Ao tentar apertar o botão do frasco de desodorante, percebe-se que a mão não consegue cumprir essa simples tarefa. Num outro momento durante a partida de futebol as pernas não ajudam, pior, atrapalham e se enroscam! E ao andar de bicicleta, de repente dá-se conta de que um dos pés deixa de fazer o movimento adequado e a solução é amarrá-lo ao pedal para seguir-se em frente.

Essas e outras situações nada comuns e que prejudicaram a realização de atividades corriqueiras e complexas, foram alguns dos sintomas percebidos pelo jovem de 21 anos Fernando Bolognesi, professor de história, economista e estagiário da FIAT em princípios de 1990. A ida ao médico e alguns exames logo confirmariam o quadro de esclerose múltipla, doença autoimune que afeta o cérebro, nervos ópticos, a medula espinhal e provoca lesões, dependendo da situação, potencialmente irreversíveis.

A radical transformação empreendida por Fernando nesses 27 anos, desde a constatação da doença, é revelada no espetáculo solo Se Fosse Fácil, Não Teria Graça, escrito e dirigido por ele, há três anos em cartaz e visto por mais de 20.000 espectadores.

Uma das primeiras grandes mudanças do profissional de economia e história foi se tornar ator e palhaço, ao entrar para a EAD-USP e depois trabalhar com reconhecidos diretores de teatro da cena paulistana, adotando o nome artístico de Nando Bolognesi. Os anos passaram e o ator seguiu sua trajetória de lutas, embalado pela frase da filósofa existencialista Simone de Beauvoir (1908 – 1986): “… É preciso aprender a aguardar a simplicidade dos fatos”.

Em tom de bate papo descontraído e íntimo com o público, Nando revela detalhes divertidos e de grande emoção que o ajudaram a formar sua crença pessoal de que “… nós somos responsáveis pelo mundo que inventamos”.

Experiente, sabe utilizar os recursos corporais de que dispõe de forma absolutamente coerente com a proposta de seu espetáculo.

Os poucos elementos cenográficos, são instrumentos eficazes para auxiliá-lo na narrativa e construção da poética do enfrentamento: uma bengala, símbolo limitante, está suspensa, amarrada a diversos balões amarelos e vermelhos que transmitem alegria, leveza e esperança. Por sua vez, na extremidade oposta, outro cubo tem em sua superfície uma singela caixinha. Nela Nando guarda um objeto precioso que completa a poesia de um artista sério, embora faça da comicidade a sua maior arma.

A cada momento uma nova surpresa se apresenta e provoca no espectador o riso e a emoção, pela maneira inteligente e sensível encontrada pelo ator para vencer os desafios do palco, muitas vezes determinados por poucos metros entre uma cadeira e outra.

E o melhor de tudo: em nenhum momento há sentimentos de autopiedade do intérprete. O que se vê em cena é um ator que celebra com o público a reinvenção da própria vida.

Assista ao teaser do espetáculo: https://www.youtube.com/watch?v=_atfb_321II

Assista a entrevista do Nando ao diretor Antônio Abujamra no Programa Provocações: https://www.youtube.com/watch?v=LYK9g3BRQXM

Após a sessão o ator Nando Bolognesi autografa seu livro “Um Palhaço Na Boca do Vulcão”. Nele o autor aprofunda reflexões e questionamentos a  respeito de sua vida e apresenta outras histórias divertidas e emocionantes. Preço do exemplar: R$ 35,00

SERVIÇO:

Se Fosse Fácil, Não Teria Graça –  Gênero: tragicomédia

Onde: Teatro TUCARENA – Rua Monte Alegre, 1024 (entrada pela Rua Bartira) – Perdizes

Informações: 11.3670.8455 / 8454

Ingressos: R$ 60,00 –  Bilheteria: de 3ª a sábado, das 14 às 19 horas

Vendas: 11.4003.1212 e www.ingressorapido.com.br

Temporada: 01.07 a 30.07.2017

Dias: 6ªs.feiras e Sábados às 21 horas / Domingo às 18 horas

Duração: 80 minutos – Classificação indicativa: 14 anos

Capacidade do teatro: 150 lugares

Estacionamento conveniado: Vaz Estacionamentos – Rua Monte Alegre, 835 – R$18,00 (Valor válido somente mediante a apresentação de ingressos das peças em cartaz no TUCA)

(*) AGUINALDO GABARRÃO –  ator e dramaturgo. Iniciou em 1989 sua trajetória no teatro com o espetáculo “Halloween, o dia das bruxas”, do dramaturgo Nery Gomide. Trabalhou com diretores de diferentes estilos e gerações: Jayme Compri, Hamilton Saraiva, Fabio Caniatto e Antônio Abujamra entre outros. Atua também em treinamento corporativo, usando o teatro como ferramenta didática em sala de aula. Das peças que escreveu, atualmente está em cartaz com “Cândido, uma Poética Espiritual”.

Nota da Redação: As críticas publicadas neste espaço são de inteira responsabilidade de seus autores. As opiniões nelas emitidas não exprimem, necessariamente, o ponto de vista do “DiárioZonaNorte” e nem de sua direção.

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