da Redação DiárioZonaNorte ===

Uma triste realidade que viaja por anos de sofrimentos. Entre duas avenidas agitadas no Alto de Santana, junto ao bairro do Mandaqui, estão os prédios que já receberam a denominação de Complexo Hospitalar e agora é conhecido como Conjunto Hospitalar, mas não importa porque os maiores interessados o conhecem mesmo por Hospital do Mandaqui. É do governo estadual, mas o esquecimento é de todos. Nos seus prédios, pelos corredores, pacientes  andando de um lado ao outro, perdidos, esperando por horas por  atendimento.

Caos ===  Atrás das portas, nas saletas de consultórios e nos centros cirúrgicos, os poucos médicos e enfermeiros não dão conta de tudo, apesar da boa vontade. O ambiente carregado de indecisões gera  momentos de estresse dos dois lados, entre quem quer trabalhar e os que precisam de atendimento.  E o nervosismo impera, com gritos, berros e xingamentos. E assim é o movimento dia e noite do Hospital do Mandaqui. Ininterrupto para tentar o atendimento de centenas de pessoas dos bairros da Zona Norte, de outros lugares e de acidentes. O vai-e-vem de ambulâncias, SAMU, Resgate, viaturas da Policia Militar e da Guarda Civil Metropolitana.   Na 3ª. feira (05/06/2018), cirurgias foram interrompidas por causa de quebra de um equipamento. E não tinha material para as cirurgias. E chegou-se ao ponto das enfermeiras lavarem alguns instrumentos utilizados em cirurgias. As peças para o conserto do equipamento tem o  custo de R$7.200,00, e para serem repostas  entram na burocracia de editais e licitações.

Vigilância constante === São 80 anos da implantação do Hospital do Mandaqui, com todo seu histórico e promessa de atendimento médico-hospitalar. Apesar de avisos, de reclamações, de protesto,  as advertências de médicos e enfermeiros, discussões entre funcionários e  as avaliações nas reuniões do Conselho Gestor, tudo continua como sempre aconteceu nos últimos anos – ou até piorou no “tempo das promessas”. É uma vitrine de sofrimentos, de lamúrias, de promessas e que parecem que não querem ver o que está à frente de todos. É a realidade de um hospital encravado na Zona Norte/Nordeste da cidade, que foi esquecido no tempo. Uma razão de sobrevivência e de grande importância à saúde e qualidade de vida para milhares de pessoas.

Até ratos na história === A situação continua drástica. O Conselho Gestor estampa cenas dramáticas em sua página na mídia social. Cenas que mostram pacientes em macas pelos corredores, salas com vários enfermos, pessoas nos bancos aguardando atendimento… e, mais recentemente, um vídeo mostra funcionários correndo atrás de um rato. Com uma vassoura, funcionários correndo atrás do animal (veja bem: dentro de um hospital), que foi morto e jogado dentro de uma lata de lixo (veja o vídeo aqui). E parece que não é o primeiro caso, já que a administração do Hospital do Mandaqui admitiu que já providenciou há tempos a desratização. É um animal que se prolifera rapidamente.

O problema no Palácio dos Bandeirantes=== Já aconteceram várias reações pela situação do hospital e seu atendimento. No dia 9 de maio deste ano, conselheiros gestores e o presidente do Sindicato dos Médicos de São Paulo (Simesp), Eder Gatti, estiveram no Palácio dos Bandeirantes para  encontro com o governador Márcio França, que determinou que a audiência fosse conduzida pelo Coordenador Institucional do Governo do Estado de São Paulo, Marco Aurélio Ubiali (*).  Todas as situações e dificuldades foram relatadas, inclusive a situação de novas contratações de médicos e enfermeiros. Com a determinação do governo, em abril houve abertura de um edital para contratação de  17 médicos para o Pronto Socorro, sendo 14 para a área de clínica médica e três para a pediatria.  Com o desempenho no exame do Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp) como critério eliminatório, os candidatos inscritos não atingiram a nota mínima e foram desclassificados para as  vagas de clínica médica – o setor crítico do hospital.  Um outro problema para atrair médicos de “primeira linha” foi o salário oferecido, muito abaixo da média do mercado  (Leia mais na reportagem aqui )

Sem diálogo === Apesar de todos os problemas, que acumulam-se por meses, a Secretaria de Estado da Saúde resiste em não manter um contato mais ativo para discussão dos problemas do hospital junto aos usuários, Conselho Gestor e com o Sindicato do Médicos. E foi por esse motivo, não encontrando espaço para o diálogo, que o assunto foi encaminhado junto ao governador. O representante do governo, Marco Aurélio Ubiali, comprometeu-se em intermediar uma reunião entre as partes.

