por Conceição Lourenço (*)

Acho que quando eu nasci já existia escada rolante, pois   minha mãe era muita cuidadosa com a gente na escada das Lojas Americanas, da Rua Direita, nos anos 1970, ou na Galeria Prestes Maia. Essas eram as duas únicas escadas rolantes que eu conhecia.

Foi me dito que  deveríamos prestar muita atenção na hora de  sair das escadas. Existe um tipo de grade e reza a lenda que algumas pessoas já ficaram presas ali. O pé vai pra dentro da escada.

Vou contar isso para que sirva de alerta. Dia desses, era uma sexta-feira. No fim da manhã, parei o trabalho e fui ao Shopping Santana Parque, perto da minha casa,  resolver umas coisas: fazer as unhas, pagar uma conta, comprar um presente de aniversário, e resolvi almoçar lá, ou seja, a sexta perfeita.

Depois de tudo rapidamente feito, fui descer de um piso para o outro, de escada rolante. Logo que pisei na escada, descendo, senti uma pressão, alguém me puxando para baixo. Era a escada rolante comendo minha saia pela barra (saia bem longa, de malha fina), na lateral da escada. Eu ia descendo, mais a saia ia  rápido.

O pânico foi muito grande: não sabia se ficaria nua (ficaria com vergonha), não sabia se a pressão seria tanta que eu iria cair e me machucar de verdade, ou até mesmo morrer, se caísse daquela altura. São 30 segundos, talvez nem isso, e a saia indo… Soltei os  objetos e comecei a puxar a saia com toda força. Uma lojista viu veio ao meu encontro desesperada, no pé da escada.

Nenhum segurança. Venci a escada. Recuperei a saia, toda esfarrapada, feito uma bruxa. Eu me parecia com uma bailarina do clipe Thriller, de Michael Jackson, toda rasgada.

Fiz tudo errado. Entrei no salão de beleza, no pé da escada, e pedi uma tesoura. Recortei a barra da saia e voltei pra casa, nervosa. Depois, com mais calma, me dei conta de que teria de voltar lá (ou via internet) e fazer uma representação. Foi acidente.

Assim eu fiz. Liguei e fiz uma carta.  Recebi uma resposta vazia, onde diziam dos avisos que precisam ser seguidos. Nos avisos não nos alertam para a barra da saia. Não sou avoada, nem distraída. Não caminho falando no celular.

Eita, que sirva de alerta para outras  saias longas!


(*) Conceição Lourenço — jornalista há 35 anos. Passou por diversas redações e segmentos: Revista Exame, Infantis, Diário de São Paulo, Revista Bárbara, Uma, Chiques&Famosos, Ti-ti-ti. Dirigiu a Revista Raça Brasil. Fundadora da Cal Assessoria de Imprensa. Hoje é Assessora Executiva de Comunicação na Prefeitura Regional do Pirituba/Jaraguá.  << “Crônicas da Conceição”: nos finais de semana/sábados >>


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