Vinte e um dia após a primeira reunião (30/05/2017), no mesmo auditório da Prefeitura Regional Vila Maria/Vila Guilherme/Vila Medeiros, os representantes da Diretoria de Planejamento de Transporte/Superintendência de Planejamento e Especificação de Serviços e Assessoria de Articulação Comunitária, da São Paulo Transportes/SPTrans, retornaram para cumprir a promessa sobre as mudanças e cancelamentos de linhas de ônibus na Zona Norte/Nordeste, mais especificamente nas regiões da Vila Maria e Parque Novo Mundo. (Ver reportagens anteriores: SPTrans muda linhas de ônibus na Zona Norte      (26.05.2017) e “Erramos”, admite a SP Trans com itinerários alterados (31/05/2017)).

EXPLICAÇÕES E PROMESSAS === Na projeção do  data-show, na parede, a informação já anunciava uma pista:  “Vila Maria – Desativação das linhas 1156-31, 2171-10, 2175-10 e 2204-10”. E só não esperava o que estaria reservado para o final da reunião, depois de uma hora e meia de debate e reclamações de uma plateia de cerca de 80 pessoas, quase as mesmas pessoas do encontro anterior. Haveria uma reviravolta inesperada de tudo que foi discutido com a presença do vereador Camilo Cristófaro (PSB) e vários assessores. O que era uma reunião até então tranqüila se transformou em uma tumultuada sessão plenária da  Câmara Municipal de São Paulo,  com discursos, críticas à Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) e  muitas promessas de soluções.

O USO DAS PALAVRAS BONITAS === O começo até foi normal com abertura realizada pelo prefeito regional Dário José Barreto – que não permaneceu no local por ter outro compromisso externo, sendo representado pelo Chefe de Gabinete, Evandro Gilio — , que logo passou o microfone ao funcionário João Lindolfo Filho, da Assessoria Comunitária da SP Trans – que passou a conduzir os trabalhos, mostrando todo um gingado nos movimentos e no uso da língua vernácula.  Ele fez a apresentação da equipe da São Paulo Transporte/SP Trans: Rodrigo S. Alencar, Superintendente de Planejamento;  Vanderley  Pezzotta, da Gerência de Serviços; Sebastião Brás, gerente de Fiscalização; Adelbener Ferreira dos Santos e Christina Borges, do Depto. Serviços Comunitários.

UMA PLATÉIA SELETA === Novamente, várias lideranças da região estavam presentes, acompanhando o assunto: Otacílio Montagner (vice-presidente do Conseg de Vila Maria), Nelson Ferreira Filho (Conselheiro da Saúde), Adria Giaccheri  (Rotary Vila Guilherme),  Cristina Argenta  (Conselheira Fiscal da ONG Amigos Solidários do Movimento Popular Vila Maria e Região ) e Edson Fiore (líder comunitário)  — e outros líderes e representantes comunitários. Também acompanhavam a reunião,  Waldir Mazzei Carvalho (assessor Jurídico), Nelson Marques (coordenador de Esportes) e  Rafael Leitão (assessor de Comunicação) e Gilvan Carvalho ( Eventos) —   todos da Prefeitura Regional de Vila Maria/Vila Guilherme/Vila Medeiros.

SP TRANS JUSTIFICA === E assumiu a palavra o superintendente de Planejamento, Rodrigo S. Alencar, que em pé comandou o roteiro das telas do Power point, com resumo do que aconteceu nos questionamentos anteriores: (*) novas linhas criadas e as já existentes não cobrem todo o itinerário das linhas canceladas, além dos intervalos irregulares; (*) não há mais ligação  para a Praça da Sé; (*)  AME Maria Zélia (Belenzinho)  fica desatendida; e (*) as linhas de ônibus apresentadas como cobertura estão  sempre cheias. Em seguida mostrou uma pesquisa de sobe/desce de passageiros por viagem na linha 2175-10 (circular), onde pontuou o fraco movimento.  Em um dado momento, ele deixou claro que o que estava sendo falado ali  eram “decisões  técnicas” e que ouviriam  população para levar as informações à diretoria da SPTrans, que teria a decisão final.

MAIS EXPLICAÇÕES SOBRE ITINERÁRIOS === Sobre o AME Maria Zélia, informou que o local continua sendo atendido por  11 linhas de vários itinerários que circulam no local. E fechou a sequência com “Respostas aos questionamentos”, onde alinhavou: (*)  alteração do itinerário da linha 272N, prolongando-a até a Praça da Sé, com reprogramação horária,  diminuição de intervalos e aumento de da oferta de lugares (previsão para 01 de julho); (*) intensificação de fiscalização  na linha 272N-10, 2182-10 e 2161-10 (linhas de cobertura); (*) retorno das linhas 2161-10 e 2182-10 pela Av. Cásper Líbero, conforme solicitado (previsão em 01 de julho); e (*) manutenção de paralisação das linhas. Diante do exposto, Rodrigo deslocou-se para sentar-se à mesa e abriu às perguntas da platéia,  que se mostrava impaciente, com tempo estipulado em três minutos para cada fala.  Quinze munícipes se inscreveram para perguntas.

O POVO RECLAMA === Uma das primeiras reações da platéia  foi a forma como a pesquisa “entra e sai”, instrumento utilizado como base de decisão para criação de novas linhas e suspensão das antigas, foi conduzida. “Estão pensando na Sambaíba, não na população. Se a Sambaiba  não tem interesse em operar a linha, abram para as cooperativas”, disse uma voz na platéia.  “Como eu faço, saio para trabalhar às 5 da manhã e agora não posso chegar na Praça da Sé? Tenho que andar vários quarteirões. Corro risco de ser assaltada”, disse outra voz.