O que já aconteceu === Já no começo de março, o DiárioZonaNorte alertava em reportagem: “Hospital do Mandaqui opera com PS fechado e à beira do caos” (veja aqui ), onde já relatava a situação dramática, abria-se um histórico do hospital e apontava os vários problemas.  No dia 28 de março,  ocorreu um protesto de médicos, enfermeiros e usuários no entorno do Hospital do Mandaqui, para chamar atenção da população para o problema (leia matéria aqui ), mesmo com o governo um dia antes (27/03) ter aberto vagas para contratação de pessoal, conforme reportagem com o título “Virou o jogo. Governo manda o Hospital do Mandaqui contratar mais de 100 profissionais” ( veja aqui ).

E mais promessas surgiram com a visita em 11 de maio da senadora Marta Suplicy (MDB),  que percorreu corredores, conversou com pacientes, mas não apareceu em fotos com doentes no Pronto Socorro e nem em macas improvisadas nos corredores. A senadora reuniu-se com a diretora-geral, Dra. Magali Vicente Proença, que pode dar explicações e ouvir da senadora “que se comprometia em ajudar o Hospital do Mandaqui com emendas parlamentares e a levar as demandas ao Ministério da Saúde” – (veja a matéria aqui).

Aos olhos dos conselheiros === O Conselho Gestor, diante da situação preocupante do Hospital do Mandaqui, tem seus conselheiros em constante vigilância e com revezamentos em vários horários – inclusive de madrugada. Na 3ª feira (05/06/2018), um destes “olheiros” postou a seguinte observação: “Situação só piorando, agora as 13:30 horas, os corredores estão com pessoas amontoadas. A entrada do PS cheia e ambulâncias chegando. Os poucos médicos e enfermeiros que estão em atendimento, estão esgotados. Posso afirmar com toda certeza que aqui não tem nenhum familiar de político em maca!   Devem estar na sala de espera do Albert Einstein e do Sírio Libanes!”.  São vários relatos no mesmo nível e que comprova que o que acontece dentro do hospital não reflete  no Palácio dos Bandeirantes, no gabinete do Secretário da Saúde e tão pouco junto aos deputados estaduais – que no final do ano pedem reeleições e outros almejam o cargo. É um cineminha que se repete como já observados e confirmado em uma vistoria pelo Simesp, que comprovou a desassistência: “ Em março, o pronto-socorro do Mandaqui estava sem médicos clínicos três vezes por semana e havia mais de 40 pacientes internados pelos corredores e sala de medicação”. As Comissões de Saúde dos parlamentares (até os Municipais) tomaram conhecimento de ofícios já encaminhados e não se viu nenhum resultado até agora – como uma vistoria no local e outras providências.

Outros caminhos === Após a reunião no Palácio dos Bandeirantes, com apertos de mão, tapinhas nas costas e cafezinhos, nada caminhou conforme prometido, após mais de um mês. O Conselho Gestor do Hospital do Mandaqui reclama contra esse silêncio: “O que recebemos além de promessas:  absolutamente nada. E mais triste é que cobramos em contato direto através do celular falando com a Assessoria no Palácio, e nada aconteceu, nem retorno. Silêncio absoluto”, desabafa o presidente  Marco Antonio Nunes Cabral.   E o Simesp marcou nova reunião da diretoria e dos médicos do Hospital do Mandaqui, nesta 5ª feira (07/06/2018), às 16 horas, para discutir o assunto e novos rumos para os problemas do  hospital.  Há rumores de que a intenção do governo é mostrar a ineficiência do sistema no Hospital do Mandaqui para torná-lo às mãos de uma Organização Social (OS). Mais uma vez, o caminho parece ser a privatização.

Sucateamento intencional  == O presidente do Simesp, Dr. Elder Gatti, foi procurado pelo DiárioZonaNorte e reafirmou que o Hospital Mandaqui está novamente em momento delicado e que pode tomar outros rumos prejudicando a qualidade dos serviços.  Gatti faz críticas ao atual governo estadual, ”o governador Márcio França repete os erros do governo que ele sucedeu, já que ele não mexe na política de Recursos Humanos e fica investindo em contratos de emergência com salários extremamente baixos e em condições extremamente desfavoráveis, o que torna pouco atraente trabalhar no Hospital do Mandaqui”. Segundo ele, o governo está levando  o serviço ao extremo do sucateamento para mais à frente justificar uma terceirização. “É isso que se está descortinando no horizonte”, acrescenta que vai haver um comprometimento muito grande de serviços do Mandaqui, isto porque o hospital agrega muitas especialidades.

