por Conceição Lourenço (*)

Eu, pessoalmente, não gosto da maneira de como estamos nos comunicando, hoje em dia pela internet. Sei que os tempos modernos exigem rapidez e praticidade, mas não tenho tanta pressa assim. Atualmente, se a pessoa vai dar uma festa, cria um grupo, na rede social, com o nome da festa e os telefones de todos os convidados. E o tal grupo fica no ar por uns bons 2 meses.

O  dono do grupo faz a pergunta: “Quem vai?”, aí existe a bonequinha (o) com a mão levantada (eu vou). Todos respondem por símbolos (ops, emotions), podem também postar uma carinha de dúvida (ainda não sei).

Existe símbolo para quase tudo: Estou na praia, vou dançar, estou com dor de cabeça, estou lendo, estou no computador, viajando, te amo (sic),triste, alegre, bravo, bandeira branca (pedindo paz kkkkk), beijos variados, estou com dor de cabeça, paz e amor, estou grávida, dormindo, aplausos, amém, ovo frito e por aí vai.

Sim nesses grupos (estou em 19) não faltam diariamente piadinha com a falta de título do Palmeiras e também com opção sexual dos são-paulinos. Há algum tempo, os símbolos, que eram genuinamente amarelos, ganharam tons. O usuário determina a etnia* que quer se comunicar..  Todos aderimos aos emotions com etnias variadas.  É bem divertido. Gostaria que existissem mais. Faltam uns mais românticos, faltam dos clubes brasileiros (quando eu falo clubes, quero dizer Corinthians).

Dia desses, um amigo negro, que não fala comigo há alguns anos, muito formal, me passou uma mensagem, falando do meu novo desafio profissional, se colocando à disposição e tal. Mensagem formal bem no estilo dele. Escreve muito bem. Respondi o mais rápido que pude com um pequeno texto. Em seguida ele me mandou um emotions de positivo (ok, já li), só que amarelinho, não liguei, estava em reunião e “toquei o barco”.

Em alguns minutos, ele me telefonou. Sim, pegou o telefone e me ligou, um pouco apressado, meio nervoso. Até me assustei. Ele só queria se desculpar  pela cor amarela da mãozinha que me mandou, contou que estava com pressa e que não prestou atenção e blá, blá, blá.

Posso não gostar dessa maneira de se comunicar, mas valeu por falar por telefone (como eu gosto) com uma pessoa tão querida e que informalidade e o tornou novamente formal, como eu gosto.

*Sei que muitos acham bobagem precisar se identificar com o que aparece na TV, nos comerciais, nas capas de revista, nos gibis ou nos emotions do whatts up ou facebook. Sei que parece bobagem. Mas não é.

Diversidade é muito importante em todos os setores. Imagina uma pessoa como eu, às vésperas de completar 60 anos, que durante toda a infância, praticamente, só teve Pelé como referência negra na mídia. Pra mim depois vieram Angela Davis e Clarence Williams III, outra hora falo mais sobre isso.


(*) Conceição Lourenço — jornalista há 35 anos. Passou por diversas redações e segmentos: Revista Exame, Infantis, Diário de São Paulo, Revista Bárbara, Uma, Chiques&Famosos, Ti-ti-ti. Dirigiu a Revista Raça Brasil. Fundadora da Cal Assessoria de Imprensa. Hoje é Assessora Executiva de Comunicação na Prefeitura Regional do Pirituba/Jaraguá.  << “Crônicas da Conceição”: nos finais de semana/sábados >>


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