A suspensão indeterminada do Programa Ônibus-Biblioteca, que leva acervos de livros e revistas para 72 locais na periferia da capital paulista, vai afetar severamente crianças e adolescentes de regiões pobres, onde não há bibliotecas públicas. Essa é a avaliação do bibliotecário municipal e vice-presidente do Sindicato dos Servidores Municipais de São Paulo (Sindsep), João Gabriel Buonavita. “É um programa muito importante, porque dava capacidade da política pública chegar onde geralmente o poder público não chega. Atendia e mapeava a demanda por leitura em regiões muito carentes da cidade”, afirmou.

Dos 96 distritos da capital, 37 não possuem sequer um livro por habitante, a maioria na periferia. E dos que possuem algum acervo, apenas 18 têm um índice maior que meio livro por habitante. Os dados constam do Mapa da Desigualdade, elaborado anualmente pela Rede Nossa São Paulo. “Para piorar, a maioria dos Centros Educacionais Unificados (CEU) estão sem servidores para fazer o atendimento nas bibliotecas próprias e com isso a população não pode acessar os livros”, explicou Buonavita.

O problema com os ônibus-biblioteca começou em 2015, na gestão do ex-prefeito Fernando Haddad (PT), quando uma nova licitação para o serviço foi suspensa após disputa judicial. Em 2016 foi iniciado um novo processo, que deveria ter sido tocado pela gestão seguinte, de João Doria (PSDB). No entanto, o edital ficou parado e os R$ 5,5 milhões reservados no orçamento de 2017 para o programa não foram gastos. O programa, em consequência, foi totalmente paralisado.

Neste ano a situação piorou: a verba para o programa foi reduzida para R$ 2 milhões e até agora nenhum centavo foi aplicado. A Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) para 2019, aprovada na Câmara Municipal na semana passada, não traz nenhuma rubrica ou referência à retomada do programa no ano que vem. “É uma clara demonstração de como a gestão Doria/Covas trata a cultura: como algo descartável”, criticou Buonavita.

Segundo informações da Secretaria Municipal de Cultura, o programa mantinha doze ônibus e 72 locais de atendimento: 18 na zona norte, 27 na zona sul, 24 na zona leste e três na zona oeste. Em cada veículo, havia um acervo de quatro mil títulos, entre livros, revistas, gibis, mangás e jornais. O serviço funcionava de 3ª feira a domingo, das 10 às 16horas, com empréstimos, leitura local, mediação de leitura, eventos e uma programação cultural mensal.

Segundo dados obtidos pelo jornal Folha de S.Paulo, a suspensão do programa levou a uma queda significativa no número de acessos a livros na capital paulista. Em 2015, a cidade registrou um total de 1,5 milhão de consultas a livros, das quais 627 mil foram feitas em ônibus-biblioteca. No mesmo período, as 54 bibliotecas municipais receberam 648 mil consultas. No ano passado, já sem o Ônibus-Biblioteca, o total de consultas a livros pelos paulistanos foi de 843 mil.

O Ônibus-Biblioteca foi criado em 1936, pelo escritor Mário de Andrade, primeiro diretor do Departamento de Cultura da cidade de São Paulo. Desde então o programa  sobrevive alternando períodos mais e menos ativos. Desde 2008, o programa vinha crescendo. De um veículo cumprindo sete roteiros, passou a ter quatro veículos e 20 roteiros. Em 2011, chegou a nove veículos, atendendo 54 roteiros. E em 2012 passou a contar com 12 ônibus. <<Com apoio de informações/fonte: RBA-Rede Brasil Atual – Repórter: Rodrigo Gomes >>

                        O início de tudo

“Em vez de esperar em casa pelo seu público, vai em busca do seu público onde ele estiver” ===  Com estas palavras, há mais de 70 anos, o escritor e primeiro diretor do Departamento de Cultura da cidade de São Paulo, Mário de Andrade, justificou ao então Prefeito Fábio Prado a necessidade de viabilizar o projeto de implantação de uma unidade móvel para levar livros à população: a Biblioteca Circulante.

A Ford construiu e doou um modelo de caminhonete-biblioteca que passou a visitar periodicamente lugares como o Largo da Concórdia, Jardim da Luz e a Praça da República, proporcionando aos frequentadores o contato com os livros. Este serviço foi interrompido em 1942 devido à necessidade de racionamento de combustível na II Guerra Mundial.

Em 1979, por meio de convênio com o Instituto Nacional do Livro, o serviço foi retomado com uma perua Kombi adaptada, com o objetivo de atender bairros desprovidos de recursos culturais, facilitando o acesso aos livros, procurando incentivar o interesse pela leitura, apoiando a ação educativa da escola e oferecendo oportunidades de enriquecimento cultural.

Devido a um problema mecânico identificado no segundo semestre de 2007, o único veículo disponível, que cumpria os sete roteiros semanais, teve de ser trocado. Apesar de períodos de interrupção do serviço, o ônibus-biblioteca continuou circulando pela cidade de São Paulo levando aos interessados um acervo formado por livros de literatura infantil, juvenil e de adulto, publicações paradidáticas, quadrinhos, gibis e revistas.

Em novembro de 2008 o projeto tomou um novo fôlego com a doação de veículos feita pela Secretaria Municipal dos Transportes (SPTtrans) e quatro novos veículos de cor amarela, com uma fotografia do primeiro carro-biblioteca estampado no vidro traseiro, passaram a circular na cidade de São Paulo. Além da caracterização dos novos veículos, foi contratada a Liga Brasileira de Editoras (LIBRE) para fornecer motoristas e uma programação mensal de encontro com autores.

Em 2008, o Projeto Ônibus Biblioteca foi o vencedor do Prêmio Viva Leitura na Categoria Bibliotecas Públicas, Privadas e Comunitárias.

Em 2010 contou com quatro veículos, vinte roteiros de atendimento, desgastes, mas muita atividade literária, além de grande interesse por parte da mídia. Isso reforçou a importância e a busca por melhorias, e a necessidade de expansão do serviço.

Com a intenção de aumentar a frota e ter mais locais de atendimento, o número de servidores tornava-se insuficiente. Em 2011 a ideia de expansão tomou corpo e em março, após amplo programa de treinamento elaborado e aplicado pela Coordenadoria do Sistema Municipal de Bibliotecas, o serviço passou a contar com sete ônibus.  No início de novembro passaram a circular nove veículos, cada qual atendendo seis roteiros, num total de 54.

Com a Agenda 2012 – Programa de metas para a cidade de São Paulo, dentro do eixo Cidade Criativa: incentivo à produção cultural e à interação criativa, a meta 139: “doze novos ônibus-biblioteca em circulação na cidade”, foi cumprida.

Em 2015 contava com doze ônibus e 72 locais de atendimento (Roteiros), sendo 18 na Zona Norte, 27 na Zona Sul, 24 na Zona Leste e três na Zona Oeste da cidade. Em cada veículo, há um acervo de quatro mil itens, entre livros, revistas, gibis, mangás e jornais, para crianças, jovens e adultos. O serviço oferecia empréstimo de materiais, leitura local, mediação de leitura, participação em eventos, na esfera pública, visita monitorada, e uma programação cultural, uma vez por mês em cada roteiro. << Com apoio de informações/fonte: PMSP/Secretaria Municipal de Cultura >>

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