A   CEAGESP (Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo) deve deixar a Vila Leopoldina – na Zona Oeste de São Paulo -, até 2020.  A informação partiu do prefeito João Dória (PSDB), durante uma visita realizada ao bairro da Lapa em 25 de março de 2017, de acordo com ele,  a mudança é de comum  acordo  com os Governos Federal, Estadual e Municipal e ainda não há um lugar definido.

Criada no fim  da década de 60 com a  fusão das operações do CEASA  (Centro Estadual de Abastecimento) e da  CEAGESP,  órgãos então vinculados ao Governo do Estado, a atual CEAGESP é  uma empresa gerida pelo governo federal, integrando o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, que hoje administra o Ceasa de São Paulo.

Projeto de Revitalização  === A  área  de  700 mil  m²  tem o valor venal de R$  1,7 bilhão e por isso o interesse do Governo Federal em vendê-la.   A intenção da gestão João Doria é revitalizar a área, criando um centro internacional de tecnologia (uma instituição integradora de tecnologia, ensino e geração de negócios) e  uma Faculdade de Tecnologia (FATEC).

Na gestão Fernando Haddad (PT),  a Prefeitura e o Governo Federal  firmaram um  acordo para desativar a atual CEAGESP  e construir um  novo entreposto em Perus, na Zona Norte/Noroeste, o que proporcionaria a criação de cerca de 30 mil empregos  e desenvolvimento econômico para a região Norte/Noroeste, gerando e distribuindo renda na cidade de São Paulo.  Hoje, passam pela CEAGESP 10 toneladas de alimentos por dia, que em 2016 gerou um  faturamento de R$ 10,5 bilhões.

Menos veículos e poluição === A mudança também e retiraria cerca  de 14 mil veículos (entre carros e caminhões) da região da Vila Leopoldina, melhorando o trânsito.   Na cidade de São Paulo, 90% da poluição é causada pelos carros, de acordo com dados da CETESB. Os paulistanos vivem em média dois anos a menos pelos efeitos da poluição no organismo, que mata quase 20 pessoas por dia,  segundo o laboratório de poluição atmosférica da USP.

Nasce o NESP === Em  2016, o grupo Novo Entreposto de São Paulo (NESP),  uma alternativa criada pela iniciativa privada  para o abastecimento e comércio de hortifrutigranjeiros, protocolou um projeto  por meio de uma manifestação de interesse público (MIP)  junto  à gestão  Haddad,   que a tornou pública e abriu chamamento. Diferentemente de uma incorporadora,  a grande vantagem da NESP é que ela é formada por pessoas que tem vivência no ramo e que hoje, são permissionários no CEAGESP e conhecem todas as dificuldades que podem acontecer. O  nome técnico disso tudo? Experiência….

Como não houve mais interessados, o NESP  ganhou o processo, com o compromisso de custear a mudança (compra do terreno, edificações),  além da fazer reurbanização e obras no local.   A iniciativa chegou a receber sinalização de apoio financeiro do Governo Federal (proprietário da área da CEAGESP), porém as negociações não foram à frente e  o projeto do grupo de comerciantes seguiu de forma independente.

O NESP ocupará uma área de  1.606.285,00 m²  (que antes pertencia à CIA Melhoramentos de Papel e Celulose)  e está localizado próximo à Rodovia dos Bandeirantes, a 3km do Rodoanel Mario Covas e a apenas 14km da Marginal Tietê .  Em dezembro de 2016, Haddad assinou o decreto do Projeto de Intervenção Urbana (PIU), elaborado pelo processo administrativo número 2016-0.163.343-9, que autoriza os usos e parâmetros requeridos pelo NESP para o terreno adquirido na região de Perus.

Um estudo elaborado pelo NESP indicou que a localização permitirá uma redução de 25% o tempo gasto pelos usuários no trânsito, em relação ao gasto atualmente. Além do acesso rodoviário, haverá também a opção de acesso através da Linha 7 Rubi da CPTM. O projeto prevê ainda, a construção de uma nova estação da CPTM  dentro do NESP.

