por Aguinaldo Gabarrão (*)

A reclusa vida de Luke Skywalker sofre uma reviravolta quando ele conhece Rey, uma jovem que mostra fortes sinais da Força. O desejo dela de aprender o estilo dos Jedi força Luke a tomar uma decisão que mudará sua vida para sempre. Enquanto isso, Kylo Ren e o General Hux lideram a Primeira Ordem para um ataque total contra a General Leia Organa e a Resistência pela supremacia da galáxia.

Temos aí os elementos de mais um episódio da luta de capa e sabres de luz. Nada deve a um folhetim, dos bons. E melhor: com ares do século XXI.

Números impressionantes ===  Nem o produtor mais otimista conseguiria imaginar em 1977 que a saga Guerra Nas Estrelas chegaria aos 40 anos arrecadando bilhões de dólares nas bilheterias mundo afora. Com esse último episódio, que estreou em dezembro de 2017, a saga completa 8 filmes e esta última produção chegará, segundo a revista FORBES, em U$ 1,3 bilhão de dólares no mundo todo.

Tão impressionante quanto esse valor, é saber que esses números estão abaixo da previsão da Disney, atual detentora da marca, que esperava algo em torno de U$ 1,6 bilhão de dólares. O episódio anterior, “O Despertar da Força”, arrecadou U$ 2,06 bilhões de dólares.

É provável que os resultados “negativos” estejam relacionados ao baixo rendimento do filme no mercado Chinês, segundo maior do planeta em bilheteria e, também, por conta de muitos fãs que fizeram críticas ao filme, por considerarem a história um tanto quanto distante das características originais da saga de George Lucas.

Fãs cobram fidelidade ===  É fato que “Os últimos Jedi” trouxe tramas paralelas em maior número do que o filme anterior. Apresentou novos personagens, precisou explicar a função de cada um deles para avançar a história e, ainda desenvolver de maneira mais completa, os personagens que iniciaram essa nova trilogia no primeiro filme. Por conta disso, a história ganhou adicionais 20 minutos, tornando-se a mais longa em relação às demais produções da franquia. Mas, é certo: houve alguns exageros no roteiro e direção.

E aqui vai um spoiler de um parágrafo: a relação amorosa da personagem Rose Tico (Kelly Marie Tran) com o arrependido Stormtrooper Finn (John Boyega), da maneira como foi construída, é pouco verossímil. Mais parece um arranjo no roteiro para justificar a escancarada necessidade de colocar uma personagem de ascendência oriental, com o objetivo de conquistar o público de outras fronteiras (leia-se: o chinês).

Outras irregularidades do roteiro, escrito pelo diretor Rian Johnson, evidenciam-se por conta da forma como conduziu o seu trabalho: cenas que deveriam ser de maior impacto dramático soam, algo forçada e algumas sequencias de ação poderiam ganhar mais impacto se fossem encurtadas. Um desses exemplos diz respeito a uma das batalhas, que chega a cansar de tão longa. Além disso, inventaram na trama uma desnecessária cidade cassino que acaba desembocando numa atabalhoada corrida de seres estranhos. E ainda há aqueles bichos esquisitos, os Porgs e os Caretakers, criados para vender bichos de pelúcia até no Catar. É uma sandice.

Desse males não sofre o episódio anterior “O despertar da Força”, com roteiro e direção do competente J.J. Abrams.

A busca pela renovação === Mas, há méritos importantes na direção e roteiro de Johnson. Entre eles, as cenas em que Kylo Ren dialoga com Rey, embora estejam distantes fisicamente, são perturbadoras e apresentam novas facetas dessas personagens, aumentando o potencial de tensão. O Jedi Luke Skywalker, um ermitão, longe da figura heróica da juventude, está infinitamente melhor na pele de um homem sombrio e relutante, e dá ao trabalho do ator Mark Hamill destaque bem mais significativo do que nos três filmes que protagonizou “… numa galáxia muito, muito distante”.  A belíssima cena dos espelhos, em que Rey se depara com sua imagem multiplicada ao infinito, dá a dica de que muitas surpresas e enigmas estão guardados com essa personagem.

