O Centro Paula Souza (CPS) inaugurou nesta 2ª feira (10/03/2018), o Espaço Memória Carandiru, localizado dentro da Escola Técnica Estadual (Etec) Parque da Juventude, na Zona Norte.  Construída no local onde funcionava a Casa de Detenção de São Paulo, a Etec conta a partir de agora com um ambiente voltado à memória cultural do antigo maior presídio da América Latina.

Organizado por alunos e professores do curso técnico de Museologia, o espaço foi instalado no piso térreo, onde havia a enfermaria da penitenciária, e ainda preserva traços de sua arquitetura. É possível conferir centenas de objetos deixados pelos presos, como portas com pintura artística, utensílios de cozinha, máquina de tatuagem, artigos religiosos e camisas de futebol.

A exposição agora permanente recebeu o nome de “Sobre Vivências – Os Últimos Anos do Carandiru” e faz parte do acervo disponibilizado pela fotógrafa Maureen Bisilliat, que realizou projetos com a população carcerária entre as décadas de 1980 e 1990 — além de cerca de 300 objetos doados à fotógrafa pelo presos, durante os ensaio. Em 2014/15 a exposição esteve representada no Museu da Casa Brasileira — ver reportagem da emissora RIT/YouTube – clique no link: https://bit.ly/2oSHAnk 

“O Centro Paula Souza tem muito orgulho de fazer parte da trajetória de transformação do Carandiru. O trabalho dos alunos e dos professores na criação deste espaço servirá de modelo para outras iniciativas nacionais e internacionais voltadas à preservação da memória”, afirma a diretora-superintendente do CPS, Laura Laganá.

De acordo com a coordenadora do curso de Museologia da Etec Parque da Juventude, responsável pela organização do espaço, Cecilia Machado, as principais atrações do acervo são as soluções encontradas pelos internos para enfrentar as dificuldades do dia a dia. “Além de remontar o cenário onde viviam os presos, o local apresenta uma série de objetos criados por eles, mostrando a expressão artística e a criatividade dos detentos diante das limitações prisionais”, explica.

Financiado com recursos do Programa de Ação Cultural (Proac), o Espaço Memória Carandiru é resultado de uma parceria entre o Centro Paula Souza, o Museu da Casa Brasileira e a Secretaria da Cultura do Estado de São Paulo. O local é aberto à comunidade.

HISTÓRICO === Em uma área com mais de 55 mil metros quadrados foi construído o Parque da Juventude, no local onde antes existia o Complexo Penitenciário do Carandiru.O Parque da Juventude foi inaugurado no ano de 2003 e é administrado pelo Governo do Estado de São Paulo. O projeto arquitetônico para o Parque foi escolhido por meio de um concurso público promovido pelo Governo do Estado, em 1998, logo após a decisão da desativação do Complexo Penitenciário do Carandiru. O ganhador foi o escritório Aflalo e Gasperini, que incumbiu o escritório da arquiteta-paisagista Rosa Grena Kliass para o desenvolvimento da proposta paisagística do local. Do projeto de Kliass surgiu a idéia de dividir o parque em três áreas. A primeira é a Área Esportiva, onde estão localizadas as quadras e pistas; a segunda é a Área Central, onde os visitantes podem explorar trilhas; e a terceira é a Área Institucional, onde estão Localizadas a Biblioteca de São Paulo e as ETECs (Escolas Técnicas: Parque da Juventude e das Artes) que oferecem cursos técnicos em diversas áreas profissionais.