Ao longo do segundo semestre de 2016 a idéia foi disseminada e conquistou a adesão de mais de 200 permissionários, menos de 10% das 3 mil empresas que  hoje mantém boxes na  CEAGESP.

Como funciona a CEAGESP === Hoje,    quem trabalha na CEAGESP paga basicamente ao governo federal  duas tarifas:  o Termo de Permissão Remunerada de Uso (TPRU) – uma espécie de aluguel pelo uso dos boxes  e o condomínio (divisão dos custos operacionais com portaria, segurança, limpeza, manutenção).    O condomínio teve uma alta de 40% ao ano, nos últimos três exercícios fiscais e mesmo assim, o prédio não recebe uma reforma há mais de 20 anos.  Para ter um boxe, é necessário participar de uma concorrência pública.

“Os comerciantes  investiram no ponto comercial, reformando e modernizando os boxes por conta própria e não queremos perder isso. Alguém terá que nos indenizar. O ideal é que a gestão ficasse por conta da gente”, afirma um permissionário da CEAGESP ouvido pelo DiárioZonaNorte e que pediu anonimato, sobre a relutância em aderir ao NESP.

O projeto do NESP, inspirado  no  Mercabarna de  Barcelona  e no  Rungis Marché International em Paris,   foi apresentado oficialmente na 5ª feira (03/08/2017) no auditório da UMC, na Vila Leopoldina,  para  permissionários da   CEAGESP, convidados e imprensa.

O Projeto === Com um custo de R$ 1,5 bilhão, o projeto do  NESP (Novo Entreposto de São Paulo) é assinado pelos arquitetos Marcel Monacelli e Marcos Vieira  e terá pavilhões específicos para venda de legumes e frutas, para verduras, pavilhão estanque climatizado para comércio de pescados e carnes, pavilhão para venda de mercadorias a granel, como melancias, além de espaço dedicado para o comércio de plantas. Todas as áreas são interligadas por passarelas e há uma grande disponibilidade de vagas para estacionamento.

O projeto, desenhado com linhas modernas, atende as questões ambientais com previsão de iluminação natural, reaproveitamento de água, tratamento de resíduos, além de geração de energia, tanto fotovoltaica quanto a partir do lixo. A área total do terreno supera a do atual entreposto e garante mais conforto para os comerciantes e usuários.

“O consórcio Monacelli Vieira entendeu a dinâmica de um grande entreposto e aproveitou muito bem as informações coletadas pelo grupo de sócios na visita aos mercados europeus em 2016”, disse  Sérgio Benassi, presidente do NESP, “O resultado foi este projeto que valoriza o espaço físico, considerando as diferentes características e necessidades das mercadorias”.

Já Rafael Benassi,  coordenador do Comitê de Projetos do NESP, afirma que “’É importante enfatizar que o projeto tem sido desenvolvido de maneira participativa com os permissionários que já aderiram ao novo entreposto”.

Licenças e inicio das obras === Os próximos passos são dar início ao processo de aprovações de projetos e licenças junto à Cetesb e Prefeitura para então iniciar a terraplanagem e preparação do terreno. O cronograma do projeto inclui uma longa parte burocrática e financiamentos.  A previsão é que em 2021 o mercado já esteja em funcionamento. O projeto contempla ainda um hotel e um shopping Center. “Queremos que o mercado seja completo, útil, acessível e moderno, tornando-se o melhor entreposto do mundo. Não nos cabe dizer que vai fechar a Ceagesp ou não”,   conclui Sergio Benassi, presidente do NESP.

