da Redação DiárioZonaNorte ===

O futuro é hoje. Lá se foram os tempos de Flash Gordon e 20 Mil Léguas Submarinas, e tantos outros de ficção científica já dentro da era digital. Uma evolução ocorreu em todo esse tempo de mocinhos e vilões, antecipando uma revolução na era tecnológica. O  que eram as chamadas impossibilidades de futuro se tornam hoje realidades.

Na noite da última  5ª feira (22/03/2018), o evento “Pensando a Cidade – Aplicações do Blockchain no setor público”,  reuniu cerca de 50 convidados  no espaço Totvs (na Casa Verde – Zona Norte/Nordeste),  para discutir  os ganhos do  uso desta  tecnologia do  nos serviços públicos e os consequentes benefícios na vida da população.

O encontro foi uma  iniciativa do vereador Police Neto (PSD) e da Incubadora de Projetos Cidade VivaPolice Neto é autor da Lei 14.688, que criou o fundo de Inclusão Digital e Inovações Tecnológicas e também é o criador da Hackathon – Maratona Hacker de Dados Abertos da Câmara Municipal,  uma competição para estimular o uso criativo dos dados públicos da Câmara de Municipal através da criação de aplicativos web que façam o uso criativos desses dados.  A iniciativa contou com a  parceria da  Open Knowledge Foundation – Brasil e o W3C Brasil

Para falar sobre a tecnologia   blockchain, foram convidados  três  especialistas da área: Carl Amorim (engenheiro, MBA em Finanças e Pós em Marketing), que há 11 anos trabalha nas organizações em rede e uso de tecnologia para eficiência em processos e na articulação de organizações  baseadas no blockchain;  Helena Margarido (advogada pela PUC-SP,  LLM – Latin Legum  Magister –  pela Universidade de Illinois/EUA e Universidade Católica Portuguesa), mais de 15 anos de experiência no mercado na GP Investiments,  PwC e Banco Itaú,  sócia  do escritório SuM Law e co-fundadora do Instituto Bitcoin Brasil); e Pedro Saulo (programador, instrutor  do ActionScript e desenvolvedor Java), após se formar, passou a desenvolver aplicações móveis e, a partir de 2008, com sua empresa e tem estudo tecnologias emergentes, como o blockchain.

Na  platéia,  representantes das Secretarias Municipais de Inovação e Tecnologia e do Trabalho e Empreendedorismo, engenheiros, administradores de empresas, advogados, jornalistas e membros da sociedade civil.

Police Neto   abriu o evento, explicando que  o serviço público  precisa ser ágil e seguro e essa agilidade e segurança passam pela tecnologia. As transações registradas em um sistema “blockchain” são públicas e acessíveis por seus usuários, o que torna o sistema mais transparente.   Essas operações são registradas em ordem cronológica, como em um livro-razão contábil,  de forma a garantir a validade e a verificação de cada etapa praticada dentro do sistema.  Desde que o usuário tenha acesso a esse sistema, também terá acesso às informações.

Antifraude === Para o serviço público existiria a garantia da integridade dos dados, rastreamento infinito e preciso dos dados, segurança de armazenamento,  certificação, padronização e legibilidade por pessoas e máquinas.   Baseado na  migração dos sistemas para  “blockchain”, documentos de fé pública (certidões, registros de pessoas e imóveis), bases de dados, prontuários médicos, carteiras de vacinação, históricos funcionais e escolares,  processos de licenciamento e licitação com cada elemento certificado do começo ao fim, são exemplos de possíveis usos no serviço público,  evitando-se  sobretudo fraudes. Outro campo fértil para o “blockchain”  no setor público é o da transparência das receitas e despesas públicas. Controles inteligentes e seleção de cadastros inteligentes serão possíveis com o “blockchain”.

Durante a exposição dos palestrantes, os presentes foram apresentados aos conceitos do  “blockchain” e descobriram que eles vão  muito além do  “bitcon” (moeda virtual criada em 2008) e a primeira a usar criptografia. Ao contrário das moedas físicas, como o real, o “bitcoin” não é emitido pelo Banco Central de nenhum país.