O Parque da Juventude também é uma área de preservação de Mata Atlântica. A implantação da ETEC Parque da Juventude contribuiu de forma decisiva para a substituição da referência do Complexo Penitenciário pela das atividades esportivas e educacionais que passaram a vigorar a partir da inauguração do Parque. Essas referências são sociais, arquitetônicas e culturais. A ETEC Parque da Juventude iniciou suas atividades em março de 2007, com os cursos de Enfermagem, Informática e Museu, tendo como meta a desestigmatização do local com forte referência da brutalidade de sua história. ((Ver reportagem do DiárioZonaNorte – clique: https://bit.ly/2oSHAnk ))

A fotógrafa === Segundo o Wikipédia, Maureen Bisilliat – com o primeiro nome Sheila (Englefield GreenSurrey1931) é uma fotógrafa nascida na Inglaterra e naturalizada brasileira. Filha da pintora Sheila Brannigan (1914 – 1994) e de um diplomata, estudou pintura com André Lhote (1885 – 1962) em Paris, em 1955, e na Art Students Leaguede Nova Iorque, com Morris Kantor (1896 – 1974), em 1957.  Veio pela primeira vez ao Brasil em 1952, fixando-se definitivamente no país em 1957, na cidade de São Paulo. Nas palavras da fotógrafa, “o Brasil foi uma procura de raízes, que eu não tive quando criança. Nasci na Inglaterra, sim, mas vivi em muitos lugares. Meu pai era diplomata, o que me obrigou a uma vida meio camaleônica. O destino me amarrou ao Brasil. Foi um ficar querendo.” 

A partir de 1962, abandona a pintura e passa a dedicar-se à fotografia. Trabalha como fotojornalista para a Editora Abril, entre 1964 e 1972 – na revista Quatro Rodas mas virá a se destacar sobretudo na extinta revista “Realidade” — onde produziu várias reportagens e ensaios fotográficos.

Entre 1972 e 1992, juntamente com seu segundo marido, o francês Jacques Bisilliat, e o arquiteto Antônio Marcos Silva, funda a Galeria de Arte Popular O Bode. Nesse período, viaja pelo Brasil em busca de trabalhos de artistas populares e artesãos, para compor o acervo da galeria. Ainda nessa época, em 1988, a pedido do antropólogo Darcy Ribeiro, Maureen, Jacques e Antônio Marcos são convidados a atuar na formação do acervo de arte popular latino-americano da Fundação Memorial da América Latina, em São Paulo. Para isto, os três percorrem MéxicoGuatemalaEquadorPeru e Paraguai, recolhendo peças para a coleção permanente do Pavilhão da Criatividade do Memorial, do qual Maureen se torna curadora desde então.

Em dezembro de 2003, sua obra fotográfica completa, com mais de 16.000 imagens, incluindo fotografias, negativos preto e branco e cromos coloridos, nos formatos 35mm e 6cmx6 cm, foi incorporada ao acervo fotográfico do Instituto Moreira Salles

AS VISITAS === são gratuitas e mediadas por alunos do curso técnico de Museologia. Interessados devem fazer agendamento prévio por

e-mail: e159patcultural@cps.sp.gov.br .

Mais informações: www.etecparquedajuventude.com.br/memoria


 

Sobre o Centro Paula Souza – Autarquia do Governo do Estado de São Paulo vinculada à Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Inovação, o Centro Paula Souza administra as Faculdades de Tecnologia (Fatecs) e as Escolas Técnicas (Etecs) estaduais, além das classes descentralizadas – unidades que funcionam com um ou mais cursos técnicos, sob a supervisão de uma Etec –, em aproximadamente 300 municípios paulistas. Nas Etecs, o número de matriculados nos Ensinos Médio, Técnico integrado ao Médio e no Ensino Técnico, para os setores Industrial, Agropecuário e de Serviços, ultrapassa 207 mil estudantes. As Fatecs atendem mais de 82 mil alunos nos cursos de graduação tecnológica.  << Com o apoio de informações/fonte: Assessoria de Comunicação do Centro Paula Souza  // Fotos do Acervo: Maureen Bisilliat >>


Serviço

Espaço Memória Carandiru – “ Sobre Vivências – Os Últimos Anos do Carandiru”

Local: Etec Parque da Juventude – Av. Cruzeiro do Sul, 2630 – Santana – São Paulo/SP

Obs.: Visitas gratuitas após agendamento por e-mail (ver acima). 


CN Institucional

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