da RedaçãoDiárioZonaNorte

<< Em primeira mão >> ===  Macacos não ficaram famosos somente como atores de Hollywood na série de filmes. Por aqui, eles  também viraram sinônimo do vírus da febre amarela – que muita gente desconhecia, até então. Depois dos acontecimentos na Zona Norte —  que teve início em outubro do ano passado, no Horto Florestal e no Cantareira –, os macacos estão sendo coadjuvantes  de uma preocupação na saúde pública de São Paulo.   É importante destacar que macacos não transmitem a febre amarela para a população.   Esses animais são hospedeiros do vírus, transmitido de forma silvestre pelos mosquitos haemagogus e sabethes e a morte dos animais, funciona como um alarme para indicar a circulação do vírus em uma determinada região.   O  mosquito haemagogus, comum em regiões rurais e de mata. No ambiente urbano,  quem transmite a febre amarela é o  Aedes aegypti, o mesmo mosquito que transmite a dengue, após picar uma pessoa infectada com febre amarela silvestre.

Suspeita é confirmada === E agora, o pior aconteceu, no desenrolar dos acontecimentos: após 20 dias de análises no Instituto Adolfo Lutz, três macacos apresentaram laudo positivo para  febre amarela. Esses macacos foram protagonistas de uma nova cena, no dia 16 de dezembro passado,  e morreram no meio da Praça do Lions  Clube Tremembé, no bairro do Tremembé. Essa praça tem 12 mil metros quadrados e pouca coisa de atrativos – como alguns aparelhos de ginástica para idosos, uma fonte e uma trilha.

Um local residencial  ===  Desde outubro, 26 parques municipais e estaduais foram fechados nas zonas norte, sul e oeste da capital e na Grande São Paulo.    Fugindo do roteiro e deixando as matas dentro da Serra da Cantareira e chegando nas árvores de uma praça encravada no meio de vias públicas movimentadas, como a Avenida Nova Cantareira,  ao lado de residências entre as ruas Maestro Pedro Jatobá, Conchita e Manoel Tristão, com muitas residências.

A surpresa: macacos mortos  === E como um bom enredo,  tem muita gente circulando ao lado da praça e ela é frequentada por crianças e idosos.  O empresário e fotógrafo Marcelo Xavier, morador da região,  faz suas caminhadas esporádicas no meio das árvores da praça. E foi ele que se deparou com os dois macacos mortos – e o terceiro caído no chão e ainda agonizante. Preocupado, sacou o celular e ligou imediatamente para a Guarda Civil Metropolitana Ambiental.

Análises Oficiais === Dois agentes ambientais recolheram os animais mortos  e encaminharam ao Centro de Manejo e Conservação de Animais Silvestres – CeMaCas -, ligado à Secretaria do Verde e do Meio Ambiente (SVMA), Parque Anhanguera (Zona Oeste). Nestes locais, os animais feridos e capturados na Grande São Paulo são recepcionados e recebem os primeiros cuidados. Em casos especiais de animais mortos – como os macacos – são feitas as autópsias e, nestes casos, com encaminhamentos para análises e laudos do Instituto Adolfo Lutz.

Novos casos  === Segundo fontes ouvidas por este jornal,  há rumores de que mais de 30 macacos foram encontrados mortos recentemente na Serra da Cantareira. A Secretaria Municipal da Saúde tem conhecimento de 40 macacos mortos na Zona Norte e um na Zona Sul, em dados atualizados até 6ª feira (05/01/2018), segundo informações do plantão de sua Assessoria de Comunicação. Quanto aos três macacos mortos na Praça do Lions, informou que não tem conhecimento e que aguarda informações. Por outro lado, o assunto foi levado ao conhecimento do plantão da Assessoria de Imprensa da SVMA, responsável pelo CeMaCas. Veja a nota oficial da SVMA, no fim da matéria.

Falta de Comunicação  === Já uma fonte ligada ao governo  municipal  comentou que há um problema de comunicação interna nos dois governos —  municipal e estadual (que curiosamente pertencem ao PSDB):  “Veja é um assunto sério, que começou pequeno e está se alastrando, do interior para a capital, e agora retornando a outros municípios. Deveria haver uma preocupação maior, entre as duas Secretarias de Saúde e a do Verde e do Meio Ambiente.  Até agora, não vimos a divulgação de uma reunião entre eles, nem mesmo coletiva, tão pouco comunicados conjuntos e abertos mostrando a verdade. Cada um fala no seu canto!”. E ainda comentou que “é preferível mostrar a realidade de quantos macacos estão morrendo e onde estão morrendo”. Ele acha que depois a verdade pode ser outra e é mais difícil mostrar o que está acontecendo de verdade.