Outro ponto alto é o desenho de produção dos cenários da magnífica sala onde o Snoke, líder Supremo da Primeira Ordem, realiza suas vilanias. Ladeado por sua Guarda Pretoriana (é isso mesmo, eles copiaram o termo da Roma Antiga), com figurinos escarlates e mobilidade de samurais, protagonizam sequencias de lutas de tirar o fôlego.

O elenco, parte dele apresentado no “Despertar da Força”, é constituído de atores de primeira: Daisy Ridley (Rey), John Boyega (Finn), Adam Driver (Kylo Ren), Benício Del Toro (DJ), Laura Derm (Vice Almirante Holdo), Oscar Isaac (Poe Dameron) e os sempre carismáticos Mark Hamill (Luke Skywalker) e Carrie Fisher (a eterna princesa Leia).

Para os fãs fica a dúvida de como a equipe de produção irá resolver, no último filme da trilogia, o destino da General Leia Organa, interpretada por Carrie Fisher, que morreu em 27 de dezembro de 2016, pouco tempo após ter concluído as filmagens.

Se você ainda não assistiu ao “Os últimos Jedi” e está em dúvida, por conta das cobranças de fãs de carteirinha e quanto aos comentários feitos nesta crítica, esqueça tudo e vá com amigos, família e curta o novo episódio. Afinal, a experiência de assistir a um filme de Star Wars, é tão pop e agradável, quanto uma boa novela.

Ainda dá tempo.

Assista ao trailer: https://www.youtube.com/watch?v=4JB3tHn2S5A

 


FICHA TÉCNICA

Star Wars: Os Últimos Jedi / Título original: Star Wars: The Last Jedi)

Direção e Roteiro: Rian Johnson

Elenco: Daisy Ridley, John Bpyega, Oscar Isaac,  Mark Hamill, Adam Driver, Carrie Fisher, Kelly Marie Tran, Andy Serkis, Benicio Del Toro, Laura Dern, Gwendoline Christie, Lupita Nyong’o, Domhnall Gleeson, Joonas Suotamo, Anthony Daniels, Jimmy Vee, Billie Lourd, Togo Igawa, Mark Lewis Jones, Akshay Kumar, Justin Theroux, Tom Hardy, Adrian Edmondson, Hermione Corfield.

Gênero: ficção científica / Duração: 155 minutos

Classificação indicativa: 12 anos / País: EUA / Ano de Produção: 2017

Lançamento: 14 de dezembro de 2017 (Brasil)


SERVIÇO * (Legendado em todas as salas. Confirme os horários)

Cinépolis JK Iguatemi

Avenida Presidente Juscelino Kubitschek, 2041 – Vila Nova Conceição – São Paulo

Sala 3: Santander VIP: 21h20

Lar Center Cinemark

Avenida Otto Baumgart, 500 – Vila Guilherme – São Paulo

Sala 3: Prime: 20h30

Kinoplex Vila Olímpia

Rua Olimpíadas, 360 – Vila Olímpia – São Paulo

Sala 4: 14h00


(*) Aguinaldo Gabarrão, ator e dramaturgo. Iniciou em 1989 sua trajetória profissional no teatro com o espetáculo “Halloween, o dia das bruxas”, do dramaturgo Nery Gomide. Trabalhou com diretores de diferentes estilos e gerações: Jayme Compri, Hamilton Saraiva, Eugênia Thereza de Andrade, Fabio Caniatto e Antônio Abujamra entre outros. Atua também no segmento corporativo por meio de cursos, treinamentos e palestras com as técnicas do teatro.

Nota da Redação: As críticas publicadas neste espaço são de inteira responsabilidade de seus autores. As opiniões nelas emitidas não exprimem, necessariamente, o ponto de vista do “DiárioZonaNorte” e nem de sua direção.

 

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