por Major Olímpio (*) – deputado federal e morador da Zona Norte

Vivo na Zona Norte desde 1978, e o tempo todo, em função da profissão como policial e cidadão, interajo e vivo as atividades daqui, onde meus filhos cresceram, estudaram, trabalham e onde moramos.

Todos os moradores da Zona Norte vivenciam uma mesma queixa: não temos representatividade política.

Realmente, a Zona Norte é uma região esquecida em termos de investimento governamental. Há quantos anos não vemos uma grande obra de infraestrutura aqui? Chamamos a Avenida Dumont Villares de “avenida nova”. “Nova” com 35 anos de existência? Isso acontece por nossa representatividade ser tão pouca.

O último censo populacional mostrou que a Zona Norte tem mais moradores que a Zona Sul. Temos 2.250.000 habitantes e a Zona Sul tem 2.150.000. Com essa população, temos mais de 1.600.000 eleitores; e o volume de representantes políticos daqui é insignificante.

Nas últimas eleições municipais, onde 55 vereadores foram escolhidos, apenas quatro tem escritório ou moram na Zona Norte; e ainda assim, apenas dois atuam na chamada ZN1. Não temos sequer 10% da Câmara Municipal, mesmo sendo 25% dos eleitores da cidade.

Eu mesmo sou um exemplo disso (e não estou aqui pedindo votos, mas explicando nosso dilema de representatividade). Nas eleições para Deputado Federal, não fui o mais votado aqui na Zona Norte, perdi para políticos que jamais atuaram aqui. O fato de estar presente, de trabalhar aqui não se traduz em volume de apoio e votos.

Eu tenho mais votos na Zona Leste do que na Zona Norte, onde vivo, trabalho e luto; e onde a expectativa é maior pela minha constante batalha pela melhoria na oferta dos serviços públicos para a região.

Aqui na Zona Norte, depois de quarenta anos em que o metrô foi inaugurado, temos só seis estações que servem do Rio Tietê para frente…

É um absurdo.

Nosso fórum está deslocado, fica na Casa Verde, fazendo com que quem é do Parque Novo Mundo tenha que andar entre 15 e 20 km e não há sequer linhas diretas de transporte público.

Vejam a falta de estrutura viária adequada, serviço de saúde, estrutura educacional, falta de universidades públicas… Isso é um reflexo da falta de representatividade!

Tudo o que as outras regiões rejeitam, é direcionado para a Zona Norte.

O evento Skol Beats, por exemplo, era feito em interlagos. O evento destruía os arredores e acabava com o sossego da população. A classe política da Zona Sul se mobilizou e o evento foi trazido para onde? Para a Zona Norte!

Da mesma forma, o show do dia do trabalhador e a Marcha para Jesus, são eventos que aglomeram tanta gente, e deslocam centenas de policiais que deveriam estar nas ruas cuidando da nossa segurança, mas são mandados para a Praça Campo de Bagatelle; que é a única cabeceira de aeroporto no mundo onde o poder público se omite e permite que se aglomerem um milhão de pessoas por que ali é gratuito!

Se esses mesmos eventos fossem realizados dentro de áreas públicas como o Anhembi ou Interlagos, o organizador teria que pagar por isso.

Temos que refletir a esse respeito, valorizar e proteger nossa região!

O momento é de agregar. Temos clubes de serviços, lojas maçônicas, associação comercial, sociedade amigos de bairro, clubes de lazer que buscam como se agregar e terem representatividade. E o momento é este!

Faço este convite à sociedade: estive há alguns dias em um seminário sobre voto distrital. Se esse método estivesse em prática, a ZN não teria nenhum representante.

Dentre os políticos que atuam na Zona Norte eu sou o mais votado, mas não teria votos suficientes pelo sistema do voto distrital.

Precisamos pensar nisso.

Não peço votos para mim. Peço credibilidade aos representantes da nossa Zona Norte.

Precisamos dessa mobilização (e a força política acaba se traduzindo no momento do voto- que iguala a todos).

Voto não tem preço, mas tem consequência.

Participarei quinzenalmente com esta coluna discutindo temas de interesse e relevância para a nossa Zona Norte.

Não poderia deixar de chamar a atenção neste primeiro artigo, agradecendo o convite e lembrando que só seremos unidos (e na política união é igual ao volume de votos) quando mostrarmos nossa força, quando tivermos voz.

Falar de política neste momento é terrível. Vivemos um período muito difícil na política nacional. Acredito que só os marginais nos presídios tenham menos credibilidade que a classe política hoje, mas a saída democrática é pela política. Não há outra.

Se temos maus políticos, vamos trocá-los.

Assim é a democracia.

A hora é agora.

(*) Sérgio Olímpio Gomes —  mais conhecido como Major Olímpio  (Policia Militar), deputado estadual (2007/2011 e 2011/2015)  e atualmente deputado federal (SD). Morador da Zona Norte.

Nota da Redação: Os artigos publicados neste espaço são de inteira responsabilidade de seus autores. As opiniões neles emitidas não exprimem, necessariamente, o ponto de vista do “DiárioZonaNorte” e nem de sua direção.
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