por Rafael Silva – deputado estadual *

O ser humano sonha, todos os dias, por muitos motivos. Primeiro, porque o sonho sustenta a alma, com a possibilidade de criar acontecimentos felizes. É do sonho a dádiva da criação. Todas as invenções do mundo nasceram antes no desejo de realizar. E a ponte que liga o sonho à realidade é o trabalho. Desistir não está nos planos, mas os erros administrativos dos governantes dificultam o acesso ao emprego. Não há vaga suficiente para todos. No Brasil, são mais de 12 milhões de desempregados, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Se quisermos ter uma ideia dessa proporção, é como se todos os moradores da cidade de São Paulo, uma das cinco maiores do mundo, estivessem desempregados. Ou 17 vezes a população inteira de Ribeirão Preto. Outro dado que preocupa é a recente informação da Organização Internacional do Trabalho (OIT): “De cada três novos desempregados no mundo em 2017, um será brasileiro”. Nosso país será palco do maior desemprego neste ano, entre as nações do chamado G-20, com o fechamento de mais 1,4 milhão de vagas. Se levarmos em conta, ainda, a recente pesquisa do banco Credit Suisse, temos 23 milhões de pessoas sem trabalho ou subutilizadas, fazendo bicos. Já a Fundação Getúlio Vargas, ao contrário, aposta no crescimento de oportunidades a partir do segundo trimestre, com a criação de 500 mil empregos até dezembro deste ano, em comparação com o último trimestre de 2016. Queremos acreditar que esta hipótese esteja correta e que a OIT se engane em suas estatísticas.

Como costumo dizer, o grande músico Gonzaguinha dá a dimensão exata do que tudo isso significa na canção Um homem também chora: “Um homem se humilha/Se castram seu sonho/Seu sonho é sua vida/E vida é trabalho/E sem o seu trabalho/O homem não tem honra/E sem a sua honra/Se morre, se mata/Não dá pra ser feliz/Não dá pra ser feliz”. Observe que esse “se morre, se mata” nos remete à morte da esperança, da alegria para viver, e também ao que estamos testemunhando hoje, com os massacres dentro dos presídios e fora deles, nas ruas, no dia a dia. O mundo do crime, assim, é a maior fábrica de empregos para quem desiste do sonho, quando os governos não tomam as decisões corretas para a geração de vagas.

Tenho tratado muito deste tema e apontado que, entre os fatores que provocam a falta de emprego, a alta carga tributária tem grave importância. Segundo o Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação (IBPT), aqui, cada mulher, cada homem gasta uma média de 150 dias por ano, trabalhando, só para pagar impostos. Para se ter uma ideia, embora o Brasil seja o maior produtor de cana do mundo, pagamos sobre o açúcar 30,6% de impostos; na gasolina, mais da metade do valor do litro (56,09%) é tributo, apesar de sermos autossuficientes em petróleo. A conta de luz, outro produto fundamental para a vida, também pesa no bolso, com 48,28% de imposto, e aqui podemos ter energia pelo Sol, pelo vento, pela abundância de rios.

E, assim, a conta não fecha: sem trabalho, fazendo bico ou com o baixo salário do brasileiro, por conta de tantos impostos, as lojas não vendem; se não vendem, não contratam mais empregados, se não contratam mais, mais chance de perdemos jovens para o mundo do crime, onde alguns “sonhos” são conquistados à custa de sangue, enquanto matamos os verdadeiros sonhos que deveriam viver dentro de nós.

(*) RAFAEL SILVA  ==  é deputado estadual, formado em filosofia e pós-graduado em sociologia. Perdeu totalmente a visão em 1986. Está exercendo seu quarto mandato consecutivo de deputado estadual. Antes de ingressar na ALESP, foi vereador durante oito anos em Ribeirão Preto. É autor da lei que obriga o governo do Estado a destinar 7% de casas ou apartamentos da Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano do Estado de São Paulo (CDHU) para portadores de deficiências ou seus familiares. Apresentou projeto de lei que propõe tornar obrigatória a reserva de no mínimo 5% de vagas em concursos públicos para pessoas portadoras de deficiências.

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