da Redação DiárioZonaNorte ===

“Quanto riso, quanta alegria, mais de mil palhaços no salão…”, “Ui, ui, roubaram a mulher do Rui…”,”Mamamãe eu quero, mamãe eu quero mamar, dá a chupeta…” e muitas outras marchinhas sadias de velhos Carnavais já passaram pelo Jardim São Paulo, na Zona Norte da cidade.  Durante três anos,  sob o comando do bloco Unidos do Jardim São Paulo,  as famílias e suas  crianças puderam ter um dia de Carnaval  sadio nos arredores da Praça do Parque Domingos Luiz, ali do lado do Metrô Jardim São Paulo/Ayrton Senna.

Diferente === Desta vez, tudo mudou. A praça foi tomada, neste sábado (17/02/2018),  por uma quantidade de jovens que só queria saber de bebidas.  Além dos pontos de venda de latinhas de cerveja Skol – patrocinadora oficial do Carnaval de Rua de São Paulo – trazidas em caixas de isopor , o que mais se viu foram menores de idade e  jovens carregando energéticos e garrafas de uísque (algumas 12 anos sabe-se lá, saídas de onde), vodka. “Fogo Selvagem”, “Catuaba”  e estranhas bebidas confeccionadas às pressas. Todos à espera do Bloco de Carnaval  Pequeno Burguês, fundado em 2015 por moradores da região do Lauzanne Paulista  e estudantes da Pontíficia Universidade Católica (PUC) para alegrar as famílias da Zona Norte.

Três mil pessoas === Calcula-se que mais de três mil deles estavam reunidos no meio da praça, espalhados no meio do  mato alto e nas laterais entre as ruas Carlos de Laet (ao lado do Centro  Empresarial Jardim São Paulo) e da Joaquim Norberto. Alguns jovens fantasiados com a roupa do corpo ou algo que chamasse atenção descolando mais o corpo, mas o copo e garrafa na mão.

Carnaval dos cartazes === Outros juntaram os cigarros “alternativos” mais longe dos olhos de curiosos.  Mocinhas com mensagens penduradas no pescoço: “Não tô disponível, mas agradeço  pelo gostosa” ou “Caso com o amor de sua vida em três dias”. Mas o que prevalecia eram os cartazes de “Aceitamos cartões de crédito e débito”.

Crianças === O pouco de Carnaval era lembrado por algumas pessoas mais idosas, algumas poucas famílias e crianças que tinham alguma serpentina nas mãos e o spray de “espuminha” branca. Quase nenhuma das fantasias tradicionais ou criativas. Mas muitos penduricalhos no corpo e nas cabeças. E prevalecia os cartazes com mensagens de jovem para jovem. Até lembrou uma senhora ao comentar em um grupo parado: “Esse pessoal não está a fim de Carnaval, vieram para beber e  encontrar namorado. Mas parecem que os rapazes não sabem nem onde estão!”. Do pessoal mais velho, dos frequentadores  dos  carnavais passados, ficou o lado da perplexidade.

Enfim, o samba == Por volta do meio dia começaram a chegar jovens por todos os lados da praça, chegando a pé, de carro ou saindo da estação do metrô. Muita gente por todos os lados. Às 13 horas era previsto um “esquenta”, mas nada aconteceu. Os instrumentos da bateria começaram a ser descarregados por volta das 15 horas. E somente meia hora depois, no meio da rua, começou a “esquentar” a batucada. Pouco tempo depois, apareceu o estandarte do “Pequeno Burguês” nas mãos de uma  jovem, em  meio a uma  multidão de gente que se aglomerava à batucada.

Profecia Maia === Em seguida, apareceu um cartaz oficial – preso em um cano improvisado – com o rosto de Tim Maia anunciando  “O Carnaval do Fim do mundo”, na profecia Maia. Junto com o estandarte dançava nas mãos de um senhor no meio das pessoas.  E a batucada foi em um ritmo forte, já com pessoas mais assistindo do que fazendo os passinhos de  dança carnavalesca  com os braços levantados.

 

Sem o Conselho Tutelar === Mas a bebida continuava sendo o fator mais importante da festa.  E ao redor de todos, vários policiais militares e da guarda civil  — em viaturas, motocicletas e  uma Base Móvel — para  manter a ordem. Mas em momento algum houve intervenção deles, só observavam à distância, com seus braços cruzados e olhos atentos.  Nenhum representante da Vara da Infância e Juventude ou mesmo do Conselho Tutelar de Santana/Tucuruvi/Mandaqui.

