Marca constante na paisagem paulistana, o Rio Tietê margeia umas principais vias da capital paulista, a Marginal Tietê. Embora seja mais conhecido por sua versão maltratada pela poluição que atravessa a cidade, ele nasce a uma altitude de 1.030 metros da Serra do Mar, em Salesópolis, a 96 quilômetros (km) de São Paulo e a 22 km do Oceano Atlântico. Em vez de correr para o mar como a maioria dos rios, o Tietê segue para o interior do estado e deságua no Rio Paraná depois de percorrer quase 1.100 quilômetros.

O Arquivo Público do Estado de São Paulo-APESP (Rua Voluntários da Pátria, 596, Santana – Zona Norte –  ao lado da estação de metrô Portuguesa-Tietê) abre nesta 4ª feira (14/03/2018) exposição que discute usos históricos do Rio Tietê.

A mostra “Expedição Tietê: registros de usos, ocupação e recuperação” é gratuita e aberta às 9 horas com seminário que discutirá a gestão das águas no estado. A atividade é uma parceria com a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) e a Fundação Energia e Saneamento.

Um rio de multiusos === É a trajetória desse rio ao longo da história que será contada na exposição. Abastecimento de água, geração de energia por barragens, mudanças no leito do rio para permitir ocupação e navegação, além de mineração, lazer e esporte são algumas das múltiplas formas que a sociedade utilizou e ainda utiliza os recursos naturais do Tietê. É o rio mais extenso que corta o estado e tem importância histórica e econômica desde o período das expedições dos Bandeirantes.

O curador da exposição, Flávio Ricci, que é diretor do Centro de Difusão e Apoio à Pesquisa do APESP, destaca o uso para esporte e lazer como um dos mais saudosos entre os paulistanos. “Competições de remo e natação aconteciam no rio até 1950. Isso era comum, tanto que tem um grande número de clubes famosos em São Paulo que se instalaram em torno do Tietê”, apontou. Ele lembrou que era comum também a retirada de areia das margens do rio para a construção de prédio no centro da capital. “O Edifício  Martinelli é um que foi feito a partir de areia captada do Tietê”.

Ricci explicou que a preocupação com a preservação e recuperação é mais recente e se tornou mais forte a partir das décadas de 1980 e 1990. “No início do século 20, as retificações e canalizações que transformam o curso natural, o qual é formado por pedras e vegetação aquática, acabou sendo acimentado. Assim você regula a quantidade de vida no rio. Na época não havia essa preocupação. A sociedade entendia como necessário e o governo foi lá e fez”, relatou.

Fotos, documentos, mapas e livros estão entre os itens que serão exibidos na mostra por meio de painéis verticais, vitrines e TVs. Há documentação que data de 1893. Registros de instituições privadas de interesse público também compõem o acervo do Arquivo Público.

Fórum Mundial da Água ===  De acordo com Ricci, este tema foi escolhido em consonância com os debates do 8º Fórum Mundial da Água, que ocorre em Brasília, de 18 a 24 de março. “Na semana anterior ao fórum, a ideia é fazer um aquecimento com discussão sobre a questão dos rios e a gestão das águas especificamente aqui em São Paulo”, apontou.

A metodologia em formato de expedição, proposta pela curadoria, é inspirada na proposta da Comissão Geográfica e Geológica (CGG), órgão ligado à Secretaria de Agricultura. No começo do século 20, equipe multidisciplinar, formada por engenheiros, geógrafos, biólogos, geólogos, entre outros profissionais, mapearam os recursos disponíveis ao longo dos principais rios que cortam o estado.

Seminário ===  O seminário de abertura da mostra, no dia 14 às 9 horas, terá a participação do presidente do conselho da Fundação Energia, Sergio Augusto de Arruda Camargo; do professor da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e pesquisador Janes Jorge; do biólogo e ambientalista Cesar Pegoraro, consultor da Fundação SOS Mata Atlântica; e será mediada por Rose Marie Inojosa, do Arquivo Público do Estado.

A exposição fica em cartaz no saguão de entrada do Arquivo Público de São Paulo até o dia 23 de março das 9 às 17 horas. O endereço é Rua Voluntários da Pátria, 596, ao lado da estação de metrô Portuguesa-Tietê.  <<Com apoio de informações/fonte: Ass.Imprensa Arquivo Público de SP-APESP / Agência Brasil >>

CN Institucional

DEIXE UM COMENTÁRIO

Por favor, entre com seu comentário
Por favor, entre com seu nome agora