Desta forma, a terceirização compromete as especialidades de serviços  porque tem que se generalizar mais e torná-lo menos específico.  Segundo o presidente do Simesp, haverá também prejuízos para a residência médica, uma vez que o Hospital do Mandaqui é um importante formador de médicos especialistas. Esses médicos contam com médicos-tutores, mais experientes,  que se for terceirizado essa tutoria vai ficar prejudicada. E quando se terceiriza o estado perde o controle sobre a qualidade do profissional. Isto porque se terceiriza para uma Organização Social (OS), que quarteriza para uma empresa de Recursos Humanos médicos, que precariza o médico que vai trabalhar na ponta obrigando-o a ser sócio minoritário desta empresa. E Gatti concluiu: “É um cenário de extrema desorganização de serviço e o governo do Estado de São Paulo faz isto de forma pensada”.  

Nota da Redação: Além dos médicos, enfermeiros e outros profissionais da Saúde, incluindo o trabalho voluntário e incansável do Conselho Gestor, a população precisa reagir aos problemas e ao atendimento do Hospital do Mandaqui. Mostrem o que acontece no Hospital do Mandaqui através das mídias sociais e também às redações de jornais e emissoras de rádio&tv. Estamos em ano eleitoral e vamos cobrar dos deputados estaduais – e mesmo que não é da competência direta do município, os vereadores podem também contribuir. O importante é cobrar destes parlamentares atitudes mais sérias com a população carente de melhor qualidade de vida e de saúde. Encaminhem e-mails e mensagens a todos – principalmente às Comissões de Saúde  das duas casas parlamentares:

COMISSÃO DE SAÚDE/ASSEMBLÉIA LEGISLATIVA:

  • Presidente –    Cezinha de Madureira (DEM) –  cezinhademadureira@gmail.com = 3886-6676/6677
  • Vice-presidente  – Analice Fernandes (PSDB) – afernandes@al.sp.gov.br  ==     3886-6797/6798

Efetivos:

  • Celino Cardoso (PSDB) –  ccardoso@al.sp.gov.br    =      3886-6772/6773
  • Hélio Nishimoto (PSDB) – helionishimoto@al.sp.gov.br =  3886.6735 / 6764
  • Carlos Neder (PT) – carlosneder@al.sp.gov.br  =  3886.6547
  • Marcos Martins (PT) –  mmartins@al.sp.gov.br ==  3886.6241 / 42
  • Doutor Ulysses (PV) —  doutorulysses@al.sp.gov.br  == 3886.6719 / 6155
  • Itamar Borges (PMDB) — itamarborges@al.sp.gov.br  == 3886.6852 / 6857
  • Milton Vieira (PRB) — miltonvieira@al.sp.gov.br == 3886.6749 / 6751
  • André do Prado (PR) — andredoprado@al.sp.gov.br == 3886.6562 / 6563
  • Luiz Carlos Gondim (SD) — lcgondim@al.sp.gov.br — 3886.6549 / 6552

Suplentes:

  • Fernando Capez (PSDB) – fcapez@al.sp.gov.br – 3886.6687 / 6691
  • Roberto Massafera (PSDB) – rmassafera@al.sp.gov.br – 3886.6834 / 6838
  • Welson Gasparini (PSDB) – welsongasparini@al.sp.gov.br – 3886.6098 / 6099
  • Enio Tatto (PT) – eniotatto@al.sp.gov.br – 3886.6950 / 6944
  • Geraldo Cruz (PT) – geraldocruz@al.sp.gov.br – 3886.6108 / 09
  • Gil Lancaster (DEM) – gillancaster@al.sp.gov.br – 3886.6389 / 6395
  • Afonso Lobato (PV) – padreafonso@al.sp.gov.br – 3884.6638 / 6662
  • Léo Oliveira (PMDB) – leooliveira@al.sp.gov.br – 3886.6386 / 6387
  • Wellington Moura (PRB) – wmoura@al.sp.gov.br – 3886.6096 / 6139
  • Marcos Damasio (PR) – marcosdamasio@al.sp.gov.br – 3886.6704 / 05

COMISSÃO DE SAÚDE – CÂMARA DOS VEREADORES:

Comissão de Saúde, Promoção Social, Trabalho e Mulher

(*) Marco Aurélio Ubiali, de Franca (SP),  é um médico, professor e político brasileiro. É médico formado pela Universidade Federal de Minas Gerais e deputado federal pelo PSB de São Paulo e presidente da Federação das APAEs do Estado de São Paulo. No governo de São Paulo, acompanha como assessor politico de Márcio França, desde a época de vice-governador

 

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