156 anos atrás nascia Roberto Landell de Moura, brasileiro que inventou o rádio

por Hamilton Almeida e Eduardo Ribeiro, do “Jornalistas & Cia.”

<< Uma história com vínculo muito forte com a Zona Norte/Nordeste, mais precisamente com Santana e o nosso conhecido Mirante do Jardim São Paulo, que entra na invenção do rádio. E foi daqui a primeira transmissão radiofônica, como teste, o que dá ao brasileiro o domínio da invenção um ano antes do italiano Marconi >>

Em  21 de janeiro de 2017 foi comemorado o  156º aniversário de nascimento de Roberto Landell de Moura, o padre e cientista, nascido em Porto Alegre, que inventou o rádio. Primeiro homem no mundo a transmitir a voz humana por meio de ondas eletromagnéticas, Landell morreu no ostracismo e não teve em vida o reconhecimento de suas descobertas, embora as tivesse patenteado no Brasil (1901) e nos Estados Unidos (1904) e as visse divulgadas por jornais de grande circulação de fins do século 19 e início do século 20, tanto aqui como no exterior.

Enquanto o italiano Guglielmo Marconi se consagrava na transmissão de sinais telegráficos sem fio, a radiotelegrafia, Landell se dedicava, na mesma época, a enviar pelo espaço, sem fio, a voz humana e sons musicais, um feito inédito registrado pela imprensa paulista e carioca em julho de 1899, na capital de São Paulo. Os avanços tecnológicos protagonizados pelo brasileiro foram, entretanto, ignorados pelo Governo e pelos capitalistas daquele tempo e, para infortúnio de Landell e da história, alguns “fiéis”, revoltados com o duplo papel daquele padrecientista, chegaram a destruir os seus aparelhos.

Em movimento do início da atual década, o padre-cientista gaúcho vem sendo gradativamente homenageado por instâncias da sociedade civil e por áreas governamentais. É desse período a concessão a ele do título de Herói da Pátria, honraria proposta pelo Congresso Nacional e sancionada pela Presidência da República, em 2012. Também recebeu o título post mortem de Cidadão Paulistano, pela Câmara Municipal de São Paulo, em 2011, ano em que os Correios lançaram um selo comemorativo alusivo ao sesquicentenário do nascimento do gênio brasileiro.

No dia exato em que se completaram 85 anos da sua morte, em 30 de junho de 2013, uma missa alusiva foi rezada na capela de Santa Cruz, no bairro de Santana, local das pioneiras emissões de rádio do mundo. Simbolicamente, a Igreja lhe fez justiça, reconhecendo o seu valor na história da ciência.

Porto Alegre, sua terra natal, viu, após anos intensa luta do Movimento Landell de Moura, sua saga virar item do currículo obrigatório do Ensino Básico, o que é uma realidade desde o ano letivo de 2015. Esta é uma iniciativa que se pretende replicar por todo o País, via Ministério da Educação e Cultura.

 

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Livro “Padre Landell de Moura — Um Herói sem glória”, de Hamilton Almeida (Editora Record, 2006) – Sinopse:

Precursor da primeira transmissão de rádio, anterior à experiência realizada pelo italiano Guglielmo Marconi, padre Roberto Landell de Moura morreu no anonimato. Pioneiro das telecomunicações – concebeu ainda a televisão e vislumbrou as comunicações interplanetárias -, ele continua a ser lembrado na memória da civilização midiática como personagem ausente e quase insignificante. Uma injustiça devastadora contra um grande talento nacional que ainda hoje só é mencionado salvo o reconhecimento de pequenos grupos acadêmicos e científicos. Em “Padre Landell de Moura — Um herói sem glória”, o jornalista e escritor Hamilton Almeida ressalta a genialidade do inventor nesta biografia do incompreendido cientista brasileiro. Ao fugir das incompreensões aqui enfrentadas, emigrou para os Estados Unidos, onde registrou as “patentes” dos seus inventos em 1904. Em 1984 a Fundação de Ciência e Tecnologia (Cientec), de Porto Alegre, construiu uma réplica “daquele que pode ser considerado o primeiro aparelho de rádio do mundo; o Transmissor de Ondas”. Construída aproximadamente 80 anos antes, o invento de Landell de Moura funcionaria perfeitamente, confirmando seu talento. Padre Landell de Moura – Um herói sem glória’ retrata, sem retoques, a vida do nosso injustiçado cientista. Trata-se de fonte útil, documentada e oportuna para o resgate do lugar que cabe ao visionário gaúcho na galeria dos nossos inventores e pioneiros.

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Mais sobre o PadreLandell de Moura: http://bit.ly/2jaNOuT

 

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