Acompanhamento ===  Correndo de um lado para o outro a Assistente da Prefeita Regional de Santana/Tucuruvi/Mandaqui, Luciana Capello, ao lado do Coordenador de Governo Local, Isac Lima, que controlavam a organização do bloco carnavalesco e os fiscais da prefeitura para não ter invasão de vendedores ambulantes não autorizados e para garantir o cumprimento do horário estipulado.  O caminhão do trio elétrico não estava no local. E chegou somente em cima do horário do desfile, às 16 horas. Fora do horário combinado e atrasado, certamente!

Trio elétrico === No meio do povo que tomou a rua, ele foi se posicionando. Com meia hora de atraso, finalmente o caminhão se movimentou e a bateria do Bloco Pequeno Burguês pode seguir, inicialmente com músicas que não fizeram parte do repertório de  Tim Maia, em ritmo de Carnaval.  Em momentos, não dava para identificar o que se tocava e o que se tentava cantar, dada a qualidade do som.  E assim foi se movimentando, com as motos dos policiais da Rocam e os agentes da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) à frente para bloquear as ruas e conduzir o cortejo pelo trajeto.

Trajeto alterado === Mas notou-se logo na primeira esquina da praça — quando o caminhão entraria à direita contornando em sentido da Paróquia Nossa Senhora Aparecida –, uma mudança radical, desviando o cortejo à esquerda em sentido da Avenida Leôncio de Magalhães. Fora do roteiro previamente divulgado.  E  houve somente uma volta no pequeno quarteirão, retornando à Rua Carlos de Laet, ao lado do Centro Empresarial — o ponto inicial. Um quarteirão somente de desfile no trio elétrico — quando o roteiro original previa o entorno completo da Praça Parque Domingo Luiz, entrada na Rua Castro Maia (parelela do Metrô),  esquina com a a Rua Pedro Madureira com saida à direita pela Av. Leôncio de Magalhães e chegada ao ponto inicial da Rua Carlos de Laet – ao lado do Centro Empresarial. Neste roteiro previa-se duas horas de cortejo “atrás do trio elétrico” — deu a metade, uma hora somente.

Chama o Síndico === Somente neste ponto houve cantorias com músicas conhecidas de Tim Maia, com o comando dos puxadores de samba, que encontravam-se na parte debaixo do trio elétrico – em cima não foi permitida o ingresso de ninguém, por medida de segurança. “Vamos gente, vamos lá com o Síndico!”, gritou-se. E o pessoal soltou a voz neste e depois em outras canções marcantes do artista, que tinha bonecos com o rosto dele – e também de um boneco representativo dos Maias – dançando junto à massa que ia atrás do trio elétrico.

Movimento na praça === Mas mesmo com a saída do trio elétrico no pequeno roteiro, que foi alterado, outra metade de jovens – junto às garrafas de bebidas – continuaram em grande número no meio da praça — “para eles não tem carnaval, tem outras coisas”, comentou-se. Somente uma parte se comprometeu em caminhar e dançar atrás do trio elétrico. E às 17h30 o caminhão parou ao lado da praça, onde por mais meia hora teve um pouco mais de músicas e do Bloco Pequeno Burguês,  já que o término do desfile foi fixado pontualmente às 18 horas — um dos “puxadores” de músicas chegou a falar ao microfone: “Temos que parar as 18 horas, não podemos passar!”.  Houve a dispersão, mas o público continuou na praça e nas ruas do entorno, até com algumas caixas de som onde se continuou a ser ouvida um pouco de música funk junto com algumas dancinhas.

Encerramento === Não houve confusão, mas as marcas do acontecimento e da sujeira ficaram pelo chão – com muitas garrafas, latinhas e copos – que o pessoal da Inova estava encarregado de limpar. E o público se dispersou pelo bairro, com muitos seguindo até a Av. Luiz Dumont Villares – “a velha Avenida Nova” – onde se tentava criar um ambiente carnavalesco-funk com grupos de jovens, mas a segurança policial estava no local desde o começo da tarde e impediu qualquer movimento neste sentido. Mas uma grande movimentação de muitos jovens ficou passeando entre a Praça Renato de Araújo Sampaio e pelo “shoppinho” da “velha Avenida Nova”, até do outro lado no Posto Shell com o Burger King. Essa turma (mais a fim de baile funk do que Carnaval) promete retornar no domingo (18/02/2018). Neste local, no sábado anterior (10/02/2018) houve muita confusão com mais de 2 mil jovens que badernaram e tiraram o sossego de muitos moradores da região, sem ter sido mantida um esquema de segurança preventivo que deveria ter o pedido da Prefeitura Regional Santana/Tucuruvi/Mandaqui — nem fiscalização na venda de bebida alcóolica de procedência duvidosa, à beira da calçada — que já vem se repetindo todas as semanas. Leia mais detalhes na reportagem publicada pelo DiárioZonaNorte — clique no link: http://bit.ly/2nZTSKd

Veja a cobertura fotográfica completa clicando  aqui – na Fanpage do DiárioZonaNorte

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