Cadeia de blocos === Por  analogia, o “blockchain”  é uma entrada de contabilidade financeira ou um registro de uma transação.  O  sistema é formado por uma “cadeia de blocos”.   Um conjunto de transações é colocado dentro de cada um desses blocos, que são trancados por uma forte camada de criptografia.

Por outro lado, o “blockchain” é público, ou seja, qualquer pessoa pode verificar e auditar as movimentações registradas nele.    Cada bloco é ligado ao anterior por um elo, um código chamado “hash”, que é  uma função matemática que pega uma mensagem ou arquivo e gera um código com letras e números que representa os dados que o indivíduo inseriu.

Impressão digital === Basicamente, o hash pega uma grande quantidade de dados e transforma em uma pequena quantidade de informações. É o  hash que  assina  o conteúdo do bloco; caso qualquer informação seja alterada, o hash muda. Quando  você gera um novo bloco que também contém o hash do anterior, cria uma espécie de impressão digital e é possível verificar e sinalizar se algum bloco foi alterado, para então invalidá-lo .  Juntos, eles formam uma “corrente de blocos”  ou “blockchain”. Cada rede de “blockchain” também tem nós, que agrupam participantes que têm o mesmo interesse.

Na prática === O papel prático do blockchain é assegurar confiança entre empresas, órgãos governamentais e população.  Durante o evento, ouvimos muito as palavras confiança, responsabilidade, transparência e segurança de dados.

Como  exemplo de uso governamental de blockchain, foi citada a Estônia, um pais de dimensões muito menores que o Brasil, com 2,2 milhões de habitantes. Entretanto, aos poucos, vários países têm iniciado seus testes nas mais diferentes áreas.

Como o blockchain elimina intermediários, as transações acontecem em tempo real, com menos custos e sem perder em segurança, já que elas podem ser verificáveis e auditáveis. O risco de fraudes é reduzido por meio de contratos inteligentes.

Ethereum === Sobre a plataforma  Ethereum,  abordada na palestra, ela  é  descentralizada e utiliza a tecnologia “blockchain” e é quem executa os  contratos inteligentes:  aplicações que funcionam exatamente como programadas sem qualquer possibilidade de censura, fraude ou interferência de terceiros. Com o Ethereum  é possível  levar a tecnologia do blockchain e os contratos inteligentes para “tudo” que possa ser programado: votações, nomes de domínio,  transações financeiras, crowdfunding, governança de empresas e estados,  contratos e acordos de qualquer tipo e até mesmo propriedade intelectual.

Em  resumo, a aplicação da  tecnologia blockchain permite criar  identidades digitais on-line para realização de serviços públicos na modalidade de autosserviço, desenvolver plataformas digitais de votação, que permitam o voto em trânsito para todos os cargos e por meio de um smartphone, desburocratizar serviços de registros públicos (nascimento, casamento, óbito, patentes, registro de imóveis e veículos), tornar transparente licitações, automatizar operações aduaneiras e dar mais agilidade aos portos brasileiros, rastrear e certificar operações de agronegócios ao longo da cadeia produtiva, criar cadastros únicos e exatos para todos os órgãos públicos, permitir que dados médicos (prontuários, receitas, cartão de vacinas, etc)  fiquem disponíveis para toda rede, mas com o acesso controlado pelo paciente.

Pode-se concluir que “blockchain” é, portanto, uma tecnologia extremamente promissora, capaz de tornar os serviços públicos mais céleres, baratos, seguros e eficientes. A Federação Brasileira de Bancos (Febraban), Banco Central do Brasil e Serpro (responsável pelo processamento de dados do governo brasileiro), já mantém grupos de estudo para a implantação do “blockchain”. << Veja também “Governo propõe novas ações para o uso de mais tecnologias digitais no país” aqui   e “Prefeitura inicia os serviços tipo Poupatempo. É o Descomplica SP”  aqui 


Veja a cobertura fotográfica do evento e bastidores na fanpage do DiárioZonaNorte, clicando aqui.

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