da Redação DiárioZonaNorte ===

Até parecia proposital na manhã desta 4ª feira (25/04/2018), uma Assembleia Geral de trabalhadores com  suas reivindicações em plena Praça da Esperança, no Jardim Paulista, em São Paulo. Mas foi real, a partir das 9 horas da manhã, cerca de 50 funcionários da Fundação Pró-Sangue Hemocentro de São Paulo estavam representando os 500 colegas de 40 postos de coleta de sangue somente na cidade de São Paulo – já que não podiam deixar os locais. Na Zona Norte tem o Posto Mandaqui (ao lado do portão de entrada do Conjunto Hospitalar do Mandaqui – Rua Voluntários da Pátria, 4.227 – fone 0800-55-0300), que teve os funcionários também representados no encontro.

Com mensagens “Nenhum direito a menos!”,  a praça em frente ao prédio de administração do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HCFMUSP), junto à Av. Dr. Enéas de Carvalho Aguiar, foi invadido com palavras de ordem dos funcionários da Pró-Sangue, com seus jalecos brancos – que, em sinal de protesto, ostentam uma faixa preta no braço esquerdo, abaixo do logotipo da instituição.

O Sindicato dos Trabalhadores Públicos de Saúde do Estado de São Paulo (Sindsaúde-SP), afirma que a administração da Fundação Pró-Sangue quer alterar o esquema de convênio médico dos trabalhadores da instituição. Nesta mudança, uma parte dos trabalhadores terá direito ao convênio e outra ficará sem o benefício. E, por outro lado, está sendo imposto uma co-participação no pagamento do convênio médico.

O benefício faz parte === Já os trabalhadores lembram que, no edital de convocação na abertura das vagas para o concurso público, ficou claro o benefício da assistência médica gratuíta. E agora a Fundação Pró-Sangue alega dificuldades financeiras para não pagar mais o convênio médico e que os trabalhadores arquem com parte dos custos, que incluem consultas e exames.

O Sindsaúde realizou recentemente uma reunião com os representantes da  administração da Pró Sangue e apresentou  uma análise contábil realizada pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE), que demonstrou que existe uma sobra de orçamento de alguns anos da Fundação Pró-Sangue.

Reuniões para acertos === Segundo o diretor do “Quarteirão da Saúde” (que é a representação do local com todas as unidades médicas, centros e institutos representados ao lado Hospital das Clínicas e que mantém 23 mil pessoas na área), Gilson de Souza Santos, o Sindsaúde protocolou solicitação para uma mesa redonda na Delegacia Regional do Trabalho (DRT) para discutir os problemas destes trabalhadores. Na semana passada foi acertada uma reunião, mas a direção da Fundação Pró-Sangue comunicou ao Sindsaúde o cancelamento, quase em cima da hora, e não houve indícios de nova data.

O que ficou decidido === Na Assembleia Geral foi aprovada as medidas de “não co-participação no pagamento do convênio médico”; “o pedido de reajuste salarial”; e “o pagamento de Prêmio Incentivo a todos os trabalhadores da Fundação Pró-Sangue”. O Sindsaúde continua em busca das negociações e acertará outros encontros com os funcionários, na “esperança” de bons entendimentos com a abertura do diálogo com a diretoria da Fundação Pró-Sangue.

O outro lado da questão == Atendendo solicitação do DiárioZonaNorte, a instituição encaminhou o seguinte comunicado, através da Assessoria de Comunicação: “ A Fundação Pró-Sangue vem estudando a possibilidade de manter o convênio médico para os seus colaboradores, diante das dificuldades orçamentárias ora enfrentadas; quanto ao reajuste salarial, estão sendo tomadas todas as medidas junto às instâncias competentes, para solicitação do pleito. Vale ressaltar que as fundações instituídas ou mantidas pelo poder público não têm autonomia para conceder reajuste ou aplicar convenções ou dissídios coletivos”.

O que é a Pró-Sangue ===  A Fundação Pró-Sangue (FPS) é uma instituição pública ligada à Secretaria de Estado da Saúde e ao Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, mantendo com a última estreito laço de cooperação acadêmica e técnico-científica. Como instituição voltada às áreas de medicina transfusional e terapia celular, é considerada referência para a Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS), Organização Mundial da Saúde (OMS) e para o Ministério da Saúde.

Criada em 1984, a FPS tem como principal missão fornecer sangue, hemocomponentes e serviços hemoterápicos concordantes com a legislação vigente e com os padrões internacionais de qualidade. Sua sede se localiza no 1º andar do Prédio dos Ambulatórios do Hospital das Clínicas, à avenida Dr. Enéas Carvalho de Aguiar, 155. Possui cinco postos fixos para doação de sangue: no Hospital das Clínicas, no Hospital do Mandaqui, no Hospital Dante Pazzanese, no Hospital Regional de Osasco e no Hospital Municipal de Barueri.

Mensalmente, a FPS coleta e processa cerca de 12 mil bolsas de sangue destinadas ao atendimento de cerca de 100 instituições públicas da rede estadual de saúde, entre elas o Hospital das Clínicas, o Instituto do Coração, o Instituto do Câncer de São Paulo, o Hospital Dante Pazzanese. O volume de sangue coletado pela FPS equivale a aproximadamente 32% do sangue consumido em toda a Região Metropolitana de São Paulo. Essa tarefa representa um grande desafio diário, uma vez que o sangue é fruto de doação voluntária e, em nosso país ainda não há uma cultura da doação rotineira de sangue.


 

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