por Conceição Lourenço (*)

Vem aí o Dia dos Pais. Passei a última vez este dia com meu pai há 51 anos, em 1966. Como somos 3 filhas, mamãe providenciou 3 presentes: uma camiseta linda de buclê (salmão com 2 listras marinho), o disco Hello Dolly, do Sinatra, e um par de meias. Eu, a mais nova,  dei as meias. Ele adorou tudo.

Morreu um mês depois vestido com a camiseta.  Pai é uma coisa legal.  Imagino que se ele tivesse me criado teria me ensinado a dirigir, me levado ao estádio, feito cara feia pros meus namorados kkkk.

Iríamos também ouvir música, juntos, herdei os discos dele: Miltinho, Roberto Silva, Jamelão, Jacob do Bandolim…

Mas tenho uma nova amiga nova, bem nova (18 anos). Hoje, após um trabalho externo, ficamos presas no trânsito e blá, blá, blá, blá, sem parar. Aí ela me contou do fim de um relacionamento: “Parecia que estava tudo bem entre a gente. Estávamos no shopping, ele vira pra mim e diz que não tínhamos mais nada a ver, e acabou tudo. Não acreditei”.

Ele virou as costas e eu comecei a chorar. Liguei pro meu pai e contei tudo. Meu pai veio correndo me buscar. Chorei tanto. “Meu pai me fez lanche em casa… aí melhorei, mas meu pai não gostava mesmo dele”.

Ouvi tudo, dei minha opinião sobre o Fulano, mas na verdade pensei: “Que falta faz um pai”, kkkkkkk, queria o meu de volta (pai)!! Trabalhamos juntas. Muito trabalho… mas hoje disse pra ela: “Te acho muito madura, pra sua idade”, ela me respondeu de pronto: “Meu pai me fortalece…”, lacrei!


(*) Conceição Lourenço — jornalista há 35 anos. Passou por diversas redações e segmentos: Revista Exame, Infantis, Diário de São Paulo, Revista Bárbara, Uma, Chiques&Famosos, Ti-ti-ti. Dirigiu a Revista Raça Brasil. Fundadora da Cal Assessoria de Imprensa. Hoje é Assessora Executiva de Comunicação na Prefeitura Regional do Pirituba/Jaraguá.  << “Crônicas da Conceição”: às 6ªs. feiras >>

Nota da Redação: As opiniões publicadas neste espaço são de inteira responsabilidade de seus autores. Os comentários nele emitidos não exprimem, necessariamente, o ponto de vista do “DiárioZonaNorte” e nem de sua direção.

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