Símbolo do Movimento Antropofágico de Oswald de Andrade, a peça O Rei da Vela ganha uma montagem hilária dos Parlapatões, em comemoração aos 27 anos da trupe. Com direção e adaptação de Hugo Possolo e direção musical de Fernanda Maia, o 64º trabalho do grupo estreia no teatro do Sesc Santana (Av. Luiz Dumont Villares,  579 – Informações: 2971.8700 ), com estreia nesta 6ª feira (13/04/2018) e temporada até dia 06 de maio (domingo). As apresentações acontecem às 6ªs. feiras e sábados, às 21h00; aos domingos, às 18h00;  e em apenas uma 4ª feira, às 15 horas. <*No dia 21/4 (feriado), a sessão será às 18 horas. **Para idosos acima de 60 anos a apresentação do dia 25/04 será gratuita>. Recomendação etária: 14 anos. Duração: 60 minutos. Apresentação no teatro com 330 lugares.

A encenação enfatiza o caráter burlesco e festivo da obra, em clima de cabaré abrasileirado, com forte influência das linguagens do Teatro de Revista, do Circo e do Teatro Épico de Bertolt Brecht. “O Rei da Vela é também um projeto de encenação que recoloca o grupo diante da sua expressividade popular e cria um circo-teatro provocativo, desprendido do melodrama, para se lançar sobre um caráter épico que busca a festa e alegria como prova dos nove”, explica Hugo Possolo.

Como já é marca registrada dos Parlapatões, os atores saem de seus personagens e se comunicam diretamente com o público. Um narrador que representa o próprio Oswald (personagem do ator Nando Bolognesi), conduz a plateia pela poética do autor, deixando expostas algumas rubricas originais do texto e jogando com a narrativa.

O espetáculo narra a saga de Abelardo I (personagem de Hugo Possolo), um agiota inescrupuloso que ganhou muito dinheiro em vários segmentos, sobretudo comerciando velas em um país atrasado, onde a energia elétrica ficou tão cara que a população já não consegue mais pagar por ela. Ao lado de seu empregado-pupilo Abelardo II, ele se aproveita da crise econômica para emprestar dinheiro, com juros altíssimos, para o povo faminto.

Abelardo I tem um casamento convenientemente negociado com Heloísa de Lesbos (personagem de Camila Turin), filha de uma família falida e tradicional de latifundiários do café. Submisso ao capital internacional, o protagonista está disposto a fazer qualquer tipo de negócio com os americanos, sem pensar nas consequências dessas transações. Esse sistema de exploração que ele ajudou a construir acabará deglutindo-o no último ato da peça, quando ele é substituído por seu fiel criado.

“A trama consegue traçar mais do que uma linha de tempo da transformação da sociedade brasileira no início do século passado – de um Brasil medieval e colonizado para um país urbano, dominado pelo capitalismo e pretensamente liberto. Ela perfaz um arco dramático que escancara as intenções sociais e políticas das personagens que percorrem os três atos da peça para revelar os meandros da alma humana submetida aos jogos de dominação do poder”, acrescenta Possolo.

O novo olhar para o texto modernista, que mostra como a colonização sem limites, escravagista e patriarcal marcou a nossa cultura e o comportamento social, possibilita que pensemos melhor em nosso futuro como nação. Para isso, a trupe estudou a fundo os movimentos antropófago e tropicalista.

SINOPSE  ==  Conhecido como o Rei da Vela, o inescrupuloso empresário Abelardo I aproveita-se da crise econômica no país para emprestar dinheiro para a população faminta com juros altíssimos. Ele se casou com Heloísa de Lesbos, filha de latifundiários falidos do café, só para se aproveitar do nome da família quatrocentona. Submisso ao capital estrangeiro, Abelardo I topa qualquer negócio com os americanos para aumentar seu lucro, mas ele será engolido pelo próprio sistema que ajudou a criar e substituído pelo seu capacho empregado Abelardo II.

Ingressos: R$9 a R$30. Venda de ingressos online disponível no portal Sesc a partir do dia 03/04, às 12h; e nas bilheterias das unidades do Sesc no Estado de São Paulo a partir do dia 04/04, às 17h30.  Estacionamento – R$12,00 a primeira hora e R$3,00 a hora adicional – desconto para credenciados.

Funcionamento da bilheteria do Sesc Santana – de 3ª a 6ª feira, das 9h às 21h, aos sábados, das 10h às 21h, e aos domingos e feriados, das 10h às 18h45. Aceitam-se cheque, cartões de crédito  e débito . Ingressos podem ser adquiridos em todas as unidades do Sesc.

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