedidos de chamada in box,  adição de número de telefone no WhatsApp.

A falsificação de moeda ou papel-moeda é crime e tem pena de reclusão de três a doze anos, além de multa. A punição vale para quem fabrica e para quem repassa o dinheiro, conforme estipulado no artigo 289 do Código Penal.

As cédulas falsas são encaminhadas sempre via Correio, com pagamento antecipado.  Nos últimos dois anos, a Polícia Federal tem desenvolvido junto aos Correios um trabalho na tentativa de inibir a prática e prender tanto o falsificador, como o receptador. Os resultados ainda são tímidos.

Pirataria ===   Os anúncios de produtos piratas sempre tem algumas palavrinhas em comum: “primeira linha”, “replica”,  “com etiqueta”.   Se tratando dos grupos de desapego, os campeões de pirataria são os pares de  tênis de marca,  calçados femininos (Melissas são campeãs, seguidas por Channel e Prada),  bolsas femininas, smartphones e iphones. Alguns são vendidos como usados outros descaradamente como réplicas de primeira linha, “melhores que os originais”.

Cerca de três em cada dez brasileiros, de acordo com pesquisa da  FECOMÉRCIO RJ/Instituto IPSOS  procuram  produtos piratas, de forma consciente.   De acordo com o levantamento, o motivo principal para a compra é o baixo preço.

Quando falamos em pirataria, não é apenas a questão tributaria, a perda de divisas do pais e a arrecadação de impostos. Também não estamos falando do óbvio. Que o contrabando é um dos braços do crime organizado.

Vai muito além.  O uso dos calçados pirateados pode causar lesões nos pés, pernas e coluna. Óculos falsificados podem danificar a retina,  perfumes e cosméticos causam alergias.  Os celulares falsificados podem explodir e causar sérios problemas de saúde. O uso de aparelhos contrabandeados pode trazer riscos ao consumidor, já que não passaram por testes de irradiação eletromagnética e de bateria, além de não terem sido homologados pela Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações).

“Os aparelhos têm que ser testados e certificados. A homologação do aparelho confirma se ele funciona bem e se não vai gerar interferência em outras radiofrequências”, informou a agência, por meio da assessoria de imprensa.  Para o órgão, um dos principais riscos é a bateria desses produtos, que não foram avaliadas. Segundo a Anatel, seria necessário analisá-las para saber se não há riscos de explosão.

Também são oferecidos de forma ilegal, remédios para emagrecimento e suplementos para atletas de alto rendimento, de origem duvidosa.

Pirataria é crime, com pena de prisão que pode chegar a quatro anos, além de multa. Tanto para quem vende, quanto para quem compra.

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