Suzano entra na disputa === Um dia antes da apresentação do projeto do NESP (4ª feira – 02/08/2017), o prefeito João Dória realizou audiência com o  deputado estadual Estevam Galvão (DEM), sobre a  inclusão da cidade de Suzano, na disputa pela instalação da  CEAGESP.   Na oportunidade, o deputado apresentou ao prefeito e ao secretário municipal de Governo, Julio Semeghini, a proposta de instalação do entreposto em Suzano, juntamente com o estudo elaborado pela empresa Contern, comprovando a viabilidade da obra.  Na apresentação, o novo entreposto foi denominada como CLEMIR – Centro Logístico e Mercado Internacional.

“A hora não poderia ser mais adequada. Exatamente neste momento o Governo Federal, Estadual e Prefeitura de São Paulo estudam a nova localização da CEAGESP”, disse o prefeito João Dória.

A proposta foi bem avaliada pelo prefeito Dória: “Fiquei bem impressionado com a qualidade da apresentação e com os modais que estão integrados a este sistema. O secretário Julio Semeghini já está com a incumbência de levar o programa aos dois grupos de trabalho que estão diretamente envolvidos com a escolha do novo local que abrigará a CEAGESP”.

Novamente o Rungis === O modelo de entreposto de alimentos apresentado pelo deputado Estevam Galvão ao prefeito João Dória segue as diretrizes do Rungis Marche Internacional, o maior do setor no mundo.  O DiárioZonaNorte lembra  que é o mesmo adotado como base para o projeto do  NESP.  Em um comparativo com a estrutura da atual CEAGESP, a unidade francesa movimenta R$ 21 bilhões a mais com menor quantidade de alimentos fornecidos.

“O sistema de gerenciamento do entreposto francês é muito mais eficiente e produtivo. Veja que no último ano mais de R$ 32 bilhões foram movimentados com o fornecimento de 2,4 milhões de toneladas de alimentos, contra R$ 10,5 bilhões acumulados na  CEAGESP  e 3,4 toneladas de alimentos fornecidos. Além disso, em uma área de 2,5 milhões de metros quadrados, podemos expandir o serviço com um completo Centro Logístico e de Desenvolvimento Tecnológico no setor. Será  o maior entreposto de alimentos do mundo”, alertou o deputado.

O local escolhido para abrigar o CLEMIR – Centro Logístico e Mercado Internacional receberá mais de 50 mil pessoas, 12 mil veículos e 11 mil toneladas de alimentos frescos por dia. Hoje o local representa o maior centro de abastecimento de frutas, legumes, verduras, flores e pescados da América Latina. Os produtos chegam de 1,5 mil municípios brasileiros e 18 países.

Integração com o Complexo Intermodal Viamar e Via Leste ===   O CLEMIR – Centro Logístico e Mercado Internacional   deverá se tornar o maior mercado de alimentos do mundo e será instalada em  uma área de 2,5 milhões de metros quadrados (contra 700 mil metros quadrados na Vila Leopoldina), próximo à segunda alça do Rodoanel Leste, na Estrada dos Fernandes, a 40 quilômetros do Aeroporto de Guarulhos, 22 quilômetros do Ferroanel,  integrado ao Complexo Intermodal Viamar e Via Leste.

“Além da realidade da segunda alça do Rodoanel, o CLEMIR – Centro Logístico e Mercado Internacional poderá contar com acesso direto ao Centro de São Paulo, pela avenida Aricanduva e ao Porto de Santos, respectivamente através da execução dos projetos Via Leste e Viamar, ambos em fase de estudos já avançados. Suzano tem local privilegiado, com as melhores vias de acesso para atender o entreposto em todas as suas necessidades”, afirmou o deputado Estevam.

Empregos === Com a construção do CLEMIR – Centro Logístico e Mercado Internacional em  Suzano, a expectativa é que mais de 150 mil empregos diretos e indiretos sejam gerados, garantindo a retomada do crescimento econômico, geração de emprego e renda para toda a população suzanense e da região.  Nos próximos dias o deputado deverá se reunir novamente com o secretário Semeghini (que representa a Prefeitura neste projeto) e com o secretário estadual de Agricultura, Arnaldo Jardim, para dar sequência aos estudos.

 

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