Luiz Melodia, um homem feliz!

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por Conceição Lourenço (*)

Parece que nasci fã de Luiz Melodia. O conheci pela televisão cantando Ébano no festival (1975), me identifiquei total. O primeiro show dele que fui foi no Projeto SP (quem é paulistano e tem mais de 50 anos sabe do que estou falando. O Circo, no Parque Augusta).

Não gostei do show ela tava sem voz, desconcentrado. Dividia o palco com Eduardo Dusek. Parecia que estava sem fôlego, mas eu me lembrei da letra da música Estácio, Eu e Você: “Hoje o tempo está mais firme, abre mais meu apetite, cura e seca minha bronquite, algumas folhas de hortelã”. Perdoei, é bronquite. Sempre o acompanhei, sempre. Minha adolescência é dele.

Já com 20 anos ele cantou Magrelinha, jurei que era pra mim, jurei. O suingue perfeito… até que um fui convidada para entregar um prêmio de melhor cantor do ano pra ele, foi a Afrobras que me deu essa honra (**). Foi tudo certinho, eu gaguejando, chamando ele de Negro Gato.

Foi lindo, a festa acabou, na Sala São Paulo, por volta de 10 da noite. Quem gosta de festa, é capaz de chamar pessoas pra comemorar uma festa. Assim foi. Fomos para um bar, no centrão de São Paulo, chamado Estadão. O hotel que ele estava hospedado era ao lado desse bar.

E lá ficamos tomando cerveja, de pé, das 11 da noite até 8:30 da manhã seguinte, sol quente. Eu, Álvaro (meu companheiro, na época), Ricardo Viveiros, Lourival, Ruth e LUIZ MELODIA. No começo, Jane, a mulher dele, também estava, mas foi dormir e disse pra ele: “Não demora”.

A maioria dos artistas vive num planeta irreal, Luiz não. Totalmente Terra, simples, engraçado, normal, feliz. As conversas variaram por todos assuntos. Mas eu me apeguei na música. Perguntei sobre a inspiração de Negro Gato. Ele cínico, irônico: “Comadre, essa música não é minha, é de Getúlio Cortes, o Roberto também gravou”, e riu.

Eu pirava. Já no meio da madrugada eu queria por que queria que ele confessasse que Magrelinha era pra mim. Ele, malicioso, deu uma olhada geral em mim, com aqueles olhos expressivos, me rodeando , riu, sacudiu a cabeça: “Comadre, você não é tão magrelinha assim…”. kkkk. Todos rimos. Aí disse que era para uma amiga e tal.

O Sol raiou forte, colocamos nossos óculos escuros e fomos embora, não me lembro quem pagou a conta, e também não tenho noção de quantas cervejas bebemos. Cheguei em casa muito leve, sem ressaca sem nada, apenas feliz. A mesma felicidade simples que Luiz passava pra gente.

Observação: a Crônica é uma homenagem ao cantor carioca  Luiz Melodia (Luiz Carlos dos Santos), que “fechou as cortinas do palco”  na semana passada (04/08/2017), com 66 anos de idade e  54 anos como cantor, compositor e ator.

(**) Na foto, Luiz Melodia segurando o Troféu Raça Negra da Afobrás — Sociedade Afrobrasileira de Desenvolvimento Sócio Cultural  — como melhor cantor. Conceição ao lado foi quem entregou o troféu. Junto,  o mestre de cerimônias, Haroldo Costa.


(*) Conceição Lourenço — jornalista há 35 anos. Passou por diversas redações e segmentos: Revista Exame, Infantis, Diário de São Paulo, Revista Bárbara, Uma, Chiques&Famosos, Ti-ti-ti. Dirigiu a Revista Raça Brasil. Fundadora da Cal Assessoria de Imprensa. Hoje é Assessora Executiva de Comunicação na Prefeitura Regional do Pirituba/Jaraguá.  << “Crônicas da Conceição”: às 6ªs. feiras >>

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