Saúde faz uma parte  === A realidade é que a Secretaria Municipal da Saúde está se esforçando ao máximo. Foram disponibilizados todos os recursos materiais e de profissionais para os mutirões em horários, dias, finais de semana e feriados para atingir a meta de 2,5 milhões de vacinações na Zona Norte – que até agora não atingiu 1,5 milhão.  Isto mesmo com os esforços de equipes ligadas às Unidades Básicas de Saúde (UBS) e Supervisões de Vigilância à Saúde (Suvis), que foram mobilizadas em mutirões — até nos finais de semana — para percorrer lugares mais afastados, nas periferias. Nos bastidores, comenta-se que todo esse esforço – no começo até com as filas quilométricas – não foi acompanhado de uma estratégia de comunicação coordenada pelos  dois  governos  com campanhas publicitárias em rádio, televisão e impressos.

As informações que a população tem acessos são originárias da chamada “mídia espontânea” – noticiário de jornais, televisão, rádio e portais de noticiais – como o DiárioZonaNorte  e das campanha realizada pelas equipes de saúde – que vão de casa em casa e chegam a usar megafones para convocar a população para a vacinação.  “Afinal, estamos atravessando uma  emergência  de saúde pública. Tem que mobilizar todo mundo. Quero ver agora como será o resultado destes novos casos em área urbana, junto às residências”, comentou um líder comunitário.

Retrospectiva  ===  Convencionalmente, a vacina contra a febre amarela é indicada apenas aos moradores de regiões silvestres, rurais, de mata e ribeirinhas e para aqueles que vão viajar a esses locais ou os que estão classificados como regiões de risco.   A ampliação da vacinação contra a febre amarela se deu após um macaco do tipo Bugio ter sido encontrado morto no Parque do Horto e os exames sorológicos e histoquímico das amostras do primata terem confirmado em 20 de outubro de 2017,  a presença do vírus da febre amarela.    Em tempo recorde, foi tomada a decisão sobre  fechar para o público o Horto Florestal e o Parque da Cantareira,  as vacinas foram disponibilizadas pelos órgãos oficiais e a equipe  da  Coordenadoria Regional de Saúde – CRS  Norte,   Coordenadoria de Vigilância em Saúde – COVISA, SUVIS Jaçanã/Tremembé e SUVIS Santana/Tucuruvi montaram um esquema emergencial de vacinação para os moradores do entorno e para aqueles que frequentaram o parque desde o último dia 9 de outubro (data da morte do macaco tipo bugio).

A ação foi um verdadeiro esforço de guerra e envolveu uma logística complexa. Além da vacinação foram feitas ações de nebulização (fumacê) na Vila  Amélia e nas proximidades do Horto Florestal, já que a febre amarela silvestre (FAS) é transmitida pelos mosquitos dos gêneros Haemagogus e Sabethes  e a febre amarela urbana (FAU) é transmitida pelo Aedes aegypti, o  mosquito da dengue.

Ampliação da vacina para o todo o estado  === Em 2017, a  capital não registrou nenhum caso de febre amarela  silvestre originário na cidade. Ainda em 2017, foram registrados no município  12 casos importados de febre amarela silvestre. Não há casos de febre amarela urbana (que é causada pelo mosquito da dengue) no Brasil desde 1942.   A Secretaria da Saúde do Estado de São Paulo,  determinou no último sábado (06/01/2018), que a vacina  será  disponibilizada por segurança,  pra todo o estado.

Em nota, a Secretaria Estadual da Saúde informou que, desde  2017 até a primeira semana de 2018,  foram confirmados 27 casos de febre amarela silvestre em humanos no estado de São Paulo.  Destes,  12 pessoas morreram, sendo dois   dos pacientes infectados em Mairiporã.  Uma terceira paciente, também infectada naquela região,  esteve na cidade  a trabalho e  está internada no Hospital das Clínicas em São Paulo,  em estado grave.  Ela passou por um transplante de fígado – o primeiro da história realizado em decorrência da doença, que avança muito rápido lesionando o órgão.  Seu estado ainda é grave.  Na mesma nota, informou ainda que localizou em todo o estado de São Paulo   2.588 primatas mortos entre julho de 2016 e dezembro de 2017 e que 595 destes primatas tiveram a contaminação por febre amarela silvestre confirmadas.

Nota da Redação:   Até o fechamento desta matéria, 19h30 de domingo (07/01/2018), não houve retornos oficiais das Secretaria Municipal da Saúde – que pode responder nesta 2ª.feira. Não foi possível localizar o plantão da Secretaria Estadual da Saúde; e no Instituto Adolfo Lutz não havia ninguém da área para responder pelo assunto. Já a Secretaria Municipal do Verde e do Meio Ambiente atendeu prontamente por telefone e respondeu por telefone “que sua responsabilidade é com os parques” e “o restante deve ser com a Secretaria Municipal da Saúde, que deve se pronunciar” – inclusive sobre o laudo do Instituto Adolfo Lutz – e ratificou por e-mail:  ” A Secretaria do Verde e do Meio Ambiente informa que mantém como medida preventiva a manutenção de parques fechados em áreas de risco”. E acrescentou um informativo/release da Secretaria Municipal da Saúde, que foi distribuído em 26/10/2017 pela Secretaria Especial de Comunicação-Secom/PMSP sobre as ações da prefeitura na prevenção à febre amarela – que reproduzimos abaixo:

http://www.capital.sp.gov.br/noticia/febre-amarela-2013-informacoes-ao-cidadao 

 

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