por Conceição Lourenço (*)

Este mês comemora-se o Dia do Amigo. Neste quesito estou muito bem, obrigada. Amo meus amigos e minhas amigas, mas às vezes elas são atrapalhadas.

Dia desses, uma amiga me ligou inconformada. Me contou que saiu  apressada da repartição pública onde trabalha rumo à sua casa. Cinco horas da tarde, fim de expediente. Lembrou que estava sem dinheiro, não havia sobrado nem pro metrô.

Sem problemas. Há uma grande agência do seu banco no térreo do prédio. Saiu do elevador , despediu-se de algumas poucas pessoas e se encaminhou ao banco.  Aproximou-se do caixa eletrônico e olhou dentro da agência, já totalmente vazia, quer dizer o segurança estava lá. Ele até fez um aceno pra ela, com a cabeça.

Tirou o cartão do banco da bolsa e iniciou a operação de levar algum dinheiro pra casa. Ops! De repente ela viu que alguma pessoa ao fazer as operações esqueceu o cartão do banco naquele caixa eletrônico. Que susto. Pegou o cartão do desconhecido  e foi devolvê-lo na agência fechada. Bateu no vidro, o segurança olhou  friamente e  na leitura  labial e na mímica ele avisou que o banco já estava fechado.

Dããã, ela sabia e continuou chamando a atenção dele e na mesma mímica e leitura labial ela o avisou que aquele cartão de banco não era o dela, pra ele guardar para entregar a algum funcionário do banco no dia seguinte.

Ele total e completamente cheio de má vontade, disse à ela pra colocar na bolsinha. Sabe aquela bolsinha onde fica guarda- chuva, celular, molho de chaves etc? Pois é, essa mesma. Ela ficou aliviada, colocou o cartão lá, deu um sorrisinho e voltou ao caixa eletrônico.

Não, não, não era possível o cartão que ela dera ao guarda era o dela, pois eram idênticos. Como voltar lá, chamar novamente a atenção do guarda, conseguir que ele a atenda e contar essa história rocambolesca? Exatamente isso. Quando ela bateu no vidro, o guarda olhou de longe e não quis atender. Como ela iria voltar pra casa? Ele tinha de atendê-la. Insistiu. E novamente na mímica e na leitura labial ela explicou a ele que devolveu o cartão errado. Aquele era o dela.

Sacou a carteira de identidade e pregou no vidro, desesperada. Ele olhou mas não entendia. Não era por mal. Ele não conseguia entender mesmo. Ela gritava, as pessoas ao longe, passavam e olhavam. Outros clientes, em outros  caixas eletrônicos ficaram solidários. O guarda abriu a porta, trocou os cartões e minha amiga sacou seu dinheiro e foi pra casa feliz.

Ufa! “Quero chorar o teu choro, quero sorrir teu sorriso. Valeu por você existir, amiga!”


(*) Conceição Lourenço — jornalista há 35 anos. Passou por diversas redações e segmentos: Revista Exame, Infantis, Diário de São Paulo, Revista Bárbara, Uma, Chiques&Famosos, Ti-ti-ti. Dirigiu a Revista Raça Brasil. Fundadora da Cal Assessoria de Imprensa. Hoje é Assessora Executiva de Comunicação na Prefeitura Regional do Pirituba/Jaraguá.  << “Crônicas da Conceição”: às 6ªs. feiras >>

Nota da Redação: As opiniões publicadas neste espaço são de inteira responsabilidade de seus autores. Os comentários nele emitidos não exprimem, necessariamente, o ponto de vista do “DiárioZonaNorte” e nem de sua direção.

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