por Conceição Lourenço (*)

Dia desses, foi exibido  na TV um documentário: As Últimas Horas de Marvin Gaye. Já havia assistido, mas vi novamente, tem narração do Ed Motta, dói na gente e é inacreditável a degradação do ser humano por causa das drogas.

Um excelente cantor, um homem belíssimo, conheceu o sucesso e o fracasso. Justamente quando o sucesso voltou (Sexual Healing), o vício ganhou força total e o destruiu.

Era 1 de abril de 1984, numa discussão com pai, o reverendo com o mesmo nome do filho, que já estava cansado dos problemas do cantor com drogas.

O velho se descontrolou, pegou o revolver e lhe deu 2 tiros no peito, com a mãe presente. Sentou-se, calmamente, pegou a Bíblia e ali ficou com arma.

O irmão que morava junto, ouvindo o barulho, chegou rápido, chamou a ambulância que chegou em 10 minutos. Mas os paramédicos se recusaram a entrar, pois o atirador estava armado na casa.

A cunhada correu procurar a arma, demorou 20 minutos pra achar, estava ao lado do sogro. Marvin morreu. A cunhada conta que o maqueiro perguntou o nome da vítima e ela disse: “Marvin Gaye”. Ele perguntou: “Mas é ‘o Marvin Gaye’?”, ela confirmou, ele desandou a chorar e não conseguia carregar a maca.

Esta cena pode ser vista no filme “Febre na Selva”, de Spike Lee, onde pai mata o filho Gator (Samuel L. Jackson, fantástico), pelo mesmo motivo. Calmamente se senta e fica esperando a polícia. O Pai de Marvin saiu da prisão, mas já faleceu.

Ainda hoje, ninguém normal programa “momentos” românticos sem as músicas dele, né? Foi ele quem nos ensinou a dançar coladinho, agarrado mesmo.  Sem “Let’s Get It On” não rola. Com Marvin é melhor…

( Oficialmente estavam na casa: Marvin, pai e mãe. Irmão e cunhada. Mas conheci uma pessoa que garante que passou a noite lá. E ele contou que a farra foi animada a noite toda e que de manhã rolou a agressividade. A pessoa também garantiu que esta morte o salvou. Então tá! )


(*) Conceição Lourenço — jornalista há 35 anos. Passou por diversas redações e segmentos: Revista Exame, Infantis, Diário de São Paulo, Revista Bárbara, Uma, Chiques&Famosos, Ti-ti-ti. Dirigiu a Revista Raça Brasil. Fundadora da Cal Assessoria de Imprensa. Hoje é Assessora Executiva de Comunicação na Prefeitura Regional do Pirituba/Jaraguá.  << “Crônicas da Conceição”: nos finais de semana/sábados >>


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