Também foi colocado por um dos presentes que com a substituição da linha  2174  Jardim Guança – Praça da Sé (com mais de quarenta anos) pela linha 2175-10  Parque Novo Mundo – Parque Dom Pedro I, deixou o bairro Jardim Guança  isolado.

A munícipe Andressa Xavier  lembrou que “faltou empatia. Se colocar no lugar do usuário.  No sacrifício que é andar um quarteirão para quem não tem mobilidade plena. Na dificuldade das pessoas mais velhas em  subir e descer de um ônibus  Que estão pensando na rentabilidade das linhas e não nas pessoas”.

Nelson Ferreira Filho (Conselheiro Municipal da Saúde) foi firme ao lembrar que “as avaliações não devem ser feitas em cima de questões pontuais. Precisa-se levar em conta se as mudanças atendem as  áreas periféricas da cidade” e “faltou trabalhar muito a divulgação do que seria alterado”.

Otacílio Montagner (vice-presidente do Conseg Vila Maria) também questionou a mudança da linha Vila Sabrina/Praça do Correio e lembrou “a grande luta para conseguir implantá-la há muitos anos atrás”.

O munícipe Rogério Marangoni  voltou a questionar “”como quem vive na região da avenida Guilherme Cotching (na Vila Maria) chega  até a praça da Sé?” Ele lembrou que “pegar o metrô é um  gasto extra para o usuário”.

Juverci de Melo, um munícipe que estuda com afinco o sistema de transporte da cidade de São Paulo, questionou novamente os critérios utilizados para a mudança no itinerário das linhas e voltou a lembrar que a mudança se deu por fatores “econômicos e não levou em conta o bem estar da população”.

DE OLHO NAS RECLAMAÇÕES === Diante dos protestos da população presente, João Lindolfo  Filho,  da Assessoria Comunitária da SP Trans, afirmou estar anotando todos os questionamentos feitos pela platéia e que eles seriam encaminhados para a “alta direção da SPTrans”.

VEREADOR CHEGA NO FIM === Quase no encerramento, já se preparando para a tradicional despedida “Do Obrigado e Boa Noite!”, acontece um burburinho com a presença inesperada de pessoas da comitiva do vereador Camilo Cristófaro (PSD). Até que a palavra foi dada ao vereador, que tentou falar mas não tinha informações do que ocorrerá no local. Ele se interou do motivo do encontro  com  Rodrigo S. Alencar (Superintendente de Planejamento da SPTrans) e foi categórico ao dizer à platéia que “levará o assunto direto ao Secretário Municipal de Mobilidade e Transportes, Sérgio Avelleda,  e que ”a população não será e não pode ser prejudicada”.

O vereador convocou os presentes para uma reunião no dia 29/06 (5ª feira – lugar a ser definido posteriormente) com o secretário dos Transportes e representantes da SP Trans  e afirmou que “este assunto tem que ser resolvido na hora e não com reuniõezinhas”.   Enquanto o vereador fazia uso da palavra, o assessor José Paulo distribuía cartões com os contatos do gabinete do vereador. Enquanto isto,  a  equipe da  SPTrans  permaneceu calada, já que a fala do vereador retirou toda a responsabilidade da equipe em marcar uma nova devolutiva ou apresentar uma ação mais concreta. O vereador dominou todo o final da reunião, fez críticas e falou de suas realizações.  << Nota da Redação: o gabinete do vereador está tentando antecipar a reunião e informações podem ser obtidas no telefone 3396.4409, com José Paulo >>.

Deste modo, a reunião chegou ao fim e sem ainda uma definição concreta de como ficarão os acertos finais para as linhas de ônibus. E aguarda-se a promessa do vereador – que ainda fez um anúncio extra para os presentes: “a seu pedido, o prefeito João Dória e o secretário Caio Megale concordaram em realizar um novo PPI (Programa de Parcelamento Incentivado) do IPTU que de forma inédita, incluirá débitos dos últimos cinco meses de 2016. Todo mundo poderá por suas contas em dia”.

QUEM É O VEREADOR === Camilo Cristófaro Martins Júnior  é advogado e foi eleito com 29,6 mil votos e se expressa sempre de forma incisiva.   Aos presentes,  falou de sua ligação com a Vila Maria e Jânio Quadros  e de suas visitas à “inútil cicloguachê  da Avenida Cerejeiras”, que afirma desativar em breve.  Camilo Cristófaro se elegeu tendo como plataforma a “indústria da multa”. É dele a fanpage intitulada “Cotidiano do Trânsito com Camilo Cristófaro”, onde publica vídeos sobre a situação do trânsito na cidade de São Paulo.  “Vivo e respiro o trânsito de São Paulo”, disse ele à platéia atenta.

Camilo Cristófaro é admirador confesso do Prefeito Jânio Quadros e  foi fundador da Juventude Janista quando tinha 18 anos. Já exerceu o cargo de  superintendente da CET (na gestão  Paulo Maluf –  em 1993).   Na gestão de Marta Suplicy foi diretor da Prodam –  Empresa de Tecnologia da Informação e Comunicação do Município de São Paulo). Os trâmites da Câmara Municipal de São Paulo lhe são familiares, por ter sido chefe de gabinete da presidência da Câmara nas gestões de Antonio Carlos Rodrigues (PR) entre  2007 e  2010  e de José Américo (PT) entre 2013 e 2014.

 

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