por Aguinaldo Gabarrão (*)

Desde que o filme “Hereditário” estreou nos cinemas brasileiros, o público e a crítica, especializada ou não, dividiu-se entre elogios rasgados e uma retumbante decepção.

É compreensível essa polarização de opiniões porque a história, o encadeamento da trama e seu desfecho, exigem do público o exercício permanente para relacionar os acontecimentos e compreender a relação de causa e efeito que permeia o filme.

Segredos familiares ===  Após a morte da matriarca da família Graham, sua filha Annie (Toni Collette) começa a descobrir segredos cada vez mais aterrorizantes sobre sua mãe. E, na medida em que investiga o passado, seus filhos Peter (Alex Wolff) e Charlie (Milly Shapiro) sofrem a perseguição de forças sobrenaturais ligadas ao infeliz destino daquela família.

Logo na cena inicial, um estúdio no qual Annie constrói miniaturas hiper realistas, o diretor e roteirista Ari Aster – que dirige seu primeiro longa – dá pistas do que norteará todo o filme: a família é um simulacro, uma representação imagética mergulhada nos segredos da falecida avó.

A presença da avó ===   O roteiro de Aster instala o sobrenatural a partir de olhares e comportamentos da adolescente Charlie, alvo das preocupações da avó enquanto viva. Assim, o público é levado a concluir que a falecida logo se apresentará na trama, mas o roteirista oferece mais do que o óbvio.

O luto da menina, os problemas de relacionamento entre mãe e filho, o histórico familiar de esquizofrenias, são alguns dos elementos que engrossam essa sensação asfixiante da presença malévola da avó, que evoluem de maneira certeira para o clima de terror que se instala com as descobertas de Annie.

A boa escolha de atores = ==  A direção segura de Ari Aster abriu caminhos para a composição equilibrada do elenco. Os jovens atores Alex Wolff e Milly Shapiro dão o recado sem grandes percalços.

Para viverem o casal Annie e Steve Graham a produção de casting trouxe a atriz Toni Collette (O Sexto Sentido e A Pequena Miss Sunshine). Ela encontrou o registro adequado para transmitir o incômodo ambíguo de Annie com o filho Peter. Por sua vez, o ator Gabriel Byrne (O Homem da Máscara de Ferro e Fim dos Dias) reforça com tom moderado a única ponte de sanidade daquele núcleo familiar.

Terror psicológico ===  A direção de fotografia de Pawel Pogorzelski e a montagem de Jennifer Lame são dois outros trunfos importantes desta produção, pois conseguem a necessária graduação do clima de tensão e de uma permanente sensação de se estar deslocado daquele tempo e espaço, por meio de cortes abruptos, sobrepostos por outras cenas.

O filme Hereditário tem ainda o mérito de reunir uma importante característica do bom e verdadeiro filme de terror: a exteriorização do que há de mais cruel e inconfessável, guardado em nossas consciências.

Assista ao trailer do filme:

FICHA TÉCNICA

HEREDITÁRIO (Título original: Hereditary) – Distribuição: Diamond Films

Direção e Roteiro: Ari Aster / Direção de Fotografia: Pawel Pogorzelski / Trilha Sonora: Michael Brook / Montagem: Jennifer Lame / Produção: Kevin Scott Frakes, Lars Knudsen / Trilha Sonora: Colin Stetson
Elenco:  Toni Collette, Gabriel Byrne, Alex Wolff, Milly Shapiro, A. J. Moss, Ann Dowd, Austin R. Grant, BriAnn Rachele, Brock McKinney, Gabriel Monroe Eckert, Georgia Puckett, Gerry Garcia, Heidi Méndez, Jake Brown, Jarrod Phillips, Jason Miyagi, John Forker, Mallory Bechtel, Marilyn Miller, Mark Blockovich, Rachelle Hardy, Shane Morrisun, , Travis Sanchez, Zachary Arthur
Gênero: Terror psicológico, Suspense / Duração: 2 horas e 6 minutos / Cor: colorido
Classificação indicativa: 16 anos / País: EUA / Ano de Produção: 2018
Lançamento: 21 de junho de 2018 (Brasil)


(*) Aguinaldo Gabarrão, ator. Trabalhou com diretores de diferentes estilos e gerações. Adora cinema. Atua também no segmento corporativo por meio de cursos, treinamentos e palestras com as técnicas do teatro.


Nota da Redação: As críticas publicadas neste espaço são de inteira responsabilidade de seus autores. As opiniões nelas emitidas não exprimem, necessariamente, o ponto de vista do “DiárioZonaNorte” e nem de sua direção.

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